sexta-feira, 17 de julho de 2015

Quando um minuto não contamina o outro.

"Não podemos deixar que um minuto contamine o outro'. Sábias palavras de um senhor de 90 anos de idade e que vive em plenitude. Não vou deixar que esses minutos, por não ter um desenho pronto para postar aqui, de ter me programado para só atualizar esse espaço no mês que vem, contamine o outro.Ainda mais tendo a honra e a confiança de receber uma obra ainda para ser lançada de um grande guerreiro do underground daqui: Belchior. Que ainda aproveitou e nos concedeu  a primeira entrevista dada a um veiculo de comunicação.O Acclamatur zine saiu na frente (sem contaminar os minutos).  . Não importa. vai sem desenho, vai sendo alimentado aos poucos. Ainda tem muita coisa vindo por aí. Me esperem que eu só sei correr um pouco.

G. Burkhardt 











FROZEN FROST - FROM HERE TO ETERNITY – PE

        Ao ser perguntado num programa de rádio o que as bandas hoje em dia precisam fazer para se destacarem em um mercado saturado e sem muitas novidades , já que praticamente tudo de inovador que se poderia fazer no Metal já foi feito, respondi que uma das coisas deveria ser autencidade no sentido de inserir elementos novos ou pequenos detalhes, as vezes ruídos, vozes , sem descambar para as misturebas infames ou world music. Apenas pequenos detalhes fazem uma obra se diferenciar e se destacar da outra. E é o que o Frozen Frost parece querer fazer. É um som que ainda surpreende, com uma pegada meio Celtic Frost nas suas experimentações, e com isso a banda acaba acertando no quesito variação, deixando o disco nada cansativo e curioso no sentido positivo. Primeiro ponto positivo é o uso do vocal feminino sem afetação, sem querer soar um Tarja da vida e se perder num emaranhado de gritos de gozo interrompido. O vocal de Anastácia Rodrigues é simples, mas por isso mesmo, por soar natural, se encaixa bem nos arranjos alternados entre declamações e puro canto. 


Apesar de começar, digamos, com uma certa urgência com The Lake of Fools, diria que o som está mais próximo de um Doom, principalmente na amarrada Panic , nos momentos tenebrosos de The End of World e Desolate, essa última arrepia, com o belíssimo poema “Motivo” de Cecília Meireles inserido de forma declamada. Logo depois, uma quase balada gótica que esmorece um pouco a instigação do disco, Froozen Feelings seguida de mais um Doom Celticfrostiano em Dangerous Mind. As experiências continuam com o piano de Arnoldo Guimarães e flautas do músico convidado Rafael Martins e os vocais da também convidada Andréa Cristina na estranha e muito foda Sadness and Lonelines. Também vale aqui destacar o músico Carlos Monster Souza que além da bateria também faz as seis cordas. E o belo lamento de Requiem to the Sun finaliza esse trabalho realmente cuidadoso, saído da mente de Argemiro Júnior, baixo e vocais, que compôs todas as músicas e demonstra preocupação em apresentar um trabalho realmente simples mas estiloso, felizmente amarrado as raízes da tradição e ao mesmo tempo com um pé numa proposta quase progressiva, ou seja: sem muitas amarras. E é isso que deixa o trabalho interessante.

                                                                  G. Burkhardt



BELCHIOR – BELCHIOR


Sempre digo que apesar de seus fieis  seguidores, na maioria das vezes tem posições até muito radicais e até tradicionais, esse é o estilo no Metal mais extremo, que mais se permite experimentar. Seja adicionando em meio a escuridão doses cavalares de Metal Tradicional, ou ambientações syntetizadas no melhor estilo progressivo de 70. Pois bem aqui temos uma obra que não teve medo de experimentar. Esse é um trabalho do músico Belchior DeMelo, recifense radicado a anos nos EUA. O discaço já começa com A Life With No Light : The Olden Days arregaçando principalmente nos vocais malditos e depois como numa tomada de folego o cara nos entrega uma viagem sonora regada a teclados e sons intuitivos que vai crescendo com a marcação da bateria e gritos, Kingdom Of The Midnight Arts. Algo próximo a uma marcha fúnebre. A próxima um grande cover do Mystifier , Beelzebuth . Onde Belchior intensifica a sua linha vocal totalmente desesperada, Assim como em Life With No Light : Unholy Ghost . Enthroned By Hell's Fire tem um quê de Celtic naquele climão denso de To Mega Therion. Cold Winds Are Calling Me, é a mais emocional do trabalho. Belíssima melodia das guitarras e aos gritos um lamento parece ser recitado. E no final dois bônus gravados em 2007, Orgy In The House Of Your God e I Despise Jesus Christ, mais cruas na sua gravação mas nem por isso menos delirante.Exemplo aa última citada, qué é de um desespero que só almas em fúria e revolta conseguem captar com tanta veracidade. Trabalho sincero de um músico que muito contribuiu para o underground  e ainda parece nos brindar dizendo; ainda estou muito vivo! Ou morto!Seja bem vindo aos escombros do Metal Pernambucano.

                                                                 G. Burkhardt




SOTURNUS – OF EVERYTHING THAT HURTS – PB


         A banda já havia lançado um belo trabalho anteriormente “When Flesh Becomes Spirits” de 2007, manteve a sua sonoridade sombria do Ghotic temperando a áurea Death/Doom nesse novo trabalho com muita classe e bom gosto, começando pelo belíssimo trabalho gráfico criado mais uma vez pelo renomado Gustavo Sazes, já que o disco anterior também teve a contribuição do mesmo. O disco começa com os riffs “rápidos” de I Wish I Knew e Rodrigo Barbosa , estreando nesse disco, mostrando uma diversidade enorme nos vocais, indo do rasgado, passando no mais profundo grave ,até ao limpo enfatizando o clima gótico, trazendo a riqueza necessária às composições da banda. Outro ponto alto é a quase balada gótica que dá título ao disco. Um começo acústico com vozes limpas com muita emoção descambando para umas distorções e vocais rasgados, sempre oscilando nesse clima. Puro sentimento essencial para um trabalho nesse estilo. Contando ainda com uma participação especial no solo do guitarrista da banda Wooden Bridge, também de  João Pessoa,  Rodrigo Guimarães.Por sinal os solos de Andrei Targino e Eduardo Borsedero também contribuem muito para dar brilho às canções, ambos bem identificados no encarte, em que momento solam. Uma informação interessante para percebermos o estilo de cada um. 
       A produção, muito boa, limpa,  ficou a cargo de outro músico paraibano Victor Hugo Targino na banda de Death melódico Thyresis.  Que também sola na faixa Empty Man.
         A bateria perfeita de Eduardo Vieira e o baixo preciso de Guilherme Augusto, membros originais da banda, complementam com chave de ouro esse testemunho sonoro de como podem ser belas as sombras.
                                                                      G. Burkhardt




