terça-feira, 10 de fevereiro de 2015


Somos homens – bomba


          Explodam e massacrem a África, mas não assassinem dez franceses. É essa a sensação de abandono que nossos irmãos africanos devem sentir em dias que a mídia se voltou contra os atentados dos radicais islâmicos contra a França e promoveu uma comoção mundial com apoio maciço dos líderes mundiais. Mas e a África? A África é pobre, lixo humano como já cantou um dia a banda Stress.O mesmo ocorre recentemente na mídia brasileira, onde a escassez de água no sudeste, principalmente São Paulo, parece ser o único assunto, fora os escândalos de corrupção, nos meios de comunicação. E o que  acham da escassez de água aqui do Nordeste? Como os africanos, a sensação de abandono à anos é a mesma. Portanto somos todos iguais. Terroristas, que brincam com a vida humana, apenas por interesses próprios.É o poder econômico ditando prioridades de forma sectária. E que se fodam, que explodam como explodiram os tantos lixos humanos. Aqui mesmo no espaço virtual, só basta uma frase, um opinião que vai contra os nossos interesses, para que partamos com dente serrados e metrancas e bombas amarradas na cintura, mesmo sabendo que as vezes a bomba vai nos dizimar também. Dizima nossa ética, dizima nossa noção de respeito para com o outro, dizima a liberdade que tanto cobramos. Estamos nos tornando terroristas, cada vez mais xiitas. Não queremos crucificar o demônio numa cruz invertida.                                                     
                                                                             Guga Burkhardt







CORPSIA – THE ORDEM FROM CHAOS – PR

     Mais uma vez o óbvio, o claro, o simples vence o complexo , o presunçoso e o boçal. Corpsia nada significa ao vasculharmos o dicionário, mas segundo a banda é um trocadilho com corpos, cadáveres, mortos. Desde  o desenho da capa feito por Renato Firmino ao som simples mas tenso, disseminado em apenas quatro faixas, sem dúvida deixa mais a sensação pesada de que a morte está mais palpável que a vida. Sente-se próxima na enigmática Intro com uma gravação de uma mensagem de uma rádio AM, de apenas duas frases que se repete por uns 80 anos e ninguém sabe de onde vem e para quem ou para onde vai, concluindo num solitário dedilhado entrecortado por um baixo meio morto. O resto do cadáver vem primeiro com a cadenciada Warfield, com peso e uma boa entonação que aparece em todo o trabalho do vocal de Gabriel Arns Stobe, também guitarrista. Hail um pouco mais rápida, mesmo tendo no meio,um momento lento, viajado, crescendo num quase Doom para voltar à velocidade. E infelizmente já termina com Order From Chaos com a pegada e proposta de um Thrash menos urgente, mais lento e com o peso na medida certa ampliado pela pressão do baixo que foi tocado por Arms. A bateria e divisão nas composições a cargo de Daniel Scalone.Nada revolucionário ou inovador, música pesada e apenas isso (ainda bem), mas a energia de  como deve ser a banda ao vivo, eles conseguiram registrar fielmente nessas faixas. É revigorante saber que ainda somos os mesmos !

