segunda-feira, 30 de junho de 2014

                                          O MUNDO

          O feio, o mal, o podre. A estética que estávamos criando na década de 80, quando o Heavy Metal reascendeu com força, era a da contravenção do anti-sistema e o que valia era assustar.            
         Mas, ao mesmo tempo queríamos ser compreendidos, não ser ridicularizados diante de meios de comunicação como a rede globo, queríamos no fundo ser aceitos pela sociedade mantendo nossa identidade. Os anos se passaram e o mercado nos absorveu. 
       O culto à morte que tanto pregávamos e usávamos nas camisas, nos anéis, hoje virou artigo de butique. Caveiras viraram moda. 
    Em grandes magazines como a Renner, Riachuelo, encontramos camisas do Kiss, Guns e pasmem: Black Sabbath.           O que aconteceu com nosso mundo do mal? Continua o mesmo, só que o mundo sempre foi mais do mal do que do bem. Apenas antecipamos essa sensação com nossa trilha sonora mais apropriada. 
      Agora é correr para nossos porões, para  nossos subterrâneos para arquitetar uma volta. De alguma forma mais feia, mais deformada. Não há mal nenhum nisso. O mundo é um demônio crucificado numa cruz invertida.

                                                                   G. Burkhardt




HANTED – METAL 13 – PAULO AFONSO – BA

      O Hanted está naquele patamar de bandas que passam por várias vertentes do som pesado, mais ainda assim soa muito mais Thrash. Muito peso, numa produção muito boa de Laíldson A. de Oliveira e co-produzido pela banda e totalmente gravado em Paulo Afonso. O que deixa o som mais original é o uso do teclado por CleytonCloves. Um teclado sem devaneios e inserido mais como um instrumento “climático” no meio de um peso absurdo, sem fazer soar como gótica ou sinfônica, muito pelo contrario, a agressividade e a raiva imperam. Poderia dizer que o som que a Hanted faz é moderno, antenado com o novo, porém sem afrescalhar ou ensaiar  pulinhos. Na verdade é até simples e direto, mas com notas agregadas com a sabedoria de quem sabe criar impacto numa composição.Raça é o que mais tem no som. O vocal irado de Jurandi Roque aumenta a violência do som. Grandes guitarras de Carlos Alberto “Dinda” e Deiveson Carlos com o baixo de Kilber Ryan aumentando a pressão. Bateria matadora de Calmon Herbert capitada com uma sonoridade excelente.São dez faixas contando com uma insana introdução. Cada uma com seu vigor e um agradável gosto pela brutalidade refinada.

                                                                            G. Burkhardt



INCINERADOR – ENTERRADO VIVO – RO

      Não é um lançamento novo,foi gravada em 2011 e infelizmente nunca lançada oficialmente e sim como promo.Tem nada mais nada menos que 10 sons de um fudido e instigante Death Metal. O Incinerador , que existe desde 2004,começando como quinteto, depois virando um quarteto gravando uma demo “Exterminando os Ciclos da Hipocrisia” em 2007 (distribuída pela Anaits Records), a banda se estabilizou como trio formado por Marconi Oliveira  (baixo), Domingos Prestes (Vocal e Guitarra) e Iagê Donato (bateria) integrantes originais.
     Começando com um Intro (fogo, Morte e Destruição) tendo uma levada marcial antecipando a fantástica Guerra Suja, um Death com várias mudanças de andamento, característica de todo o trabalho, mostrando que o Incinerador não está preocupado apenas em ser brutal, mas em ser levado a sério na sua musicalidade. De Vítimas do Terror à quarta faixa, Enterrado Vivo, que dá título ao cd, percebe-se logo que  a criatividade é a tônica que permeia todo o trabalho e também é destaque a levada que deve criar muita fúria nos shows ! Pilhas de Corpos, Designado Para Matar, Decapitado, a “singela’ instrumental acústica, Outro, apenas ao violão e som de chuva e trovoadas, avançando para Invisíveis Forças do Mal que deveria ser a última do cd, mas ainda tem a faixa bônus Vomitando Vermes Vivos, que tem uma queda na qualidade da gravação, apesar de ter sido gravada no mesmo estúdio (em datas diferentes) , no LineRec Estúdio.  
          O cd vem na forma de envelope e com um encarte em xerox das letras que seguem uma linha bem Death Metal explorando o lado negro da vida sem cair nas redes perigosas do ocultismo desaculturado.

Muito foda !

                                                              G. Burkhardt




NERVOSA – VICTIM OF YOURSELF – SP

      É impossível falar apenas de música quando certas bandas iniciam sua carreira em meio a polêmicas. A Nervosa começou quase numa avalanche de crítica depois de um vídeo vinculado no youtube, onde a banda detonava (no mal sentido) Black Magic do Slayer. É claro que a supervalorização do caso foi mais pelo fato de ser uma banda de Thrash Metal formada por mulheres, aumentada pela explosão da Nervosa na mídia e o furor peniano que fez com que elas fossem ejaculadas para o hall da fama como poucas bandas no Brasil conseguem. Isso feriu um pouco o orgulho dos cabras machos grandes guerreiro Manowarianos com suas espadas ameaçadas e amolecidas por um bando de guerreirinhas não merecedoras de seguir a linhagem musical do mestre Slayer.
             Possivelmente, (se nós homens nos conhecemos),elas ainda serão muito perseguidas, mesmo depois de nos dar uma resposta à altura com esse primeiro trabalho, na forma que só as mulheres quando estão muito putas conseguem: raiva, atitude e muita competência.
                    O cuidado com o trabalho foi geral. Arte de capa belíssima feita pelo grande artista Andrei Bouzikov, peso e timbragem dos instrumentos perfeitos. Ou seja: produção impecável. Mas se tudo isso estivesse acompanhando de composições insossas e nada inspiradoras de nada adiantaria. O Thrash praticado nesse discaço é de uma criatividade e variedade tremenda. Não cairam na armadilha de soar muito oldschool (coisa difícil na fórmula tão amarrada que é a do Thrash Metal). Soou empolgante e moderno, mais ainda assim insanamente Thrash como o Thrash tem que ser.
            A violência também tem a culpabilidade do affair de Fernanda Lira, Amilcar Christófago (Torture Squad) que gravou toda a bateria, cargo agora assumido por Pitch Ferraz, que já tem suas fotos inseridas no encarte do cd. Os vocais de Fernanda são plenamente influenciados por Schimier do Destruction. As guitarras de Prika Amaral são fortes e precisas com alguns solos de muito bom gosto, eliminando a dúvida apoiada no fatídico vídeo citado no inicio dessa resenha, onde a guitarra foi um dos culpados pelo fiasco do cover. Mas está totalmente redimida as seis cordas da guerreira, até porque ao assisti-las em 2012, ao vivo, já havia recuperado  a confiança no poder de fogo nervoso da Nervosa.
      Vai ser engraçado ainda ver caras que amam trabalhos de bandas como Bywar ou Executer, largando a lenha nesse trabalho que está estilisticamente no mesmo nível das últimas obras dessas duas grandes bandas do Thrash nacional (poderia citar dezenas aqui).
        Infelizmente, ainda no nosso meio tão reacionário, elas poderão ainda ter o que provar (não para mim) que estão aqui, não pra acompanhar seus hominhos, mas para acompanhar e contribuir para o respeito ao Metal que se faz no Brasil.
     Depois de longos anos de Metal for man, como é bom ver lindas, furiosas e competentes mulheres se matando com fúria e sede de palco, ou vocês não estão cansados de ficarem se acotovelando pra ver guitarristas suados?
                                                                            G.Burkhardt 



MORTE LENTA –MARCHAS DO PODER – RO


      Qual vertente de Metal nomeia a banda a partir de uma música, uma porradaria que fala de uma noitada de muita bebida que culmina num sanduíche gorduroso  que provoca uma Morte Lenta e ainda assim a sensação de violência e revolução ainda pode ser levada a sério? Resposta óbvia: THRASH METAL ! E que thrash metal empolgante faz essa banda de Rondônia. Mostrando que o ódio e a violência que emana das nossas brutais bandas, não tem limites geográficos de norte a sul,  sudeste , nordeste, centro-oeste.         Em todos os lugares estão pegando fogo as guitarras, baixos , baterias e gargantas. A gravação está perfeita, som totalmente profissional, destacando o peso necessário para o estilo. O vocal de Hiena é aquele esganiçado-desesperado do estilo, bateria de Gilson precisa, baixão de Nerd e guitarras perfeitas de Tiago e Kenny. E as guitars realmente se destacam com solos belíssimos em meio a porradaria. Talvez pela influência do início de carreira em 2010, quando a banda tocava covers de Iron Maiden e Judas Priest, grandes escolas de guitarristas. 
          A demo contém 03 músicas felizmente cantadas em português, Marchas do Poder, Mente Insana e a maníaca  Morte Lenta. Foda! Apenas isso.