ENCÉFALO – DIE TO KILL- CE

       AliveOrKill? É uma perfeita introdução, com múrmurios tétricos e agoniantes, para a entrada de um Death/Thrash Metal. Coeso na determinação da banda em  trazer podridão e sujeira,  que se nota logo de cara em Age of The Darkness até o fim com Night of The Dead. Não tem subterfugios , nem firulinhas extremas, nem preocupação em só demonstrar  técnica. Apesar de que a instrumental Battle of Blood a banda arregaça toda a sua competência nos seus instrumentos de guerra.O que escutaremos aqui é puro ódio pesado. Metal macho, macho mesmo! Arregacem os seus feromonios e se preparem para estonteantes rodas quando tocar Suicide Dreams emendando na mesma vibe com Apokalypse , onde a guitarra no começo parece uivar e lamentar em dor no meio da violência inerente da banda.
         As guitarras de Alex Maramaldo (também vocal, mas que saiu após essa gravação) e Lailton Souza por vezes correm desenfradas e cortantes em solos loucos como só a dupla King/Hanneman sabia fazer tão bem. 
        A primeira vez que ouvi o Encéfalo no trabalho anterior, Slaves of Pain, achei a entonação e os cacoetes do vocal de Alex próximo a Max Cavalera, o que não é demérito algum, porém nesse trabalho  ele trouxe ainda mais agressividade e identidade própria aos seus urro,  impondo um primitivismo na dose certa para o som da banda, infelizmente saindo após esse trabalho, deixando o cargo de vocalista com Henrique Monteiro (tb baixista).Além disso tudo, também é impossível não elogiar os bumbos e a pancadaria dos tambores de  Rodrigo Falconiere. Um grande , agressivo e respeitável trampo de Death/Thrash Metal.
                                                                             G. Burkhardt





CHEMICAL DISASTER – MORE SCRAPS OF OUR WOUND - SP

     De cara é inerente a propriedade dessa banda Santista de transformar qualquer coisa em pancadaria com um  Thrash beirando o Death, já que esse é um lançamento de 2015, além de reunir as demos "Promo-Tape '97" e "Promo Disaster '07" e músicas que ficaram de fora de trabalhos anteriores, também contém vários covers: Vulcano, Venom ,Judas , Motorhead . Esses últimos ganharam versões realmente estupidas, não no sentido pejorativo, mas no sentido de agressividade mesmo. Rapid Fire e Sex and Outrage ficaram com uma pegada totalmente thrash. O trabalho contém 16 faixas, sendo as 02 primeiras gravadas em 2014, portanto novíssimas, a partir da terceira temos sobras, mas nem por isso menos fodas, dos álbuns "Scraps of a Being" e "ThirdWound" e das demos já citadas acima. A formação, até esse trabalho, que conta com Luiz Carlos Louzada (vokills), Fernando Nonath e Ricardo Lima (guitars), Juca Lopes (drums) e Diaz (bass).
É uma banda pesadíssima sem dúvida, mesmo passando por diversas formações, tendo o guitar Fernando Nonath como membro fixo em todas as gravações e mesmo gravando com a alternância de Luiz Carlos Lousada e Valdemar Novaes nos vocais em épocas distintas, a identidade da banda se mantém coesa e nos dando a impressão de uma obsessiva vontade de espancar nossas almas. Peso, muito peso!
                                                                        G. Burkhardt


















Não, não é aquele rapaz latino americano sem dinheiro no bolso e que por isso mesmo costuma desaparecer (mais do que está desaparecido na mídia) para fugir das suas dívidas. Belchior se trata do mais novo projeto do pernambucano Belchior DeMelo, a anos radicado no Brasil, e que sempre foi um músico muito atuante na cena pernambucana.Mesmo morando nos EUA o trabalho está sendo lançado primeiro aqui no Brasil. Vamos saber suas histórias, seus projetos e qual perspectiva ele nos traz com esse novíssimo trabalho!



A. Fale sobre e quais bandas você participou aqui no Brasil , antes de viajar para o exterior 

Belchior: No Brasil (especificamente em Recife) , fui baterista da INFECTED e da ELIZABETHAN WALPURGA, fui também um dos fundadores e guitarrista da DARKNESS EMPEROR. A INFECTED foi e ainda é bastante elogiada no underground, gravamos duas demos no inicio dos anos 90 que são consideradas por muitos como clássicos do Death Metal brasileiro. Com a ELIZABETHAN WALPURGA o processo foi um pouco diferente, pois tinhamos dois monstros nas guitarras (Breno e o Eric) e o nosso maior objetivo era o de não fazer uma musica pra guitarristas e sim para verdadeiros headbangers. Usamos todas as nossas influencias nesse processo e gravamos o CD- Demo "Desire" que assim como as demos da INFECTED, se tornaram clássicos do underground brasileiro. "Desire" foi a mais honesta mistura de nossas influencias do heavy metal anos 80 com a forca e energia do Black Metal.Na DARKNESS EMPEROR minha passagem foi rápida pois já estava tocando com duas bandas e precisei ser realista e deixar a vaga para alguém que pudesse se dedicar 100% a eles.



A.Você já compunha nessa época?


Belchior: Não, esta é a primeira vez que escrevo e gravo sozinho todas as musicas e letras, foi também minha estreia como produtor e todo o processo esta servindo como aprendizado a ser usado em meus futuros albuns. O melhor lance quando se grava tudo sozinho é a liberdade de expressão. Nao tenho que fazer nada pra agradar ninguem e não preciso aceitar o que não gosto.