                                                                                     G. Burkhardt



MORFOLK - ...UNTIL DEATH - SP

     O inicio de Shadows Of Fear  nos faz perguntar por quem os sinos dobram. Eu não sei, mas sei que o Death Metal do Morfolk foi feito para dobrar ,no sentido de quebra, todos os modismos que o som brutal se preocupa em colocar atualmente. É um Deathão direto raçudo, com uma pagada forte e empolgante. Conheci a banda numa coletânea com a música W.W.W. (World Wide War), gravada aqui nesse trabalho. Uma faixa que me chamou a atenção pela espontaneidade que a música passava. E não me decepcionaram com esse trabalho, pois é esse o sentimento que passam, atitude e sinceridade no que fazem. Pancadaria, tenso, um grande vocal de Walter Rômulo, guitarras pesadíssimas de Reinaldo “Tio” (solos) e Gabriel Grisolia, Ryan Roskowinski imprime peso no baixo e Daniel Sanchez espanca com categoria e uma incansável ira a sua pobre bateria. 
      São 08 grandes faixas, a primeira já citada no inicio desse texto, One Against All e Hate Beyond The Pain. Seguem depois duas faixas cantadas magistralmente em português, Desordem e Alienação, seguidas da já citada W.W.W. (World Wide War), depois Bloodlust e fecham com a mais fudida do cd, Reign Of Terror, um hino veloz e carregado de ódio sobre Elizabeth Bathory, figura já tão cantada e declamada, não poderia ter uma banda melhor do que Morfolk, tão decidida a eternizar mais uma vez a sua mórbida história. 
        Morfolk ...até a morte !
                                                                       G. Burkhardt



VISCERAL SLAUGHTER – CAEDEM – AP

    A Intro é de puro silêncio, total vazio. Explico: uma homenagem póstuma  ao guitarrista Heliton Costa  Coêlho da banda Anonymous Hate, já que todos os integrantes do Visceral Slaughter faziam parte dessa banda e decidiram acabar depois da morte do integrante e formaram essa máquina de Death tradicional, com velocidade acima da média, principalmente pela bateria cheia de blast beats impressionantes de Alberto Martínez. Com a introdução são 09 faixas, pesadas, com muita pressão, gravadas no Khaoz Studio no Amapá em 2013. O nível das pancadas estão acima da média, portanto nenhuma se destaca realmente por serem uma aula do estilo e mais uma vez nos ensinadas pela região norte do país.Um detalhe que gostaria de destacar é o baixão nervoso de Romeu Monteiro, que num momento rosna solitário acompanhado apenas pela bateria em Blood And Pain, é foda!  
Um outro destaque é o trabalho de arte da capa, muito foda , feita pelos artistas Rogerio Araújo e Fellipe Fonseca. Grande vocal de Victor Figueiredo e guitarras no talo de Fabrício Góes. Portanto tudo o que você vai encontrar aqui é a maldade típica do Metal da Morte.

                                                                      G. Burkhardt




GREAT FLESH MIND – DISFIGURED AND LACERATED – DEMO – PE

        O ano de 2015 começa com uma pedrada Death Pernambucana arremeçada sem piedade pela Great Flesh Mind, formada em 2012 em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana de Recife,sem sombra de dúvida com  a intenção de  reverenciar os grandes mestres do Metal Morte. 
     A maldade começa com uma introdução cheia de barulhos nervosos que nos instiga a imaginação e antecede Next Victim com marcações mais cadenciadas alternando partes mais rápidas. Disfigured And Lacerated, Last Adoress, Rot Insane e a faixa que dá nome a banda Great Flesh Mind seguem essa estética em todo o trabalho, de manter uma boa dose de velocidade e os momentos “lentos”, principalmente na última faixa citada que começa com um clima totalmente Sabathiano, influência talvez de Fabio Farias (guitarra e Backings vocals) e Milton Ferreira (bateria) que também são membros da banda de Doom Metal, Destiny Old Die, outro grande expoente do Metal pernambucano e já resenhado nesse podre informativo. O baixo e vocal fica por conta de Gilson Gonçalves. A produção deixou o som um pouco abafado e sentimos um pouco falta de mais pressão da bateria. Mas é um cavernoso trabalho de Death Metal, sem dúvida!