                                                                  G. Burkhardt





SORTILEGIO –O EXILADO – PORTO VELHO-RO

      Rondônia aparece aqui mais uma vez, agora com um perfeito Black Metal. Apesar do cd ter sido lançado em 2009, só parou agora na minha mão graças ao baixista Marco Oliveira do Incinarator. E como já havia explicado no blog, não existe mais material velho ou desatualizado, pois a produção brasileira se tornou enorme e muitas bandas não conseguem divulgar os trabalhos em tempo hábil. Então porque enterrar uma obra dessas? Primeiro ponto positivo: As letras são bem escritas e fica fácil de cantar com a dicção perfeita de Camarão Rotten. Segundo ponto positivo: Som muito criativo com composições com muita propriedade. São sete blasfêmias bem gravadas e muito bem executadas. Espiritos Opressores, Cruz em Chamas, Rainha dos Condenados, O Exilado, Meros Mortais, Escuridão sem Fim e Dominador. Complementam a formação Andrison Eternal no baixo, Sérgio Watanabe na guitarra, Alberto Warrior na batera e Ester nos teclados.

                                                                       G. Burkhardt




PLAGUE INSIDE – THE PLAGUE ONE – PE 

      No meio de tantos lançamentos, onde tudo que se podia extrair de um estilo como o Death Metal já foi intensamente explorado, o que as bandas de hoje em dia podem fazer para não se arriscar a lançar um trabalho morno e sem atrativos? Acho que é nos detalhes que está o segredo para quebrar o gelo. Em meio a boas composições a banda de hellcife introduz desde gravações de discursos Hitleriano, vozes em oratória e introduções bem sacadas como no começo de The Eyes Will SeeRed, com um tecladinho vintage acompanhado do baixo “desandando” num riff esplendidamente negro e atacados por berros. Vemos também diferença nos efeitos de guitarras meio viajantes em Evilized, e ainda no pesadíssimo baixo com efeito no final de Deathfeeds The Soul que de tão estranhos como arranjos para o estilo, dão um molho a mais nessa obra. 
          Nada descamba pra velocidade extrema. Esse é o Death Metal que particurlamente eu gosto, onde a intensidade dos climas se sobresai à rapidez para simular brutalidade. Esse trabalho comentado ainda é uma promo, o ofícial está para sair, então  só nos resta esperar. A banda responde como trio: J.M.Insane (vocal e Guitarras), Danilo Pavel (bateria) e Natan Nigro(baixo). Espero que essa não seja a única praga lançada por essa entidade.

                                                                                 G. Burkhardt



SYMPHONY DRACONIS – SUPREME ART OF RENUNTIATION – RS

      O que gosto no Black Metal é que muitas bandas mantém aquela pegada, aqueles momentos de total Heavy Metal. Ou seja: em meio a tanta maldade, o Black Metal é muito tradicional nas suas posições e filosofias. E isso é bom, porque mantém a estirpe, mantém a hereditariedade que muitas vertentes perdem e até renegam.
      Esse trabalho está entre os cinco melhores de 2013, e não é à toa que tem recebido críticas entusiasmadas. É daqueles discos que se houve todo dia, que arrepia com a perfeita mistura de densidade, criatividade, climas sombrios e melodias de metal tradicional que só acrescenta mais beleza à obra. Transcedending The Ways Of Slaves abre o cd com um riff totalmente tradicional, um baixo marcante e uma melodia fantasticamente maldosa com a ajuda do grande vocal de Nechard. Eris Aeon mantém a mesma áurea sempre alternando cadencia com bumbos rapidíssimos de Helles Vogel.  A terceira, Demoniac By Divine Power entra com uma pancada no peito onde a sonoridade fudidissíma do baixo de Follmer nos prepara para sermos arremeçados a outra áurea de metal tradicionalíssimo com um dedilhado altamente viajante no meio da música.  A próxima é a música título, porque não dizer perfeito, com as guitarras de Thiernox e Aym finalizando a música de forma arrepiante. A quinta maldade é talvez a mais porrada de todas Ain Sophir Aur que não deixa pedra sobre pedra, com a repetição do título em coro aumentando a carga dramática da canção.
The Visions and Mystheries of The Great Ones também nos caceteia e depois nos transfere para décadas passadas com seus riffs cavalgados. Itzpapalotl vem carregado de sombras e opressão, como se realmente a bruxa/deusa asteca estivesse descendo suas asas sobre nossas cabeças. Crushing The Concepts tem cavalgadas quase Iron Maiden, confirmando a natureza de absorção da Symphony Draconis de várias vertentes afunilando numa combinação incrivelmente harmônica de música do obscuro. Por isso no final com Seeds of Evil ,eles terminam de forma visceral e surpreendente (principalmente quando entra os violões), para que não restem dúvidas onde querem chegar: ao lado negro do nosso coração e iluminá-lo com a luz trazida do Dragão em Sinfonia.

                                                                 G. Burkhardt




HATE EMBRACE- SERTÃO SAGA-PE


    Sertão Saga é um trabalho conceitual sobre a saga de lampião. Sendo do nordeste-PE, a banda tem total credibilidade para conduzir essa temática. Embora ao saber do projeto, alguns chegaram a cogitar que a banda iria apenas repetir o que o consagrado trio Cangaço, já fez, a proposta do Hate Embrace é outra e de muita personalidade. Carregado de uma roupagem extremamente Death, a brutalidade impera e os resquícios e influências nordestinas entram como coadjuvante e nunca como atores principais. Existem 03 partes (Atos) narradas pela pesquisadora Wanessa Campos, que carrega no nosso sotaque e a participação de Silvério Pessoa na faixa Utopia trás uma maior dose de nordestinidade, mas nem de perto flertando com world music ou algo parecido. Inclusive Utopia arrepia e até ganha roupagens melódicas fantásticas, dividindo o vocal com Adriano Forte, vocal da banda Recifense Lethal Rising. Todo a parte lírica no disco se encaixa muito bem com George Queiroz estreando como vocalista na banda. A prova que a brutalidade encaixa em qualquer idioma é como a historia ganha mais credibilidade cantada em português. Os teclados estão mais discretos, provavelmente para não prejudicar a rispidez que o tema merece. A carga dramática que a banda conseguiu carregar em todo o cd ficou foda. Uma verdadeira opera da obscuridade que começa com pesadas palavras narradas, descamba para um hino chamado Vidas Passadas, um deathão em Intolerância, a bélica Revolta, e por todo o tempo quase claustrofóbico o peso impera, culminando com uma peça bônus chamada “Sertão Dual”, composição e interpretação feita exclusivamente para esse disco, do grande violinista, também pernambucano, Sérgio Ferraz. De uma melancolia e tristeza que contrasta tanto e ao mesmo tempo encerra o disco com a tragicidade que a historia necessita. A produção ficou perfeita e vale destacar a parte gráfica com desenhos a cargo do grande batera Ricardo Necrogod e a tecladista Tamyris Daksha com exceção do desenho dos membros da banda, que ainda conta com Alexandre Cunha no baixo e João Paulo nas guitarras. Depois de passear pelos desertos egípcios do primeiro trabalho “Domination.Occult.Art”, o Hate Embrace continuou sua saga criativa na aridez de desertos nordestinos e espero que essa obsessão por paisagens quentes os aproxime cada vez mais do inferno porque é com certeza do inferno que saem os melhores Death Metals.

                                                                             G. Burkhardt









PRÖJJETO MACABRÖ – RUPTURA – PE

         Segunda vez que o Punk do Pröjjeto Macabrö aparece aqui no blog do Acclamatur. E mais uma vez repito: não esperem limpeza, complexidade ou masturbação musical.
        É hardcore na mais pura essência.  A banda continua formada pelos irados Adriano Onairda e Vando Sujeira. O cd tem menos de 30 minutos com aquele hardcore duro, gravado totalmente ao vivo para ser “autêntico, mais cru e direto” segundo a própria banda. E acho que conseguiram. São 18 mísseis que por um erro de prensagem começa com a terceira faixa “Gritos dos Desesperados” e após a que seria a 18º, Pilantras e Covardes, vem a, Mortos Vivos e Show de Horrores. Nomeadas na contra- capa como 2ª e 3ª. Ufa, entenderam? Não precisa, aumentem o volume e compreenda a proposta da “anti-arte”, da opção de não estar na mídia, nem no mercado e fazer o que bem entender. Os tempos são outros e agora estamos em dias de liberdade, porque as gravadoras afundaram e a independência que tanto lutamos vai provar a veracidade de cada um.
                                                            
                                                                   G. Burkhardt






Em 1986 um som me chamou muito a atenção. Era uma porrada sonora que seguia uma linha mais hardcore, mas ao mesmo tempo tinha um quê da obscuridade de bandas de Metal mais toscas e por isso mais brutais.