A. Recentemente fizeram uma pesquisa no facebook perguntando qual a melhor banda de Metal em Pernambuco. Sua antiga banda, a Elizabethan Walpurga foi muito bem votada. Você ficou sabendo e o que você pensa sobre isso?. 


Belchior: Nao fiquei sabendo dessa votacão, embora, quase todos os dias recebo mensagens me perguntando sobre a banda (Elizabethan Walpurga), e confesso que fico muito feliz em saber que conseguimos marcar tantas pessoas com nossa musica.



A. A quantos anos você mora fora do brasil e como é a cena aí nos EUA? 


Belchior: Fazem exatamente 15 anos que estou nos Estados Unidos. Sobre a cena aqui, ela não existe ou pelo menos não é uma coisa real e viva como no Brasil. Aqui em Boston o Hardcore é o que rola mais forte. Existem muitas bandas de Metal porem sem união alguma. Já fui em muitos shows locais aqui com um publico de 10 pessoas. E não é por falta de grana, muitos shows são ate gratuitos só que o publico é fraco. Pra voce ter uma ideia muitas bandas que vão se apresentar no Brasil não tocam aqui sozinhas. Aqui elas tem que fazer as turnes acompanhadas de mais 2 ou 3 bandas de grande porte pra não dar prejuízo. Lojas de CDs especializadas em metal aqui só existe uma chamada Armaggedon, ainda assim é muito mais Hardcore que Metal. E no topo de tudo isso existem as modinhas, nesse momento a moda é tocar musica no estilo Black Sabbath então voce só vai fazer turne ou gravar se seguir essa linha, claro que nem tudo é assim, mais infelizmente a grande maioria (pelo menos aqui em Boston) funciona dessa forma.



A. Você formou ou participou de outras bandas no exterior? 



Belchior: Sim aqui nos EUA eu participei da FOREVER'S FALLEN GRACE, SKULL HAMMER, IRON HEAD, 80 PROOF, SECRET SOCIETY e atualmente estou tocando com o Kevin Curran (STEEL ASSASSIN) numa banda no estilo MOTORHEAD/SAXON mais ainda esta no inicio e não temos nada concreto gravado, apenas ensaios e ideias para futuras musicas. Um fato engraçado aconteceu comigo em 2002, trabalhava numa loja de carros como vendedor e fui abordado por um cabeludo querendo comprar um carro grande para usar em uma turne pelos Estados Unidos e Canada. No meio de nossa conversa descobri que a banda estava precisando de baterista e apos ter falado que já toquei Death Metal no Brasil marquei um teste naquele mesmo fim de semana. No sábado pela manha dirigi mais ou menos uma hora ate chegar no meu destino que seria uma cidade do estado de Rhode Island (estado vizinho a Massachusetts onde moro), chegando no meu destino desci no porão da casa e vi essa bateria monstruosa e um paredão de Marshalls foi naquele momento que senti que a banda era maior do que o que eu imaginava e finalmente perguntei como eles se chamavam ... VITAL REMAINS .... cara fiquei sem acreditar, tava na casa da mãe do Tony (Lazaro), eu ele e o Dave Suzuki prestes a iniciar o ensaio. Fiquei me sentindo confortável mesmo sabendo que não tocava por tanto tempo pois conhecia o album "Let Us Pray" muito bem e o som não era tão rápido. Me dei mal, eles botaram no cd player o album novo ainda sem a mixagem final .... uma porradaria de quebrar tudo que seria batizada "Dechristianize". Apos escutar o album inteiro fui sincero com eles e falei que eu seria uma perda de tempo pois precisaria de muito ensaio para voltar a minha forma, dai ficamos escutando o album e bebendo e tocando VENOM e CELTIC FROST. Esse foi o exato momento que me fez voltar a ensaiar e tocar, e reacendeu uma forca que estava perdida dentro de mim. Claro, eu não toquei com o VITAL REMAINS, porem , tive o prazer de ver o Dave Suzuki tocando batera (uma destruicão, por sinal ele que gravou a batera do album inteiro) e também o de tomar umas conversando com uma galera que eu cresci curtindo.



A. Os músicos e bangers americanos conhecem bem o Metal brasileiro, ou sempre morrem na mesma praia, Sepultura, Angra e Sarcofágo?


Belchior: Os músicos americanos que eu ja toquei não são muito ligados ao que ta rolando ao redor deles, eles conhecem bem o SEPULTURA e muitos sacam um pouco dos RATOS DE PORÃO pois eles fizeram algumas turnes aqui. O SARCOFAGO apenas uma meia dúzia de caras que já ouviram falar mais não conhecem a musica. Uma banda que eu encontrei um pequeno publico aqui foi a HEADHUNTER DC pois apareceram (Não sei como) um monte de copias do CD "God's Spreading Cancer" e muita gente que conheco pegou  esse CD aqui. O ANGRA pra te ser sincero eu não me relaciono com ninguém que eu saiba que curte a banda ou mesmo o estilo de musica que eles representam.



A. Ouvindo o cd, me parece que você lidou com vários climas, pois tem músicas completamente carregadas e alucinadas principalmente no vocal como em A Life With No Light The Olden Days e Beelzebuth e algumas mais introspectivas, apesar de conter áureas negras como Kingdom Of The Midnight Art. Que vários sentimentos você lidou para compor e executar sozinho esse material?

Belchior: Esse CD foi gravado durante o inverno de 2014 (para ser mais exato, entre o final de Dezembro e inicio de Fevereiro), cada musica tem um sentimento diferente e não me preocupei em soar como nenhuma outra banda, claro que eu tenho minhas influencias mais acredito que elas serviram pra formar o musico que sou hoje e nao procurei copiar o que ja foi feito pelos artistas que gosto. 




"A Life With No Light : The Olden Days" foi escrita em uma noite (musica e letra) e gravada durante uma tempestade de neve que comecou numa sexta-feira e durou ate fim do Sábado, a melancolia daquele momento misturados com o frio ajudaram a musicar a soar dessa maneira, tão insana e cheia de maldade.