                                                                        G. Burkhardt



PANTÁCULO MÍSTICO – VELADO POR ENTIDADES
                   
           Pantáculo é uma formação geométrica, um desenho ou talismã onde são inseridas símbolos que em conjunto atraí ou emite energia mística. A banda está de volta em 2014 com esse excelente trabalho de Doom Metal seguindo a linha mais pagan, e esse é sem dúvida o clima dessa grande banda cearense com letras  que discorrem sobre misticismo. A Intro“Canalisando Energias nas Dimensões do Além” parece realmente nos preparar energeticamente para a tempestade lenta e sombria que virá pela frente com a segunda música “666+777 – A União do Treze” com sua áurea sobrenatural tratando de tema cabalista, com o vocal gutural de Lidio Barros perfeitamente audível e carregado de escuridão. A faixa título começa com um belíssimo piano, tratado majestosamente por Tork Highhill por todo o cd, voltando em poucos segundos para o Doomsão sempre clímatico e finalizando com “Magnitude Oculta”, com o baixo de Cícero Rui marcando mais presença ajudado pela bateria de Moises Souza. Nas guitarras, Leandro Rodrigues(base) e Compta Septen (solo) também se apresentam firmes com bases pesadas, porém senti falta de um solo daqueles de arrepiar típico do Doom Metal e que  é capaz de trazer a tona o nosso verdadeiro espírito. Um discaço! Material gráfico de primeira (digipack), uma arte de capa também muito boa e dentro do tradicional (infelizmente o artista não está citado no cd) e uma produção foda, com os instrumentos totalmente perceptíveis e pesados.Mais uma grande banda do grande cenário Doom brasileiro !

                                                                                         G. Burkhardt



EPILEPSY – ZUMBIS (ESCRAVOS DA SUBSTÂNCIA)

        A cada dia eu fico mais fã do Metal que estão fazendo na região norte. O que eu tenho recebido, principalmente na linha Thrash, são bandas sem concessões, com uma única intensão no seu som; pancadaria sem sutileza., violência bruta. O Epilepsy vem de Boa Vista - Roraima e essa demo contêm quatro faixas, uma intro... Do Inconsciente ao Medo, Adentrando a Insanidade, com uma linda guitarra chorando em meio ao dedilhado fazendo intencionalmente um contraste total com a malévola Desalmado seguida da rapidíssima Violência com riffs e uma bateria perfeita de Michel Magalhães, para o estilo, com uma entrada fuderosa de Adriano Abreu no vocal que também é  guitarrista, enfatizando a parte lírica que trata dos temas sempre realistas. Finalizando com a música que nomeia essa demo, o Epilepsy faz exatamente o que uma banda tem que fazer: empolgar-nos até ficarmos imaginando como deve ser foda uma banda dessas ao vivo. Complementam a ignorância sonora Leon Cândido no baixo e Simon Mahara na outra guitarra. O material gráfico vem com poucas informações em forma de envelope, mas a sonoridade que é o principal é recomendadíssima

                                                                                G. Burkhardt



MALIGNITUDE – SONS OF INFERNAL LAND      

            Maligno totalmente é o som provocado por essa horda, que transpira crueza misturado a ódio com muita classe. E a terra infernal que talvez eles citem no título, seja a escaldante Terezina – PI, cidade de origem do Malignitude. A banda é formada apenas por Pervertum e Nephastormm e os dois descarregam sem trégua uma enxurrada de hinos de guerra, maldosos, porém com algumas inserções de melodias que tornam o trabalho viciante e nada cansativo começando com “The Barbarian Song”. Mais uma vez pego um trabalho de Black Metal na linha que mais gosto: ruindade carregada de uma puta noção de melodia, coisa de quem provavelmente bebe ou já bebeu muito na fonte dos grandes mestres do Metal tradicional. O baixo na “And God Walks In My Ground”e “Night Of The Conquerors”é simplesmente foda, vai de cabo à rabo no braço fazendo o papel que o instrumento fazia nas bandas de 70 que era o de conduzir a melodia.Alias ele faz isso durante todo o cd e é o destaque do trabalho. Depois vem a quarta “The Gates O fMisery”, sem conseções, bruta! A próxima “Under A Blasing Sun” é uma pequena viajem instrumental, uma calmaria, durante a tempestade. “Sons Of Infernal Land”encerrao inferno que nós fomos jogados,com uma pegada durante o solo de guitarra, meio Motörhead,e terminando com a letra em português, mostrando a versatilidade do trabalho. Pervertum é o baixista, violonista, guitarrista, programador de bateria( que está muito bem encaixada) e design da arte do cd e Nephastormm gravou os vocaisfudidos. A banda existe desde 2008 dando uma parada em 2009 e retornando como projeto em 2013, já que os dois músicos estavam morando em estados diferentes.
Que o sol do Piauí continue destruindo o cérebro desses artistas para que continuem a criar produtos tão infernais como esse.
                                                                     G. Burkhardt