A banda era o Armagedon de São Paulo. Logo adiquiri o vinil e passei a devora-lo diariamente. Na época jamais sonhei que quase 30 anos depois eu estaria em constante contato com a banda, principalmente com o fundador e guitarrista Javier Armagedon, através das redes sociais. E agora com muita satisfação e orgulho de entrevista-lo e dar oportunidade de bangers conhecerem uma das primeiras bandas que chutaram o pau da barraca e não se importaram se eram punks, bangers, o cacete mais. Apenas tocaram e tocaram muito alto.



-Primeiro, fale um pouco do início da banda, que expectativa vocês tinham e como vocês contornaram aquele pensamento de separação que existia na época entre punks e Metal?


JA- A banda começou sem muitas expectativas, o que mais queríamos na época era fazer um som e mandar a nossa mensagem. Ninguém sabia tocar nada, era tudo tosco, mas a gente foi em frente assim mesmo. Assim era difícil ter muitas expectativas, a banda sempre foi um lance muito mais pessoal do que visando algo. Lógico que com as músicas prontas batalhamos muito para divulgá-las pagamos um estúdio (Eldorado) e gravamos umas 14 músicas. Desta gravação, conseguimos participar do Ataque Sonoro. Com a participação na coletânea, começamos a ter mais repercussão no meio punk e ai começamos a pensar em gravar discos e etc... daí saiu a idéia do Silêncio Fúnebre. Em relação à separação punk e metal (aquela coisa idiota de ganguismo imbecil), nunca apoiamos essa merda, tínhamos vários amigos bangers e nunca participei de gangues. Muita gente não gostava muito que o Armagedom estava fazendo, mas e daí? Se quem quer fazer algo próprio for se importar com isso, a banda não vai durar dois dias.


-Contando com a fase que se chamavam “Última Chance”, são mais de 30 anos de banda. Chegaram a parar por algum tempo?


JA- O Armagedom faz 30 anos agora em 1984, o Última Chance começou no final de 82 e com o tempo e mudanças na formação decidimos mudar o nome para algo mais relacionado com as mensagens da banda. Paramos em 93 por uma série de problemas pessoais e retornamos em 99, quando o Claudinei entrou como baixista.

Página do Acclamatur com resenha sobre o
"Silêncio Fúnebre

- Vocês chegaram a ver na época, a matéria sobre o Armagedom publicada no Acclamatur em 1986, justamente numa fase em que bangers e punks só falavam em tretas?

JA- Eu nunca vi essa matéria, gostaria muito de ver principalmente porque muito do que foi publicado em relação à banda não chegou até nós...
*Na verdade o Armagedom apareceu duas vezes no Acclamatur, na coluna Scripturas no nº 02 e no nº 03.



- Hoje graças ao mundo virtual, estou podendo acompanhar mais de perto a banda e percebo que vocês estão tocando bastante. Houve um tipo de revival e formação de um novo publico com interesse no som do Armagedom?




JA- Acho que sim, em 97 quando o pessoal do Força Macabra entrou em contato comigo percebemos que a banda tinha deixado uma mensagem, uma referencia para muita gente, isso acabou nos animando a voltar com a banda. Eu fiquei muito feliz de poder por a banda para funcionar de novo e continuamos com o nosso caminho. Lógico que retornamos com a banda para produzir coisas novas. Por isso o Armagedom continua lançando discos e tocando material novo, tocamos sons antigos também, mas ainda estamos vivos!!!



-Você já tem várias experiência de tocar no exterior, principalmente na Europa. Onde você sente que o Armagedom é mais forte e se o público lá é misto ou formado só por punks ou admiradores do movimento?

JA- Eu não sei ao certo onde o Armagedom é mais conhecido no exterior, sei que fizemos shows muito bons na Finlândia, na Republica Tcheca, na Holanda, Alemanha, Espanha e França. Embora tenham muitos punks o público é misto.



- E vocês até tocaram com bandas que com certeza influenciaram muito o seu som, como Anti-Cimex. Como foi essa experiência e como essas bandas estão atuando na Europa hoje?

JA- Infelizmente nunca tocamos com o Anti Cimex, mas tocamos com o Riistetyt, o Terveet Kadet, o Apendix, o Kohu 63, Kuolema, Força Macabra, Makiladoras, BomebAlarm e etc... A experiência de tocar com essas bandas sempre é muito legal, geralmente as pessoas são legais e as bandas se respeitam muito.


-Assim como o Metal, o punk se dividiu em diversas vertentes (D-Beat, Raw...), para o público geral, fale em cada uma delas (suas características, etc.) e em qual você acha que o Armagedom melhor se encaixa?

JA- Hmmm... difícil, o Armagedom usou um termo no Silêncio Funebre em 86, era o deathcore, usamos isso como brincadeira porque o Onslaught tinha usado o Death Metal no disco deles e como fazíamos hardcore achamos que era legal. Mas o termo deathcore de hoje em dia é para uma bandas tão lixo comercial que não tem nada a ver com nada que paramos de utilizá-lo. Nós temos muito de hardcore, de metal, de d-beat, de stencthcore e etc... não sei definir com certeza... Armagedom é isso aí!! eheheh


-Sei que estão para lançar um split com o Nuclear Fröst. Quando sairá e qual o formato da mídia?

JA- Os detalhes do lançamento estão sendo fechados, acredito que saira até o final do ano. O formato será vinil, um EP de 7"


-Para finalizar, faça o seu comentário livremente e diga onde encontramos o material do Armagedom?

JA- O Armagedom está completando 30 anos agora em 94, estamos realizando uma série de eventos especiais para comemorar estes anos todos. Em julho estaremos tocando o Puntala como parte das comemorações e até o final do ano estaremos fazendo um show muito especial, para quem gosta fique atento que irá valer a pena!!
email: armagedom@hotmail.com web: www.armagedom.org fb: armagedom the deathcore


Agradecemos mais uma vez e mais uma vez registramos que essa é a terceira vez que o Armagedom aparece no Acclamatur. Valeu pessoal!!!






Pesado – A consolidação do Metal em Pernambuco de Wilfred Gadelha


               É bom e engraçado comentar um livro onde você é citado em diversas páginas como um personagem da história e o Acclamatur além de dezenas de citações ainda tem dedicado quase três páginas falando sobre sua criação e sua influência.
              Pesado, esse é o livro. Com ajuda da pesquisadora/ Socióloga, Daniela Ferreira, o grande lance desse livro, foi te-lo dividido em 03 partes: Espaço, Som e Imagem. São 03 coisas fundamentais em se tratando de falar de Heavy Metal, pois poucos estilos de música se tornaram tão complexos na sua compreensão.
              Ao tratar do espaço físico como colégios onde as pessoas se conheceram  e formaram bandas, os sebos e lojas que foram aparecendo e desaparecendo, os bares onde se conseguia “rolar som”, vai se percebendo que a reunião, aglomeração para ouvir e difundir a música pesada sempre foi um dos requisitos para formar padrões e fortalecer o mercado underground. Nos capítulos que trata do som, vemos as diversas e até complexas bifurcações que fez com que o Metal criasse tantos subgêneros e como as diversas tribos surgiram. Em se tratando de imagem o livro fala sobre os fanzines, os designes de capas, camisas, etc, as mídias virtuais, os fotógrafos, ou  seja: a formação da estética visual, o registro histórico e novamente a compreensão da estética do estilo.E um outro ponto positivo no livro são as quse 100 páginas de imgens.Fotografias de shows, festivais, bandas em  todas as épocas,imagens de cartazes de eventos ocorridos no estado, imagens dos principais fanzines ( o Acclamatur comparece em duas páginas inteiras), capas de discos feitos por designes locais. Um arquivo de imagens que poucas obras conseguiram reunir.