"Kingdom Of The Midnight Arts" foi criada apos um sonho em que me vi como espectador em um ritual satanico e tentei traduzir esse sonho da maneira mais fiel possível. 



"Beelzebuth" eh uma musica da grande MYSTIFIER e eu escolhi esse cover por alguns motivos, queria tocar uma musica de uma banda do nordeste, queria tocar uma musica do MYSTIFIER pois sempre achei uma das maiores bandas do Brasil.(Aqui nos EUA e na Europa eles são respeitados como um grande banda underground, e com todo merecimento) e também fazer um cover que eu conseguisse moldar ao meu proprio estilo.



"A Life With No Light : Unholy Ghost" foi feita numa noite muito fria e silenciosa. Acabei ela muito tarde e como moro num apartamento precisei gravar os vocais no outro dia (finalizo uma musica de cada vez, assim sei que cada uma tem sua energia propria), também foi muito influenciada pelo frio e desolacão do inverno em uma fase muito estranha de descobrimento de minhas limitacões como musico e produtor.



"Enthroned By Hell's Fire" foi o começo do que eu chamo de "fase do ódio", escrevi essa musica usando todas as lembrancas negativas de ser criado em uma família religiosa. Gravei inicialmente no teclado e aos poucos fui construindo as partes das guitarras , bateria e por ultimo os vocais.




" ... Cold Winds Are Calling Me... " Exigiu muito de mim, não só como musico mais também como produtor. Foram gravadas 3 guitarras bases, outras 2 guitarras com arranjos e mais uma adicional limpa, 4 gravacões de vocais e o uso de um Hamond B3, e claro, baixo e bateria. Essa musica foi inspirada pelo BLACK SABBATH, MERCYFUL FATE , CIRITH UNGOL, DEEP PURPLE E URIAH HEEP.

As outras duas musicas no final são bonus de uma demo que gravei em 2007 "Orgy In The House Of Your God" e "I Despise Jesus Christ" , também são muito importantes pra mim, pois são as primeiras musicas da banda BELCHIOR, porem não traduzem o trabalho que estou desenvolvendo hoje.

Todas as musicas foram feitas sem limitacões de nenhuma forma, minha unica intencão nesse CD foi a de passar pra o publico que aprecia o som oculto underground um trabalho verdadeiro e livre de modismos.


A. Existe a possibilidade de você tocar esse material ao vivo?

Belchior: Não, o trabalho é muito pessoal e completamente voltado para o sentimento único de cada musica. Não faço musica com intuito de tocar ao vivo, pra ser sincero isso nunca passou pela minha cabeça e não tenho nenhum interesse em mudar isso. Minha preocupação maior é a de continuar a compor e gravar continuando assim a evolução de tudo que tenho planejado para minha banda.


A. Valeu cara, pela entrevista em primeira mão ao Acclamatur zine e deixe aqui as suas últimas considerações e contatos para quem quiser, aqui no Brasil, adquirir o material do Belchior, tanto o cd , quanto o merchandising.

Belchior:Queria agradecer a você Guga e Acclamatur pelo espaço, ajuda e confiança no meu trabalho e por tudo que você já fez e faz pelo nosso underground nordestino e brasileiro. Queria também agradecer ao Savio "Hellhammer" Diomedes, que sempre acreditou na minha musica do inicio ate hoje e foi a pessoa responsável para a realização desse álbum. Alcides Burn da The Burn Production, Hugo e Leo do Arena Metal PE e finalizando, Hail!!!!!!!! Para todos os meus irmãos de Recife, do Nordeste e do Brasil que nunca deixaram o verdadeiro metal negro morrer.

“... E no fogo se revelara a liberdade...”


Contatos com:
BELCHIOR
https://www.facebook.com/pages/Belchior-Official/872527722786592

Distribuição do CD no Brasil:
ORDO DRACONIAN BLACK LABEL
ordodraconianblacklabel@gmail.com
https://www.facebook.com/saviodiomedes.paivadiniz

Merchandising no Brasil:
https://www.facebook.com/TheBurnProductions





ACCLAMATUR é : Guga Burkhardt & Nina Burkhardt
Diagramação e Ilustração das capas, colunas Videre, União e Contos Mórbidos: Guga Burkhardt
Agradecemos à todas as pessoas que estão conosco todos esses anos, não é preciso citar nomes, elas presentem quem são.
Bandas nos procurem!!!!!!

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acclamatur@gmail.com








quinta-feira, 11 de junho de 2015

Quem merda você pensa que  é?

      Aqui no Brasil, quem merda você pensa que você é?Homofóbico, racista, puritano? Numa miscigenação muito maior do que em qualquer país do mundo, é impossível não sermos um pouco sem vergonhas pela nossa tendência caliente herdada dos latinos, é impossível não sermos um pouco ateus pelas contradições e até perturbações da miscelânea religiosa, é impossível levarmos carecas a sério em meio a favelas que se avolumam entre torres erguida como monumentos da elite, que no Brasil não é tão branca, como apregoas alguns que nem notam o tão elitistas que são. 
        Nas redes sociais se avolumam esse real puritanismo, não só religioso, mas de ideologia, uma elitização intelectual camuflada por uma simples digitação no Google. Reacionários camuflados de revolucionários, mas que pouco aceitam a opinião alheia e simplesmente deletam. Deletam porque é mais fácil a exclusão do que  o respeito. E aí careca, que merda você pensa que é?