ABOMINATION WIDE – HYPOCRITES MUST DIE

          Banda do Rio de Janeiro onde não faz concessões ao peso beirando ao Thrash e em alguns momentos até o Death no instrumental. A primeira faixa dessa demo de 2014, começa com um teclado fúnebre entrando depois riffs poderosos e pegajosos, “Kelly IsDead”fala sobre um crime que ocorreu no ano passado em um campo de paintball. A pancada continua com “Flight To The End (Warriors)”com bases mais amarradas e minimalistas, mas com uma bateria aceleradíssima. “Pedophilies Motherfunckers” já era uma “velha” conhecida já que a banda já havia me mandado esse som para divulgação e é a mais grudenta, com riffs diretos e empolgantes, a faixa mais variada do cd e até com uns momentos meio loucos, provocados por umas paradinhas e narração do baterista Elvis Yulevar Barreto, também contando com a participação do vocal deMarco Anvito da Hicsos. Aí vem a música título “Hypocrites Must Die”e a coisa descamba para a pura ignorância. Por fim soltaram para finalizar a faixa “SoldierFireAct”com toda certeza uma viagem insana de Paulo Rock Maia, vocal e guitarra e responsável pela produção dessa demo. Completam a banda Maurício Machado no baixo que não ficou escondido em meio a massa sonora. Como em algumas gravações atuais.
                                                
                                                                      G. Burkhardt



CADAVERISE- THE MOST HAUNTED CEMETERY SONGS
                
          Black/Crust/Punk a melhor definição para o som do piauiense Cadaverise, a demo lançada em 2014 . “ArmagedomIs Come” já tem essa pegada na bateria de Deathhammer, mas fica ainda mais foda quando entra o refrão mais lento e a guitarra de Chakal Butcher666 “serrando” insistentemente. “Vulcano Will Live Forever”uma ode ao Metal negro oitentista. Finalizando com “At War WithVenom”, que não requer maiores explicações do conteúdo lirico e com o vocal de Nephasthorm (Malignitude) e baixo de DeathThrash marcando de uma forma mais forte o trabalho. Produção mediana e Layout de Nephasthorm, em formato envelope earte muito simples de Hugo Thiago.Mais uma podreira feita com sangue e vontade vinda do Piauí.

                                                                                                G. Burkhardt




 BLACKNING – ORDE OF CHAOS


     Thy Will Be Done chega com tudo e já apresenta a proposta do Power trio Blackning de São Paulo, que é fazer um Thrash vigoroso. Cleber Orsioli, que saiu da Andralls, comanda a guitarra e vocaliza sem muito exagero, imposta a voz de forma firme, mesmo que na  gravação ficou um pouco atrás em relação aos instrumentos, Elvis Santos (ex- Poswar) espanca os tambores e Francisco Stanich (ex- Woslom) arranca as quatro cordas.
   A segunda, Terrorzone mantém o poderio com passagens rapidíssimas e bases matadoras, Unleash Your Hell é mais cadenciada, Against All continua a cadencia e com riffs fuderosos. Quando entra Death Row você até acha que a banda vai se manter nessa linha e aí a coisa dispara numa avalanche de riffs mais uma vez, velocíssimos, entrecortados de uma parte mais melódica para a entrada de um belíssimo solo de guitarra. E seguem com Silence Of The Defeat, Devouring The Week, Censored Seasons e Killing Or Being Killed. Finalizam com Children Of War, cover do Overdose,  que com uma pegada Thrash ficou muito foda. A produção e mixagem ficou a cargo Fabiano Penna e o cd ainda vem com um clipe muito bem produzido com a música Thy Be Done.
      A parte gráfica também é muito bem feita com encarte com as letras e desenho de capa muito foda do artista Marcus Zerma da Black Plague Design.
       Para aqueles que acham, como eu, que Thrash é pra ser tocado com raça.
                                                                    