O Acclamatur em uma das páginas do livro
              O processo de composição do texto foi através de centenas de entrevistas com pessoas que viveram e vivem a cena da música pesada em Pernambuco. É como um grande contar de historia. Divertido em alguns momentos, com uma linguagem por vezes direta e até popular, ( provavelmente para não perder a veracidade e expontâniedade de algumas lembranças que as declarações trazem a tona). Faltaram algumas bandas ou pessoas? Claro. Como todo trabalho dessa magnitude é impossível contemplar 100% mais de 30 anos de história. Faltou por exemplo se aprofundar no Gothic Metal e bandas que fizeram um razoável sucesso nos palcos Recifenses. Mas, com certeza não existe trabalho similar e tão completo como esse no Brasil. Retratando a cena, dando nomes ao gado e mostrando que um estilo que se diz underground é feito por pessoas, por guerreiros que na maioria dos livros de história passam anônimos e nesse livro praticamente todos que ajudaram a fazer essa história foram citados. Uma grande contribuição para a história da música no Brasil e quem sabe numa futura tradução, para o mundo.

                                                                   G. Burkhardt





1ª UNIÃO METAL DE PERNAMBUCO – DVD
DESTINY OLD DIE- FALLING IN DISGRACE- REALIDADE ENCOBERTA-  MALKUTH- PSYCH ACID

         Costumo sempre colocar aqui a importância de registros para que se conte a história não só em forma de texto e sim também em forma de imagens. A atitude e empenho desse grupo de pessoas que organizou esse evento chamado de 1º União Metal de Pernambuco, é mais do que louvável. É inteligente. A produção na verdade foi das próprias bandas que promoveram e tocaram nesse festival: Realidade Encoberta, Malkuth e Falling In Disgrace.As outras duas convidadas foram a Psych Acid de Caruaru e a Destiny Old Die de Jaboatão dos Guararapes (estreando nesse dia).
     Atitude inteligente também foi variar ao máximo os estilos das bandas a se apresentarem atingindo assim um público mais heterogêneo não promovendo nichos que só dilui o público que já está tão escasso nos shows.
      A Destiny Old Die, que já foi resenhada aqui no blog, faz um tradicionalíssimo Doom Metal, Falling In Disgrace um Death/Thrash também com muita ignorância, a veterana Realidade Encoberta (também resenhada aqui), ataca com um crossover fuderoso, Malkuth, também veterano, enegrece mais ainda o evento com seu grande Black Metal e outro veião é o Psych Acid com o mais puro Thrash Metal.
      Cada banda aparece com três músicas, o que deixou o dvd mais agradável e menos cansativo de ser assistido. No fim, a receita rendeu uma noite de 26 de outubro de 2013 de pura brutalidade.
    Quanto à qualidade das imagens é totalmente artesanal, com público passando na frente, câmara às vezes perdendo a cena, tudo filmado e editado pelo Coletivo Meio de Rua e a arte gráfica do dvd feita pelo baterista Hugo Veikon da Falling In Disgrace. Ou seja, uma atitude “Faça você mesmo”, nos ensinada pelos punks e  é assim que se mantém a cena e o respeito por quem a faz. Mais uma vez eu digo: material para fãs e para quem quer construir e participar da história. Parabéns pela atitude, porque Underground funciona assim!
                                                               
                                                                        G. Burkhardt





         Surgido numa velha terra, onde a mistura espiritual se confunde com a arte, a alimentação e pensar de um povo, o Culto à Morte não poderia ser amistoso e sim sombrio e pesado e pensado em 1987 por Paulo Lisboa, um sacerdote das seis cordas que arregimentou a garganta de Eduardo “Falsão”, os tambores de Iaçanã Lima e o baixo de Luciano que logo foi substituído por Ualson Martins. 
               Aprimorado o Culto e determinados a mostrar que o Inferno é Aqui, queimam os espíritos enfraquecidos com uma demo-tape de repercussões hediondas. Logo que as mensagens foram compreendidas, convocam um novo arauto para as vocalizações: Sérgio Ballof.

O novo estandarte para guerra é carregado pelo selo Cogumelo Records e a profecia agourenta de Nascer, Sofrer e Morrer cai como uma sombra em 1991 no primeiro trabalho que mostraria que o Culto estava caçando as cabeças de espíritos fracos e caçando as almas dos espíritos fortes.

Precisando de mais impacto, já que estava tomando o país de assalto, arregimentou mais uma guitarra nas mãos de Simon Matos e depois de dois anos longos de batalhas tocando em noites ritualísticas onde os fracos eram Punidos ao Amanhecer, lançou mais um trabalho. Com Túlio Mineiro, agora, dando o ritmo a guerra. Os princípios do Culto começam a ser seguidos e a serem ouvidos na velha e cansada Europa, com os dogmas da escuridão propagadas pelo selo Black Water Records.
           Mas nem todos guerreiros-seguidores conseguem ir até o final do ritual do Culto. Túlio é substituído por André Moyses e Uallson por Alberto Alpire. Tendo passado já rápidos e, porém longos sete místicos anos, em vez de enfraquecer a horda, fortaleceram ainda mais a filosofia anti-religião, o desprezo pelas autoridades e ganância humana, que vão ganhados mais força no conteúdo das mensagens disseminadas pelo Culto. 
       O peso aumenta e a sensação maior do mal no som, só acrescenta mais certeza de que o Caçador procura mais Cabeças. Gravado dois anos antes e lançado em 2000, como se preparando para uma extinção planetária, o terceiro compêndio é lançado, profetizando que os Céus se Tornarão Negros e que a Idade da Escuridão Virá como uma ave de rapina,na forma um velho e sombrio Caçador de Cabeças, ainda mais raivoso e agressivo. Death Metal da melhor estirpe que só O Culto poderia criar. Agora com Alex Mendonça nos graves, Fábio Nosferatus na outra seis cordas e Thiago Nogueira nos ritmos. Alex, logo após o lançamento do cd é substituído por Paulo Alcântara, mesmo assim retorna ao grupo para depois sair novamente. Já tendo feito em 1996 uma homenagem ao Dorsal no trabalho “Omnisciens”, tendo reconhecida a sua importância e veracidade no submundo, participou com sua áurea negra de mais quatro tratados em homenagem ao Morbid Angel, Possessed, kreator e Sodom. Uma Igreja Quadrangular do caminho esquerdo, que realmente levantou, fundamentou e glorificou o Culto ao Death Metal e que não poderia estar mais bem representados do que pelos senhores  Cultuadores da Morte.

      Terminando o ano de 2002 o baixo é domínio agora de Zulberto Buery e a bateria de Daniel Brandão, que permanece por quase três anos. Próximos de lançar um novo tratado, Daniel se afasta, mas nem por isso silenciaram os tambores que ritmavam a batalha, porque Thiago Nogueira retorna para dar suporte na gravação de outro extremo. No inicio de 2007 com Daniel Brandão na bateria e Igor Noblat nas seis cordas substituindo Fábio Nosferatu o Culto parte para destruir a America do Sul e fechando sete sagrados anos eles compreendem que Deus Envia o Câncer e possivelmente todas as doenças da mente que levam os seres humanos ao abandono total de sua liberdade de pensar e agir. Ali estava a verdadeira doutrina do Culto, numa simbiose de morbidez, densidade e maduras citações anticristãs. 
         Firmado mais um plano de batalha, em 2010 os Arquivos Escuros do Culto da Morte são abertos pelo selo Peruano Cryptsof Eternity, propagando ainda mais a  escuridão em busca da luz luciferiana e fortalecendo o clã para numa Manhã Profana, em 2012, cuspir os dogmas, as letras negras, o som perverso e raivoso que é necessário para que um Culto que propaga a Morte com o verdadeira saída para a vida, caçe incansavelmente durante mais de 25 anos, as Cabeças que não querem mudar, que estão crucificadas e derrotadas desde que nasceram, pois nasceram de espíritos escravizados.

                                                                    G. Burkhardt

ACCLAMATUR é : Guga Burkhardt & Nina Burkhardt
Diagramação e Ilustração das capas, colunas Videre, União e Contos Mórbidos: Guga Burkhardt
Agradecemos à todas as pessoas que estão conosco todos esses anos, não é preciso citar nomes, elas presentem quem são.
Bandas nos procurem!!!!!!

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acclamatur@gmail.com


sábado, 1 de março de 2014

                              

                                       A Tríade

          Passamos por  uma fase crítica: o pós-três. Em 1986 começamos o zine impresso e encerramos no nº 3. Talvez tenha sido até benéfico. A tríade, o santo três na cabala que nas ciências místicas e ocultas,  são as três forças primárias que juntas  são responsáveis pela criação. As tríades de todos os cultos espalhados pelo mundo. De Horus, Isis e Osiris, a Brama , Shiva e Vshinu, o positivo, o negativo e o neutro. Talvez, apenas os  03 Acclamaturs tenham tido poder de manter a mística e a força que poucos meios de “comunicação” mantém depois de quase 30 anos. 