                                                                     G. Burkhardt






ANTHARES – O CAOS DA RAZÃO - SP


       O bom e velho Thrash Metal cantado em português, o que nos traz ? Nostalgia de um tempo de muita gana, vontade de detonar tudo, misturado a uma inocência da certeza de que isso seria possível. E o resultado disso depois de 30 anos? Obras obrigatórias, de ícones do Metal brasileiro que não perderam a essência, o furor juvenil. O bom e velho Anthares de No Limite da Força     parece o mesmo, com exceção da produção excelente que deixou tudo na medida certa, a experiência  e a evolução clara dos dois únicos membros da formação original, Evandro Jr na batera (muita pancadaria) e Pardal Chinello – Baixo. Desde o começo com Sementes Perdidas e Ócio já se nota a banda afiada, agora na terceira faixa e não é que o bicho pega, a faixa homônima ao título, é que a raça  e o peso Thrash arregaçamde vez, muito foda !!! 
      Abram a roda e soquem o ar a maloqueirada de 80 tá viva ! No Poço Obscuro tem umas passagens muito empolgantes e Pesadelo Americano, puta que pariu n novo clássico do Thrash Metal brasileiro!!! Um detalhe também positivo são as letras bem escritas que não descambam para a mediocridade semi- analfabetas de algumas letras que só aumentam o pré-conceito de alguns que não gostam de metal cantado na nossa língua pátria. Atitude, experiência e bom gosto. Essa é a Razão do Caos, não tem outra , só o bom e velho Metal ainda pulsando nas veias! Nas nossa velhas veias !                Complementam de forma perfeita , o vocal muito irado de Diego Nogueira, digno de substituir velho e lendário Henrique Poço e mais Mauricio Amaral e Eduardo "Topperman" Scarellis – Guitarras muito fodas com belíssimos solos . Mais um clássico brasil !

                                                                              G. Burkhardt





ARKTUS – PENSAMENTOS - PE

      Novíssimo Thrash Metal saído de Hellcife, porém formada por veteranos da cena como Gustavo Coimbra e Gustavo Diniz que tiveram como última entidade assombrando as ruas da cidade, a banda Dominni. Por isso carregam tradição na velocidade e pressa alternando com momentos de palhetadas mais cadenciadas típicos do estilo. 
      A Dor da Perda abre o cd com palhetadas precisas e bateria com bumbos rapidíssimos de Clovis Queiroz assim como em Reflexo da Mente. A terceira, A Perseverança Trás a Conquista, vem com título e temática  muito propícios a quem faz música underground. Seguem com Pensamento, Sistema do Submundo, O Poder da Ignorância, Indecisão de Uma Vida Conturbada e O Conhecimento Gera o Desconhecido. As letras em português tratam muito de questões existenciais, pensamentos, como o título do trabalho entrega. 
      Confesso que estranho um pouco o vocal de Gustavo Coimbra que canta sempre num tom alto, mas pelo menos é agressivo e cospe muito bem o seu contexto lírico. Eu garanto que ao vivo (foi assim que ouvi a primeira vez a banda) o quarteto também é afiadíssimo. Quanto a parte gráfica, o encarte é simples apenas com as letras, sem nenhuma informação técnica, a não ser o nome dos integrantes e seus respectivos instrumento. 
         Thrash Metal com consciência e experiência. Não tem como dar errado.
                                                              
                                                               G. Burkhardt





KATAPHERO –  FROM DUST - RN

    Restringir o Kataphero a apenas um estilo de Metal é muito pouco. O clima sombrio nos leva ao Black/ Death Metal, mas a estranheza de elementos rítmicos e harmônicos nos joga praticamente a uma proposta progressiva, tamanha a viagem vertiginosa que a banda nos obriga. É o caso de Nomad, a primeira faixa, assim como Vanisher que tem um quê oriental no clima. Trauma deixa cair um pouco o clima do disco, mas Bleak & Seed retoma a criatividade. Ektasis retoma a estranheza no começo para descambar em riffs digamos mais “comuns”, mas nada é comum nesse disco como Rise, Bound e Fall. O disco soa quase como uma trilha sonora para a história conceitual sobre o último sobrevivente de uma tribo nômade extinta há 13 mil anos atrás. Hoje em dia é difícil ser original, é difícil ter idéias mais complexas e não parecer indulgente é difícil não soar chato e cansativo quando se coloca ricas texturas e incursões instrumentais e vocalizações inusitadas e ainda sem ficar maçante. Mas tudo isso o Kataphero consegue nesse trabalho envolvente e instigante. Como sempre me atenho também ao trabalho gráfico, a única restrição que tenho é com a capa que ficou muito pobre e simplória diante do conteúdo do trabalho, minimalista demais para a proposta musicalmente rica da banda. Natal mais uma vez nos brinda com Metal fudidamente de qualidade!

                                                           G. Burkhardt



MALKUTH – THE DANCE OF THE SATAN’S BITCH - PE

      É foda estar com essa obra na mão. Um clássico do Black metal nacional lançado em 1998 e finalmente relançado agora para o deleite dos apreciadores do Metal Negro feito de muita luta e tradição. Para quem não conhece com toda certeza vai se surpreender com o nível musical e conteúdo lírico desse disco lançado há quase 17 anos. Da abertura climática da Intro: The Dance of The Satan’s Bitch a segunda faixa cantada de forma fenomenal por Nightfall que saiu e entrou diversas vezes tendo se afastado recentemente mais uma vez e a banda já trabalha com Mantsgard vocal de outra lendária banda de Black Metal de Hellcife, Empire of Shadows.  Outro destaque é Além dos Jardins Nosferáticos, de arrepiar os dedilhados e o solo de lamento do inicio ao fim. Aí vem Poderoso Sangre de La Serpiente, instigante clima oriental com baixo marcante de Flammelian Azoth. E o agouro segue pela frente com momentos delirantes de excesso (no bom sentido) criativo. E termina com um órgão soturno e oração seriamente declamada por Daniela Nightfall, o nome não poderia ser mais adequada: Reverencia ao Bode (Outro). Sinceramente macabra pelo conteúdo lírico. Deixa a sensação que todo o processo de aproximação, evocação e contato ao Negro almejado no trabalho, foi conquistado. 
          Essa nova versão ainda vem com um bônus de Countness Bathory do Venom e uma nova e bela arte de capa. Orgulho. Muito orgulho desses sombrios Pernambucanos.
                                                                           
                                                                             G. Burkhardt




DIABOLICAL FUNERAL- A MORTE DOS SANTOS - SC

      Ríspido, extremamente maldoso Black Metal de Joinvile surgido em 2009. Esse ep foi gravado esse ano e possui 05 maléficas faixas com uma gravação bem equilibrada e instrumentos bem audíveis.    
         Horda formada por Mantus Razuno (Guitarra Solo), Lord Satã (Vocais), e Lord Abaddon (Guitarras Base) com o baterista convidado James Andresen. A parte lírica fica por conta de Mantus Razuno e é exatamente onde sinto uma dificuldade de encaixe em algumas composições como na faixa Funeral Diabólico, onde parece que algumas frases ficaram maiores do que o tempo da música e parece que o vocal se apressa para encaixá-la e isso só acentua em A Igreja de Satanás. Apesar deque a brutalidade das músicas conseguem amenizar isso. O conteúdo lírico é um caso a parte. É tanta heresia e tão direta ao ponto, que em alguns momentos sinto falta de um pouco de poesia, mesmo negra e torno a refletir como é difícil compor e cantar em português. Mas o Diabolical Funeral tem muita lenha pra queimar, principalmente cristã, por isso já ta lançando seu full-leght gravado de forma independente e lançado pela Impaled Records, chamado “Queime a Igreja”, ou seja, a blasfêmia sem restrições continua. 
        Black Metal na sua maldade mais pura.

                                                                         G. Burkhardt



SEEDS OF DESTINY- SEEDS OF DESTINY - PE

        É bom ver uma banda com a maturidade e a responsabilidade de entender que se vai lançar um trabalho, onde o estilo tratado já foi criado, recriado, visitado e revisitado, onde praticamente é impossível lançar algo diferente do que já se vem fazendo desde os surgimento de bandas como Anathema, Theater of Tragedy, Tristania... o trabalho e a criatividade tem que ser dobrados . Mas o Seeds Of Destiny consegue muito, consegue principalmente emocionar, o que é primordial para esse estilo, traz a beleza e competência para criar aquele clima dos grandes nomes do Gótico mundial. Bela voz e timbre agradável, diferente de dezenas de vocalistas que andam surgindo por aí, de Amanda Lins com contra-ponto perfeito de  William Lira nos vocais cavernosos. 
       Uma Intro e mais 05 faixas, Endless Waiting, Wrong Chice, Seeds Of Destiny, Tragedy Of Winter e The Last Journey. Perfeito para um bom vinho, uma noite nebulosa, papos vampíricos e aquela sensação de que deveríamos nos extinguir. 
          Sinceramente , é de uma beleza monstra !!!
                                                
                                                               G. Burkhardt                                                     




CAMUS - HEAVY METAL MACHINE - PE

       Em meio a tanta segregação,  com gente até discutindo se diante de tantos estilos no Metal, o mesmo deixou de ser Rock. Absurdo! Como também em meio aos Thrash, Death, Black.... Quando se tenta colocar uma banda como o Camus em um estilo se cai também quase no mesmo erro da história do Rock citada acima e se diz que é Heavy Metal o que eles tocam, como se todos não tivessem suas raízes no Heavy. Por isso prefiro o termo Metal Tradicional. É nesse contexto que a Camus se apresenta com seu EP lançado pela Black Legion, com Rise of New World, um metalzão direto no ponto, Dreams and Shadows mantém a fidelidade às raízes, assim como a música título do ep. The Loser vem com uma pegada mais Thrash e fecham de forma estilosa com False Convictions
        A banda é um Power trio com Thiago Souza no baixo e com um vocal simples mais muito seguro, Jones Johnson nas guitarra e Marcelo Dias bateria.
      Enfim Heavy Metal na sua essência sem muitas firulas e um extremo bom gosto nas composições.

                                                          G. Burkhardt











A coluna Scripturas, que trata de letras de música, obras literárias, esse mês está bastante focada nos zines, defendendo a minha praia, acho que é a expressão litarária mais autentica do underground. seja quadrinhos, músicas , cinema. É a resistência e a expressão mais sincera de quem edita.



MASMORRA  Dungeon Synth Zine

     Novíssimo zine de Londrina, lançado esse ano pelo multi-artista Rômulo Machado. Portanto o zine tem um apelo visual muito bom a partir da capa com um belíssimo desenho em bico de pena feito pelo autor, uma diagramação belíssima, leve, enfim, visualmente muito foda. 
     O conteúdo , como o subtítulo entrega, é especializado em Dungeon Synth, aquele estilo musical, que começou lá pelos anos 90 com algumas bandas Black Metal fazendo incursões aos teclados e sons ambientes, em vinhetas e até faixas completas, onde o intuito da música é criar imagens com sons mais contemplativos onde o instrumento mor é o teclado. Como é um estilo ainda pouco apreciado aqui, a opção pelo inglês, segundo o autor, foi o caminho mais lógico para adentrar principalmente na Europa, onde o estilo é mais vivenciado. O material ainda vem com um cd com coletânea de várias bandas e artistas do estilo, inclusive sua banda Iamí , já resenhada no blog do Acclamatur e no zine impresso, que apresenta momentos tanto de um Pagan/Black Metal mais ríspido quanto faixas mais Dungeon Synth, como é o caso de Orvalho do Crepúsculo.São 26 páginas no formato A5 (meio ofício) com muita qualidade de impressão e ainda acompanhado por um pôster com o desenho da capa.

                                                              

                                                G. Burkhardt





 SEPULCHRAL VOICE ZINE


      Nascido em 2007 o Sepulchral Voice zine sem dúvidas é um dos melhores zines feitos no Brasil. O seu criador é o André Chaves e nos trás muitas entrevistas com bandas brasileiras, mas também com bandas de origem latina, como Disgrace Anda Terror, Coldblood, Sodomize, Morfolk, Vulcano, Deformity (Costa Rica).  
      Esse exemplar que tenho em mãos é especificamente o nº 06 com capa do artista Marcio Blasphemator, com uma ilustração bem mórbida e também uma diagramação bem limpa e impresso em 36 fudidas páginas. 
     Além das entrevistas é claro que tem as resenhas e retornando nesse número para ficar, segundo o editor, à coluna “Na Estante”, que comenta filmes de ficção e terror.