         Sentimos essa força no ar e voltamos como blog em 2013 e lançamos 03 publicações nos meses de junho, setembro e dezembro respectivamente. E agora ultrapassamos o 3. Apesar de em março , mês 3, ainda estarmos sob a influência da tríade. 
       Trouxemos de volta esse mês uma coluna antiga,  a “Subterraneus” que busca divulgar trabalhos que ficam no meio termo entre a vontade de registrar a história  e o profissionalismo de uma gravação. Muitos são crucificados por isso, mas que  pintor nunca borrou um quadro, que alfaiate nunca cortou errado um tecido, que eletricista nunca experimentou um choque? Nunca tivemos medo de errar  e cada criação vem carregada de mais experiência.
         Em  1986 na “Subterraneus” falamos de uma demo – ensaio precariamente gravada, onde a banda iniciante não tinha nem baixista e a bateria era apenas uma caixa, e mesmo assim o impacto transgressor que esse trabalho transmitia era de arrepiar. Por isso estava no Acclamatur e particularmente nessa coluna. Depois disso, no disco de estréia “Seasons of Dead” a banda colocou um agradecimento a minha pessoa, talvez por termos reconhecido o diamante bruto que estava nas nossas mãos. São essas coisas que nos faz acreditar na tríade.Qual era  a banda? Necrophagia.
                                                         
                                                                G. Burkhardt






PREDATORY – DIRTY SCUM ARISE – SANTOS – SP


            Thrash Metal nervoso, potente, tão pesado que beira por vezes o Death. Gravado no Estúdio O Beco na cidade de Santos, entre 2009 e 2011 a mixagem final manteve o som coeso com todas as faixas niveladas por cima.Por cima por toda a brutalidade, sangue nos olhos e criatividade que esse estilo exige hoje em dia para não fazer algo chato e cansativo. 
             É um disco que passa rápido por ser tão empolgante. Dez faixas onde as guitarras de Ricardo Lima e Thiago Pacheco, os urros de Renato Bartkus, o baixo de Anderson Casarini e a bateria de Luiz Carlos nos conduzem aquele clima de guerra e fim dos tempos que a parte lírica complementa impressas num encarte de muita qualidade. 
              A primeira faixa Sickly Psychological Profile apresenta de forma “consciente” o que vamos encontrar pela frente, mesmo assim nunca esperamos por algo tão foda como Message of Death com o riff mais empolgante de todo o cd. Perfeita! E aí meu amigo, Dirty Scum Rise, No Reason To Fight,  Art Of Madness, Death To The Murder, enfim todas(com um cover surpresa na última faixa), todas  passam como um rolo compressor amassando a falta de identidade e a mediocridade de grupos que querem reinventar fórmulas que já nos curaram a tempo. 
Thrash até a beira do precipício!
                                                                       G. Burkhardt



IMPIOS – TOTAL HERESIA – CARUARU – PE

          Black Metal é sempre uma coisa difícil de comentar se formos pelas velhas questões filosóficas, principalmente quando a banda canta no nosso idioma, mas o Impios conseguiu colocar sua parte lírica muito bem encaixada na proposta ideológica da banda.           São 06 faixas, Ritos de Guerra/Armagedom, Deusa da Luxúria, Iconoclasta de Satã, Total Heresia, Ao lado Negro Rei Das Profundezas e mais Total Heresia gravada ao vivo em 2012 no festival de música extrema, II Chama Impura que acontece em Recife. São músicas rápidas, mas com inserções de passagens mais “tradicionais”. Destaque para a guerreira Total Heresia com uma paradinha matadora para depois do grito "carnificina!!!" a música voltar com um riff destruidor.  
                Esse EP foi lançado em 2013 e gravado e mixado na cidade natal da banda. O material gráfico é simples, em forma de envelope, mas com informações de formação, datas e locais de gravação, o que já é um ponto positivo, já que com a tendência dos downloads, as bandas estão esquecendo de colocar essas informações de datas nos encartes do CDs, comprometendo a história.
                                                  
                                                                        G. Burkhardt




WARCURSED  –  THE LAST MARCH – CAMPINA GRANDE – PB


          Um dos lançamentos mais esperados de 2013. A banda foi entrevistada nesse blog, e já percebendo o profissionalismo desses caras, era de se esperar um grande trabalho depois do debut   . E a banda não relaxou em nenhum momento e lançaram um discaço de Death/Thrash de altíssima qualidade. Primeiro o que chamou a atenção nesse trabalho é a falta de pressa nas composições. O peso está contido muito mais no clima retalhante dos riffs das guitarras do que na gratuita demonstração de velocidade para esconder a incapacidade de intercalar notas para formar uma música realmente brutal. É claro que tem momentos onde a bateria de Marsell Senko   é massacrada em altíssima velocidade. A questão é que nesse disco nada é gratuito e o que se sente é que as composições são ricas em detalhes e de um extremo bom gosto. O vocal de Jean Sauvé também é forte e a produção não esqueceu de agravar o peso com o som do seu baixo (vide Temple of Destruction)., com contribuição também das guitarras afiadíssimas de Richard Senko e Eduardo Victor. É difícil destacar alguma música, é claro que riffs como os de Renegades from Hell ou os solos de Death Machine e Temple of Destruction elevam o nível de composição no cd. Warcursed definitivamente iniciou sua marcha para o mundo.

                      
                                                                        G. Burkhardt



Whipstriker -  Troopers of Mayhem – RJ

        À tempos o Rio de Janeiro descobriu que o Menos é Mais. Começou com o Apokaliptis Raids, atualmente temos também em evidencia o Hellcourge , o Velho e o Whipstriker. O que é o Menos? Menos demonstração de técnica, menos escalas intricadas, menos exibicionismo musical. O que é Mais? Mais raça, mais felling, mais pegada e mais sujeira. Porque era desse Mais que o Metal era feito em 80 e por isso foi tão revolucionário e acordou tanta gente. Foi desse som sujo com cara de rua que voltou a ter força, voltou a ser submundo de onde nunca deveria ter saído. Sucesso? É relativo se a banda perder o tesão, se começar as brochar pouco a pouco e virar um ser vivendo à base de elogios. Som limpo? Não o Whipstriker é pura podridão com vocal a lá Venom, momentos meio Motorhead, possessed, Hellhammer, Beast Conjurator e todos já citados acima. Metal pra macho, caralho! Quer coisa lindinha? Vai ouvir metal melódico.
                                                                 
                                                                     G. Burkhardt



STORMS – THE BEGINNING OF END – Caruaru - PE

             Tradição e historia  é principalmente o que faz esse trabalho tão valioso. A Storm é uma das bandas mais antigas de Pernambuco (formada em 88 encerrou atividade em 91, retornando em 2011) e só agora conseguiu lançar um cd. O Thrash executado pelo trio é muito mais germânico que americano. A experiência aprimorou também os músicos, que não exageram nos malabarismos instrumentais, porém sacam que cada nota, cada riff colocado no lugar certo é o que faz uma grande obra. 
             Com uma introdução “tradicionalíssima’ regada a sirene e sons de tempestade com teclado fúnebre, descamba para Chemical Death muito foda por sinal, onde o vocal só entra la pela metade da música. E aí é que o bicho pega quando percebemos que quem canta todas as músicas é Alex Morais, o baterista, e quem já viu a banda ao vivo, sabe que o monstrinho se garante. Seguem com Devastation, musica composta depois do retorno. The Rape mantém o clima de quem sabe e sente o que é ser Thrash: um pouco de virtuosismo no baixo de Kassius Leandro e guitarra de Junior Sá com um monte de malicia doentio nos vocais e no andamento da música. All of Evil é com certeza uma composição da década de 80, um tradicionalíssimo Old School. Dangerous Mind é outra da fase nova, mas sempre com um pé no passado. E finalmente ou infelizmente (porque o cd está acabando), a faixa título que carrega aquela maldade no vocal, tão necessária a essa vertente. A produção a cargo da própria banda deixou o som um pouco sem peso (principalmente a bateria), mas com os três instrumentos muito bem equilibrados e perfeitamente audíveis. O encarte vem com as letras e isso já é um bom motivo para se adquirir o cd.
Depois da calmaria de longos anos, felizmente veio essa tempestade.

                                                                      G. Burkhardt



PSYCH ACID- DISTURBANCE WHITHOUT CONTROL – Caruaru – PE

              Mais uma de Caruaru com mais de 20 anos de criação. Mais uma onde o baterista é o vocalista e berra bem pra cacete. Mais uma com um Thrash Metal vigoroso e mantendo o respeito com a tradição. Mais uma que lançou o primeiro cd somente em 2013. Mas as semelhanças param por aí, porque o Thrash tem dessas coisas: por mais que tenha uma fórmula pré-definida, uma estética amarrada, bandas de uma mesma cidade, de uma mesma época, com as mesmas influências, conseguem ter estilos totalmente diferentes. O esporro sonoro do Psych Acid logo aflora após uma intro com a vigorosa Disturbance Without Control precedida de Our Mistake com algumas partes mais cadenciada e também com momentos de velocíssimos e belas melodias de guitarras por parte de Bruno Amorim e Anderson Diniz. As próximas, Corrupt e Rough já nos dão sinal que um puta torcicolo será nossa sina e que nem a sexta faixa, a instrumental com o nome da banda, nos tira desse destino. 
            Nato Vila Nova é o berrador por trás de uma bateria massacrante e único remanescente da formação original.Fabio Santos é o baixista e se impões com o peso que o baixo tem que ter. O encarte com letra se abre mostrando aquelas montagens de fotos de momentos da banda como os encartes dos anos 80. Mais um imperdível.
“Nova Roma de bravos guerreiros, Pernambuco animal animal” 

                                                                      G.Burkhardt




heretic  execution – contemplating the obscurity – BA

         A banda foi formada em 2012 em salvador e já no final desse ano, começou a gravar essa demo no Lunatic Studio para lança-la pela Cianeto em 2013. A qualidade da gravação está muito boa.
        Com a contribuição de Alexandre "Disgracedeath" Nunes – Vocal ultra gutural, Israel Ferrão – Guitarras e Ícaro Senhorinho – Bass praticam aquele Death tradicionalíssimo, ou seja: extremamente pesado e negro. No encarte do cd não vem identificando que socou a bateria.
Começando com uma Intro meio cinematográfica, depois Total Death Cult entra com toda fúria seguida de Blasphemies on the Nazarene Corpse com um começo arrastadão para descambar na velocidade e voltando várias vezes numa linha mais doom.  Contemplating the Obscurity segue a agressão e terminando com Guerra ao Domínio Cristão, um empolgante final num trabalho que vai ganhando força faixa a faixa e a banda termina com uma crueza nos riffs mostrando que a rispidez ainda impera nas bandas Death.

                                                                        G. Burkhardt




OBSkURE – DENSE SHADOWS OF Making – fortaleza – ce
        
          Sem sombra de dúvida que esse trabalho é denso e sombrio, mas isso é óbivio para uma banda de Death Metal, mas em nenhum momento a densidade funde as músicas em um único clima durante todo o cd, ou seja, a variedade  nas composições do Obskure é foda! 
        O clima muda música à música de umas passagens doom, a velocidades suicidas e teclados formando um camada melódica difícil de se encaixar num estilo tão brutal se a banda não tiver a competência aliada a experiência. E isso a banda prova que tem já que o seu primeiro lançamento, o Overkesting,  é de 1997. 
          Um exemplo emocionante é o começo de de Hidden Essence Rescue  que começa lenta e em segundos é tomada por um riff cavalgante fuderoso. A já clássica Christian Sovereign  com início doom. Uma agressividade brutal em From One Stopped Dreaming... com grandes palhetadas no começo e no meio com entradas de pianos suaves entrecortados por vocais animais espancados por bateria mais uma vez suicida. Entenderam? Só escutando. E se vocês escutarem os riffs de Barren Evolution !!!! 
       Em meio a 10 assassinatos o cd termina com uma coisa animalesca que só o grandes nomes do Death Metal conseguem provocar: Vermi’s Banquet.
      Tudo nesse disco é primoroso, desde a produção e mixagem de Moisés Veloso e Obskure, que deixou o peso e instrumental totalmente equilibrado, até a arte gráfica de Gustavo Sazes em digipack, com livreto e letras. Apesar do tempo de existência, esse é apenas o segundo full -length da banda.
       Não é só obrigatório, mas é primordial essa obra pra sua construção emocional e intelectual, porque não adianta estar vivo sem entender que a morte é proeminente.
                                                           
                                                                      G.Burkhardt




Underground forte é underground unido. E como ser  forte e unido? Para todo movimento é importante criarmos uma rede de informações e troca de serviços, apoiando e divulgando quem ajuda ou facilita as coisas acontecerem. Uma dessas pessoas é a figura de Gil Dessoy da Cianeto Discos, que conheci recentemente adquirindo lançamentos da Cianeto. Achei que seria uma boa idéia um papo informal para que  as bandas ficassem por dentro e visualizassem mais uma possibilidade de editar o seu trabalho e de uma certa forma mostrar para algumas criaturas que vivem no meio, que se não nos ajudarmos estaremos fadados ao fracasso.


-Sei que existe um passado de distros antes da Cianeto e gostaria de saber como começou a sua história e a idéia de fazer esse trabalho?
 GD-Tudo começou em 2004, quando comecei a fazer parte do projeto/banda de metal extremo Lenhador. A partir dali, comecei a frequentar eventos, entrar em contato com bandas/selos/zines, e trocar experiência.A ideia de formar o selo foi justamente pela vontade de fazer algo, de criar uma rede de contatos, ajudar a divulgar os trabalhos de bandas que gosto.


 -Você visa uma linha de lançamento,prefere trabalhar com algumas vertentes especificas ?


GD- Eu não me prendo muito a rótulos, e já lancei de Punk a Brutal Death Metal.
Um princípio básico: A banda não pode ser amiga de deus, ehehehe
Sou ateu, então, white metal, ou satanistas burros não tem vez comigo.
Já lancei bandas de Black Metal, e vou continuar lançando, porém, vai depender da temática da banda.
Não quer dizer que sou cristão, mas, também, não vejo muito sentido no “outro lado”, tem gente que acredita em “satã” como algo real, palpável, que segura um garfo e fica espetando as pessoas, ahahah
A pessoa que acredita nisso, também acredita em deus, então, é duplamente burra.
Mas voltando às vertentes:
Sendo extremo, sujo, feio e não sendo amigo de deus, tá valendo! Eheheh
Ou seja não trabalho só com metal, não me limito somente à isso.


-Vendo os preços tão acessíveis no site da Cianeto, como você consegue trabalhar preços tão bons?

GD-Vendo a preço de custo, e muitas vezes tiro grana do bolso pra manter selo e distro ativos. Não é um negócio.


 -Também me parece que você adotou um sistema de fabricação de digipack e que permite produzir quantidades menores de CDs sem onerar o preço, não é isso?

GD- Este está em fase experimental ainda, faço tudo manualmente.
Estou fazendo mais alguns testes com uma gráfica local, e, em breve terei novidades (ou não) quanto à isso.
A princípio, o Digipack só será fabricado caso eu consiga unir rapidez na fabricação e preço.



-Você conta com uma equipe de trabalho ou é como a maioria de quem trabalha no undergroud que faz tudo na raça?

GD- Tudo na raça.
Quem me ajuda é a Angela, minha esposa, no fechamento de pacotes, montagem dos Cds nas caixinhas, e nas postagens.
De resto, artes de encarte e flyers, envio para as fábriacs, fechamento de parcerias, responder e-mails e pedidos, cadastramento na loja, tudo feito por mim mesmo.


-Você tem contabilizado quantos lançamentos a Cianeto já colocou no mercado?

GD- No momento, estamos em quase 100 lançamentos.

Se eu contar, desde 2005, com o lançamentos via Cauterized Prod, foram ao todo, mais de 150 títulos lançados até fevereiro de 2014


-Como está o mercado exterior para a distribuição dos lançamentos da Cianeto?

GD- Eu não faço questão de vender nada para fora do país porque nosso correio é um lixo, e os clientes não entendem o que se passa por aqui. Então, eu faço somente trocas de material com selos do exterior, para venda na loja.


-E qual o papel da banda e o papel da Cianeto no lançamento e distribuição dos trabalhos?

GD-O esquema é bem simples. Se eu gostar da banda, a gente acerta o lançamento.
Hoje em dia, eu tenho um cast de bandas do selo, que pretendo trabalhar durante os próximos anos, e assim sendo, são poucas as “vagas” para bandas novas.
O papel da banda é: Entregar a gravação + arte pra gente, e a Cianeto entra em contato com outros selos underground para ver se existe interesse em participar da prensagem.