                                                
                                        G. Burkhardt





OLD GRINDERED DAYS

      Nº 02- Março/Abril de 2015 do mini- zine (no formato 15X10cm) de Petrolina, abordando o que mais existe da cena Grind, Splater, Punk, Noise. Ou seja: pura podridão. 
      O seu editor/criador é Glésio Torres baterista da Shitfun, um cara muito ativo na cena, com lançamentos do que mais underground a cena realmente subterrânea possui, através de 7splits, coletâneas, full-lenghts, etc.. No zine  inclusive tem uma matéria contando as aventuras de sua banda numa turnê em São Paulo no ano passado. 
      Resenhas de bandas, comentários de filmes, que garanto não serem de drama ou romance, em 32 páginas, onde em algumas delas o fundo preto e as letras minúsculas em branco é um verdadeiro teste oftalmológico. Mas sempre acho dukaralho ter em mãos um zine com uma autencidade dessas.


                                                G. Burkhardt










A história da banda paraibana Necropolis esta intimamente relacionada com o Acclamatur zine. Surgida na mesma época, fazendo exatamente um tipo de som mais agressivo e que  o zine tanto propagava em meados de 80, esteve também nas páginas inicias do zine e para nossa grande satisfação, quase 30 anos depois, retorna com o lançamento de um novo trabalho no formato EP, o “The Evil Never Dies”, mostrando que a banda tá muito viva e com novo gás para queimar muitas almas podres.


No inicio, em 1987 - Foto: Guga Burkhardt


- Fale um pouco da história, do inicio e formação da banda.

 Vladimir: A banda começou meio como coisa de menino... meio brincadeira. Dai a situação foi mudando. Fomos aprendendo mais sobre a cultura Rock Pesado. influencias ..como tocar..escutar os sons prestando atenção como o cara faz...o cara na verdade seriam nossos ídolos do metal...eu particularmente me inspirava em Lemmy Steve Harris Cliff Burton e Geezer Butler.



-Vocês tem contato com os antigos membros e nenhum se interessou pela volta da banda?

Óliver - Tenho contato com Sidcley e Tárcio (ex-bateristas) muito esporadicamente. Tárcio vive nos EUA, e Sidcley, pelo que me consta, trabalha com equipamentos para baterias. O Sidney, ex-guitarrista, sempre vejo, e é um camarada meu.
Em João Pessoa, 1987. foto: Guga Burkhardt

Pela volta, ela foi formatada por mim e Vladimir. O Sidney trabalha no fisco estadual, e ficou meio sem tempo de tocar de novo, mas seria muito bem-vindo novamente. Os demais, estão, como falei, mais afastados



- Havia um projeto gráfico para o cd com uma HQ como encarte, qual o conteúdo dessa HQ e como está esse projeto?

Óliver- Este projeto está vivo e forte. Só que ele sairá no full-lenght, que deverá ser lançado até o final de 2016. A revista deverá vir encartada junto ao cd, e conta a história, em desenho animado, de toda a trajetória do Necropolis, desde os primórdios, ainda em 1984, até a gravação do citado CD.


-. Uma pergunta aos membros mais novos da banda, principalmente Ricardo que é de uma geração mais nova: vocês já conheciam a história e a importância do Necropolis para o Metal Nordestino?


Pablo Ramirez: Eu conhecia algumas histórias do Necropolis, pois eu comecei a curtir a música underground em meados de 86/87, então já ouvia falar nas bandas locais e de cidades vizinhas por meio de zines e de depoimentos de amigos que já conheciam, mas não cheguei a vê-los ao vivo, apesar de terem tocado por duas vezes em Campina Grande, cidade onde eu nasci e passei boa parte da adolescência. Quando fui morar em João Pessoa e integrava o Medicine Death , em certa feita fizemos uma versão de Necrovomit para um show que íamos fazer em Fortaleza ...

Ricardo- Embora sempre tenha me interessado por metal no geral, foi com minha entrada na banda que eu fui introduzido à ''cena'' nordestina; então não, eu não conhecia, mas aprendi muito de lá pra cá.



- Na visão de vocês o que mudou em relação aos shows nos anos iniciais da banda e agora?

Pablo Ramirez: Não fiz shows com o Necropolis no começo, mas fiz com outras bandas que toquei ao longo dos anos como: Trashwar (que depois virou “Ultra Violent”.), Diarrhea, Interitus, Medicine Death, Scare, Nephastus... e até o próprio Stomachal Corrosion que fiz parte da gênese com Charlie Curcio... o que mais mudou nos shows daquela época com os de hoje é que antes não tínhamos equipamentos adequados e o público era mais caloroso, se entregava mais, curtíamos como loucos, talvez por que como as coisas eram mais difíceis, se comemorava mais quando se conseguia algo, hoje nós temos bons equipamentos (estão mais acessíveis), mas o público ficou meio morgado, a galera é paradona, observa muito mais do que interage.

Vladimir: Cara agora muitas coisas ficaram mais fáceis. isso é óbvio. Por exemplo.. aprendizado do seu instrumento...no you tube tem todo tipo de aula..e em algumas cidades tb vc pode fazer aulas presenciais....a compra de equipamentos melhores . Está tudo mais fácil tb...e principalmente poder ver os caras que conhecemos somente ouvindo. Como o ep Sentence of Death ..do Destruction....ai o cara vai ai em Recife e vê...isso é sensacional...vc poder assistir Mad Butcher ao vivo? Cara não tem preço...


Em 2015 com participação de Charlie Curcio
-E de quem foi a idéia e porque gravar um cover da Stomachal Corrosion e porque escolheram essa banda?


Óliver - Na realidade, o Charlie (guitarrista do Stomachal Corrosion) nos chamou para gravar uma faixa para um tributo a eles, que deverá ser lançado em breve. Embora eles toquem grind, o que foge um pouco à nossa linha musical, o próprio Charlie escolheu uma faixa que, sendo executada por nós, poderia cair bem e, em nossa opinião, foi o que aconteceu.


- Pablo Ramires, o atual baterista, também é percussionista, tendo, digamos assim, um conhecimento e vivencia de outros ritmos percussivos fora do Metal, o que vocês acham que isso pode contribuir e até enriquecer o som da banda?

Ricardo- Acho que a musicalidade rica de Pablo se manifesta no som da banda independente dos meios disponibilizados para isso. Claro, não seria algo ruim de repente gravar alguma música com outros instrumentos percussivos, mas não vejo uma necessidade para o tal, e não acho que parte da musicalidade dele vai estar sendo ''desperdiçada'' se não o fizermos.