 -Caso alguma banda se interesse, qual a forma de contato?

GD- Temos alguns requisitos para análise de material, nenhum link para download ou youtube será considerado.

Requisitos para análise de Material:
- Músicas gravadas em CDR + Tracklist
 - Um texto comentando sobre a banda
 - Um texto comentando sobre a origem/escolha do nome
 - Breve comentário sobre as influências da banda
 - Logotipo impresso em Folha A4
 - Letras Impressas
 - Caso o material já tenha algum arte desenvolvida, imprimir e enviar junto

Endereço para envio:

Gil Dessoy/Cianeto Discos
Rua 13 de Setembro, 33
Colorado/RS
CEP: 99460-000

Uma dica:
Coloque tudo dentro de um envelope, e envie como CARTA REGISTRADA,
o custo é bem mais em conta.



-Eu sei que é uma resposta difícil, mas você como fã, qual lançamento mais te empolgou ?

GD-Olhando para a lista de lançamentos, muita coisa me deixa BEM feliz.Impossível escolher um só lançamento.
Então, citando os que mais me deixaram satisfeito, por conta do resultado final, e pela gratidão e parceria com as bandas até hoje (tem banda, que depois de ter seu material lançado, some...)
Gil e um dos seus "filhos"
Hass - “Unprocessed Dementia” - CD

Living in Hell - “Portões” - Vinil 7”
Harmony Fault - “Rotting Flesh, Good Meal” - CD
Velho - “Senhor de Tudo / Vida Longa ao Primitivo” - CD
Whipstriker / Power From Hell - “Brazillian Bestial Attack” - CD
Homicide - “O que o Cerca, está Morto” - CD
Swords at Hymns - "My Freedom....Forgotten in Gray Dimness" - CD
Damn Laser Vampires - “Gotham Beegars Sindicate” - CD


 -E qual a previsão de lançamentos para 2014 ?

GD- Para 2014 temos os seguintes projetos de lançamentos:
Brutal Morticínio - "Obsessores Espíritos Das Florestas Austrais" - CD
Dyingbreed - "Worship no One" - CD
Harmony Fault - “Savage Horror Dementia” - CD
Hellscourge - Hell's Wrath Battalion – CD
Incivus Infectus - “Invicius Infectus” - CD Duplicado
Legis Edax - “Hideous Manipulation” - CD
Living in Hell - “Living in Hell” - CD
Mortificy - “Burn and Suffer” - CD
Necrocéfalo - “Full Lenght” - CD
Nucleador - “United by the Toxic” - CDR PRO
Swords at Hymns - "My Freedom....Forgotten in Gray Dimness" - CD (CD Prensado)
Velho - “Senhor de Tudo | Vida Longa ao Primitivo” - CD (Segunda Prensagem)
Velho - “Decrepitude & Sabedoria” - CD
Velho | Lenhador | Caverna - “3” - CD Duplicado

 -Valeu Gil e gostaria que você deixa-se suas considerações.

GD- Gostaria de agradecer pra caramba a oportunidade, e dizer que adoro as tuas resenhas, entrevistas, textos e ilustrações Guga!
Seria muito foda ver tudo isso impresso, mas sei dos custos e também, que a resposta do público nem sempre é a esperada, então, vamos levando conforme dá!
Eu não falei muito sobre os lançamentos em específico, pois pretendo, em breve, fazer uma retrospectiva de todos os meus lançamentos, desde os primeiros, em forma de zine e coletânea, então, para aqueles que não tiveram a oportunidade de conhecer algum lançamento meu antigo, esta será a oportunidade.
Também gostaria de deixar o link da loja do selo, é imprescindível que eu venda para que possa continuar a produzir materiais de bandas nacionais.

Abraços a todos!

Gil e Cianeto Discos.

              Nessa seção é apresentado e discutido elementos estéticos musicais ou de conteúdo que se aproxima da filosofia de liberdade e anarquia que esse espaço as vezes contém. Portanto os vídeos aqui inseridos não seguem propriamente uma lógica cronológica de lançamento, nem obrigatoriamente estará preso somente a questões musicais. e mesmo que nos seus originais as imagens foram confeccionadas com cor, aqui recorreremos ao preto e branco que são as cores do mundo do Acclamatur.  



OBSKURE – LIVE IN SESC 2006

            Vamos sempre apoiar elogiar e enaltecer qualquer lançamento que registre, de uma forma tão natural, sem maquiagens (a iluminação do teatro é básica) o poderio musical de uma banda que já tem anos de história no underground nordestino e brasileiro. 
             O DVD foi gravado no teatro do SESC fortaleza em 2006 e só lançado oficialmente ano passado, mesmo tendo as imagens rolando por aí de forma não oficial, a banda sentiu a força do material e conseguiu lançá-lo em 2013. 

              É um show com aquela cara de uma reunião entre amigos com piadinhas da platéia, alguém gritando “aumenta o vocal” e coisas típicas de uma produção mais descolada. 
Mas no quesito peso, musicalidade e profissionalismo, o DVD é foda. 
            O registro histórico é fundamental, afinal a banda está completando esse ano, 25 invernos de Dethão. O show também marca a estréia do vocal Germano Monteiro no lugar de Daniel que incorporou apenas a guitarra, mas que ainda canta duas músicas do 1º trabalho da banda, o Overkesting (1997). Após uma belíssima introdução aos teclados por Fabio Melo, o som soturno do Obskured começa com a fantástica Christian Sovereign  que ainda não havia sido registrada em cd pela banda, só em 2012 assim como as Dense Shades of Making, From One Who Stopped Dream e Memories of A Recent Past.
          São 09 aulas de Death Metal sem apelação e carregado de muito feeling! Sem sombra de dúvidas imagens sombria!
                                                                           G. Burkhardt



Abaixo segue um link de uma edição que fizemos em preto e branco, mostrando alguns momentos do show para vocês perceberem a qualidade do material:

                                           http://www.youtube.com/watch?v=ttQAOLzvlso








Na década de 80, Punks e Bangers estavam se matando nas ruas. Embora  não admitissem, no fundo, estavam brigando por música e não por questões ideológicas. E o pior é que muitas bandas na época, como o Crude SS e o Motörhead já fundiam os dois mundos nos seus sons. Por isso na época criamos essa coluna chamada união. 





BESTHÖVEN -  BLOOD, PAIN, DEATH AND DESTRUCTION – COPILAÇÃO

     Besthöven é uma banda de D-beat/Crustcore de Brasília criada na década de 90 pelo único e real membro, Fofão. Na verdade uma banda de um homem só e sempre atuando ao vivo com diversas formações ao longo desses anos.Todos os instrumentos foram gravados por ele e aborda trabalhos entre 2005 e 2006 desde a “Lei do mais Fraco” (2005), “Disgrace And Destruction”(2005) um split com o Skeleton, “A D-Beat Holocaust!!!” (2006) split com o Violation, “Smoke, Fire and Desperate Screams(2006) split com Trioxin 245 até “Slave To Convention” (2006) um tributo a banda Doom. São 25 sons, a maioria cantada em inglês, segundo Fofão, uma forma dele se aproximar mais do som da Crude SS, banda ícone maior desse estilo . Apenas 07 faixas são em português (contando com uma vinheta com diálogo do filme Pixote), idioma que a banda usava mais nos seus primórdios e que manda muito bem e se encaixa perfeitamente na anarquia e desconstrução de um bom Crust. A banda tem um reconhecimento muito grande também na Europa.


Não tem erro, e não precisamos destacar nenhuma música, é podreira de cabo à rabo. Agora vamos aguardar o lançamento do novo pela Cianeto Discos previsto para esse semestre.Crust till Death !               
                                                               
                                                                    G. Burkhardt








“Abrimos esse espaço pelo valor histórico de certas gravações. Falaremos tanto das bandas novas, quanto das velhas conhecidas, pois nos sentimos atraídos pela autencidade que sempre marcou o som UNDERGROUND.”
Assim estava escrito no Acclamatur de 1986 e é assim que vamos conduzir o Subterraneus aqui no blog. Vamos considerar tanto as gravações boas quanto as gravações  mais toscas ou mais simples de bandas que  por falta de experiência ou por morarem longe de grandes centros, sem acessibilidade a bons equipamentos fazem o possível para registrarem o seu som com um único sentimento: FÚRIA! E FÚRIA é o que mais importa. Portanto, promos, lives, demos antigas, fúrias esquecidas no tempo e que valem serem resgatadas para mostrar autencidade e sinceridade ao Metal estarão aqui para os arqueólogos vasculhem nos registros arkashicos.




SKULL CRUSH – GUERRA NUCLEAR – DEMO 2011

        Segundo membros da atual formação, o Skull Crush está se preparando para lançar um EP e está tomando uma direção mais Heavy Metal, diferente dessa demo que descarrega um Thrash Metal na melhor escola americana. Guerra Nuclear, Public Way e Rastrear e Destruir, são as três pedradas que mostra que a banda tem a manha. Esperamos que o Heavy metal que eles se propõem a tocar no momento não tire a agressividade da banda contida nessa demo. Se seguirem uma linha como o Iced Earth, que mistura perfeitamente Thrash com Metal tradicional, já estarão aprovados. 
             Nas guitarras Gustavo (Bozó) e Matheus (Paraguay), no baixo e vocal Rafael (Oca) e na batera Fernando (Tiozão). E vamos aguardar o novo trabalho.
                                                                      
                                                                G. Burlhardt




CREMATORIUM -
 SANGUE E SUOR – EP 2012


“Tenham uma péssima noite, desgraçados. Quem não gosta do som, foda-se, eu não chamei. Com vocês: Crematorium”



      A apresentação da banda no início do show, já diz tudo. Foda-se quem quer tudo arrumadinho demais nesse registro, quem quer que o Metal perca a sua essência ao subir no palco, mais preocupado em mostrar arpejos, escalas pentatônicas e jazz. Jazz porra? 
  A razão desse trabalho estar aqui é a importância do registro, que eles mesmos deixam bem claro a despreocupação em mascarar erros e falhas, para deixar tudo bem verdadeiro como a banda sempre foi, segundo o texto da capa. 
    Já assisti vários shows desses Petrolinenses e garanto que é sensacional. 
            O evento aconteceu em 2011 no Festival Pernambuco Nação Cultural do Governo do Estado. Apesar da guitarra de Conde Alemão está parecendo um grilo, o baixão de Marcos Alexandre está no talo e a bateria de Júlio Brutal está muito alta, a gravação está bem audível e pra quem conhece as duas demos “Holy Inquisition” (2002) e “Death Metal” (2010) vai babar ao ouvir “clássicos” do verdadeiro Underground. É Underground com letra maiúscula, porque fazer esse estilo de Metal em pleno sertão nordestino a mais de 20 anos é verdadeiramente estar nos subterrâneos da cultura dessas regiões. Com sangue e suor com certeza foi feito esse trabalho.

                                                            
                                                                      G. Burkhardt



GUERRA SOCIAL – OVERDOSE NUCLEAR – DEMO 2012

         Uma das razões dessa demo estar aqui é que assisti ano passado a  Guerra Social ao vivo  em Campina Grande, e o que eu vi foram três garotos com aquela pegada Thrash com muito tesão e vontade de mostrar o seu som. E isso muitas vezes é mais  importante do que estar extremamente concentrado para não errar seus instrumentos. Estar no palco sem fúria é estar num campo de batalha sem arma. Já estais morto guerreirinho! 
Foto: G. Burkhardt
   

O som da demo é ruim. A timbragem dos instrumentos é ruim. Tem falhas de execução. A capa é impressa em jato de tinta. Ainda assim, mais uma vez retomo a velha ladainha de que o que importa é ter autencidade, provavelmente  estimulados pela sensação que é fazer Thrash Metal no interior da Paraíba (Caaporã), sensação essa que se perdeu muito nas capitais, onde piercings, tatuagens, caveirinhas se tornou moda e não ato de transgressão. 
       Portanto, Tom Torment (baixo e Vocal), Marcos Ripper (guitarra) e Matheus Demolisher (bateria) estão no caminho certo e a banda só tem dois anos de existência, muita lenha pra queimar e muito metal pra derreter. E essa demo é apenas aquela necessidade que todo artista tem de expor o seu trabalho. Estão para lançar um EP nesse início de ano e tenho certeza que virão novos torpedos.
      
                                                                     
                                                                    G. Burkhardt




  
         
        A primeira tempestade veio da pálida Suíça na forma de um simbólico Martelo Infernal carregado em raios apocalípticos impunemente aplicando massivos golpes nas cabeças e nas convicções de quem achava e queria transformar o Metal Pesado numa coisa limpa e extremamente comportada. 
         A atmosfera pesou e nos preparou para a segunda tempestade na forma de uma Nevoa Cética para corromper ainda mais nossas crenças em um Metal sombrio.
       Daí pra frente tivemos climas de mudanças, sopros de rejuvenescimento e respeito pelos deuses que nos trouxeram esses grandes ventos.

      Foi  nessa atmosfera que em 1999, no Rio de Janeiro, mais uma vez Raios Apocalípticos anunciaram a terceira tempestade. Anunciaram que os tempos são outros, para que esqueçamos os sonhos, a esperança de um mundo melhor.
  Estava criada pela cabeça de Leon  Manssur “Necromaniac” a banda Apokalypitc Raids. Idéia torrencial pairando no ar pesado que se condensou em uma demo chamada “Demo Reh March 99”, que recebeu muitas criticas positivas e também acusações de falta de originalidade, mas na verdade antecipava profeticamente o que vem acontecendo em tempos atuais: cada vez mais, hordas brasileiras se reúnem para produzir uma música para reverenciar os raios negros da primeira e segunda tempestade.

            Ao longo de dois anos numa constatação quase obsessiva de que apenas a morte é real e que a vida precisava de uma trilha sonora adequada, lançava-se assim em 2001 a obra completa “Only The Death Is Real”. Seguindo fielmente os corredores de ventos das primeiras tempestades, a questão não era inovar e sim seguir as lufadas assassinas dos mestres de 80, a tosqueira intencional para manter a animosidade que fez com que o Metal se reerguesse e lutasse naquela década. 
          Acompanhado de Pedro Rocha"Skullkrusher”nos tambores substituindo Gustavo “Adrameleck” a banda inicia outros grandes passos devastadores armazenando energia para o "The  Return of The Satanic Rites" soprado em 2003 e trazendo mais amadurecimento em termos de produção, sem jamais perder a proposta de manter a aura Celticana de ventos urbanos.

          Em meio a shows,  A. Aguinaga “Subumbra”, baixista, deixa a banda substituído por Vinícios Canabarro “Hellpreacher”.           
        A Morte como tema inicial, os Ritos para manter a força das negras nuvens para preparar uma terceira tormenta. Em 2005 “The Third Storm - World War III” consolida de vez a pretensão da banda de soar verdadeira. Verdadeira em não seguir modismos, nem se prevalecer da modernidade para trazer uma áurea pesada e sombria. O terceiro trabalho mostrava que a atmosfera estava concretizada, o passo foi dado na consolidação do clima que sempre iria reinar em mais de uma década de dedicação em enviar devastadoras descargas elétricas sobre nossos cérebros. 
   Em meio às mudanças, com a saída de Pedro Rocha"Skullkrusher e entrada de Márcio Cativeiro “Slaughter” e muitas viagens Brasil afora, em 2010 “Vol. 04 – Phonocopia” é lançado para deixar 
rastros, marcas para sempre de uma tempestade de idéias que a muito ultrapassou nossos horizontes. 
         Se a sonoridade e a tormenta já eram intensas, agora com a tríade Necromaniac, Hellpreacher e Slaughterer o chaparrón desceu sobre a  America do sul com o Apokalyptic Raids invadindo vários países em turnê.  
          Desde 2012 vem se preparando para uma Grande Guerra Apocalíptica fazendo um Barulho Infernal com lançamentos de splits em parcerias com o também Hellhammeriano Warhammer da Alemanha e o Agathocles e Farscape do Brasil. 
            Os planos são para invadir a velha Europa, tão castigada por guerras e invernos.  Mas só que essa tempestade virá carregada com as mesmas  nuvens escuras, espessas e compactadas em décadas de tensão atmosférica lançadas por um senhor de nome Guerreiro. 
Aí entenderão porque só a morte é real.






                    






            
                                                                         G. Burkhardt


ACCLAMATUR é : Guga Burkhardt & Nina Burkhardt
Diagramação e Ilustração das capas, colunas Videre, União e Contos Mórbidos: Guga Burkhardt
Agradecemos à todas as pessoas que estão conosco todos esses anos, não é preciso citar nomes, elas presentem quem são.
Bandas nos procurem e mandem material !!!!!!

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