Pablo Ramires: até acho que pode enriquecer sim...mas não usamos esse recurso ainda e não sei se usaremos...acho que se rolar vai ser uma coisa que vai surgir naturalmente no som do Necropolis e não algo do tipo "Ah!!! vc toca percussão...então vamos botar umas percussões aqui..." ,o som da banda ainda tá muito focado nas suas velhas influências,o que acho muito bom,por que curto pra caralho ,e aceitei o convite dos caras justamente pra fazer um som bruto e sujo, como também pela honra de poder contribuir com a história dessa banda que faz parte da história do metal paraibano e nordestino.Eu vinha há uns 20 anos sem tocar Metal e estou achando ducaralho tocar esse Metal Cru (muito focado em bandas de Speed,Thrash e Death Metal oitentista),sem muita interferência de outros estilos...apesar de gostar de várias bandas que fazem ou fizeram essa simbiose musical como: Naked City,Atari Teenage Riot,Static X,Cangaço,Septic Flesh,Soulfly...etc.Atualmente tive uma experiência nesse sentido com meus amigos do Dissidium, que está prestes a lançar o seu segundo Full-length.Me convidaram pra criar uma intro percussiva para uma das faixas do disco,e o resultado ficou fantástico,gravem esse nome "Augúrio" é o título do segundo disco do Dissidium...

- Como está sendo a distribuição do cd e como e onde encontra-lo?

ÓliverO CD será vendido na nossa página do facebook, na página da Óliver Discos, na minha página física também, bem como estaremos mandando e distribuindo para vários estados do Brasil. Quem não encontrar, pode entrar em contato conosco que enviaremos. Também será vendido em todos os nossos shows.

 















DISTÜRBIA CLADIS- DISFORIA


     Aquele ruído que só o Crust consegue imprimir a uma intencional (ou não) dose de analfabetismo musical, muita fúria, sujeira e simplicidade, porque foi na simplicidade que a rebeldia do rock nasceu. 











      








            E isso muita gente já esqueceu. Portanto quando em me pego pensando e me vendo no meio de uma roda violentíssima eu tenho certeza que esse é o som perfeito. O Distürbia Cladis foi formada nos idos de 2010 em São Paulo com a mesma intenção de bandas nesse estilo de seguir os mestres Punks, Black Metals, Motorheads e afins. Lançaram um split 7 com o Fear of the Future em 2012 e agora finalmente lançam o ep Disforia. São 6 faixas do mais puro ataque aos nossos ouvidos munidos de letras muito fodas e felizmente em português. 
         A banda foi formada por Leonardo Cunha (B/V) e Karine Campanille (G/V) e depois de algumas tentativas com outras bateristas , o posto se fixou com Orlando Guarnier. E apesar da pegada muito mais punk, a banda deixa claro nos seu release que suas influências são as mesmas de quem já ouvia Metal em 80: de VoiVod , DrillerKiller, Darkthrone, Celtic Frost, Anvil, Judas Priest a Wolfpack. E  tudo isso só imprime qualidade ao som, mesmo que tudo o que você quer na vida é vomitar um monte de podreira na cara da sociedade.
           Crust é foda meu rapá !


                                                      G. Burkhardt






“Abrimos esse espaço pelo valor histórico de certas gravações. Falaremos tanto das bandas novas, quanto das velhas conhecidas, pois nos sentimos atraídos pela autencidade que sempre marcou o som UNDERGROUND.”

Assim estava escrito no Acclamatur de 1986 e é assim que vamos conduzir o Subterraneus aqui no blog. Vamos considerar tanto as gravações boas quanto as gravações mais toscas ou mais simples de bandas que por preocupação em registrar historicamente seu trabalho, ou por falta de experiência, ou por morarem longe de grandes centros, sem acessibilidade a bons equipamentos, fazem o possível para registrarem o seu som com um único sentimento: FÚRIA! E FÚRIA é o que mais importa. Portanto, promos, lives, demos antigas, fúrias esquecidas no tempo e que valem serem resgatadas para mostrar autencidade e sinceridade ao Metal estarão aqui para os arqueólogos vasculhem nos registros arkashicos.




 MARTYRDOM – SUBTERRÂNEO CULTO ÀS TREVAS – DEMO AO VIVO-BA


         Em meados de 80 havia um prazer inarrável quando agente conseguia uma gravação pirata ao vivo,e até mesmo muito tosca de uma banda que éramos fãs. Lembro bem quando conseguimos um tape ao vivo do Sepultura na época do Bestial Devastation. Essa mágica parece que se perdeu no tempo, em meio aos escombros deixados pelas facilidades do youtube e acesso fácil a homes studios, onde a exigência de uma boa gravação tirou o brilho da surpresa e também um pouco da espontaneidade de muitos músicos.               

     Felizmente essa energia mágica que só se consegue ao vivo, vem perpetuada na proposta do Martyrdom de lançar esse registro cru e por isso muito real das suas blasfêmias ao vivo executadas no ano de 2013 em Cícero Dantas- BA. São 07 faixas dizimando tudo que se convencionou chamar de boa música. 
           Energia Real, negra do mais autentico Black Metal. Apenas uma grande dose de escuridão no mais autentico subterrâneo de onde músicas que tratam do submundo e infra mundo de forma sincera.Da pra sacar, mesmo com a gravação meio abafada e oscilando um pouco, que a banda tem composições muito climáticas como “A Verdadeira Inquisição” e “Apenas a Escuridão” com começo totalmente Doom. 
             O inusitado também vem na embalagem da demo, no formato de dvd e com capa totalmente preta, porém com um encarte com release e uma imagem na parte interna. Portanto, uma proposta totalmente subterrânea para aqueles que entendem historicamente um registro como esse. O Martyrdom é de Feira de Santana-Ba e conta nessa gravação com Amraking (Voz e teclados), A. Britto (guitars), Tarcísio (baixo) e Vurmun (tambores).  Subterrâneo sem dúvida!


                                                          G. Burkhardt