                                                                  G. Burkhardt




CADAVERIC INFECTION- FUCK-OFF-GOD-ALIVE

      Se é de blasfêmia que vive o Black Metal, o Cadaveric Infection tem muitos anos de vida, porque nesse trabalho gravado totalmente ao vivo,nas músicas e no  intervalo entre elas, William Seth (vocal e guitarra), cospe , vomita, escancara suas convicções negras. E no meio de onze insultos a velocidade escancarada, com a ajuda da bateria de Lord Occult, se faz reinar. O único porém é que o meu gosto pelo que considero o instrumento mais importante para encorpar as músicas, deixa-las mais pesadas e fechar todos os possíveis espaços, o baixo, não se encontra nessa formação, é apenas guitarra e bateria, deixando aquele som demasiado seco e árido. Mas o mais importante é o registro ao vivo dessa banda respeitadissíma do Black Metal pernambucano, mostrando que ao vivo o poder emana. Isso sem falar da criativa arte do cd, em papel, com um formato de dvd, diferenciando o lançamento e mostrando o lado criativo da banda para fazer rodar seu material em tempos tão difíceis de downloads.
                                                                   
                                                                                          G. Burkhardt




MAUA- CONSCIENCE
                                        
          Não sei porque temos aquela insistência de rotular algo inrotulavel. Já vi chamarem o Maua de Tecnical Death Metal... ? Será ? É técnico pra caralho, mas cheio de manha, cheio de detalhes que cairia mais para um som experimental pesadíssimo e muito inspirado e que nos livra de rótulos e que nos leva a simplesmente querer prestar atenção no peso e nos detalhes que surgem a cada música. A demo começa com Bitch uma faixa cheia de quebradeiras, vocal gutural, rasgado e até quase declamado no final da faixa, recurso que repete em vários momentos do cd. A próxima Probably The End já entra na cacetada, mas com uma guitarra bem experimental e grandes riffs, onde o peso impera em meio a um groover animal. Com um dedilhado entra The Awake In The Beginning Of The End seguida mais uma vez de riffs potentíssimo, cadencia onde a bateria dá um show a parte de variação e peso o mesmo acontecendo com Nothing Is Like Same com uma pagada quase Thrash principalmente por “culpa” da bateria e sem descanso, mas dando uma treguazinha no inicio com outro dedilhado e um baixo viajando junto, Relief talvez seja a música que melhor define o Maua, com uma introdução quase progressiva , um momento com umas batidas mais modernas e muita criatividade e até uma bela melodia em meio a insanidade. É ouvi, parar, para depois se matar no meio do show.

                                                              G. Burkhardt



UNHALIGÄST – (WE ARE) THE UNHOLY GHOSTS

           Primeiro eu ficava pensado onde porra esses caras encontraram esse nome impronunciável. Ao me deparar com o maldito título do cd é que caiu a ficha e finalmente passei a decorar e compreender o nome da banda. Pois é, os fantasmas profanos apareceram com seu Metal totalmente inresponsável, principalmente por conta da guitarra sem vergonha, já apresentada por Armando Executor “The Gravedancer” e seus slides embriagados no MadDög,. O vocal dele é carente daquela agressividade típica de hoje, muito diferente do vocal que ele apresenta no Flagelador, sua banda principal (?), despojado, seria a melhor palavra para defini-lo .O som no geral tem um aquela garra e simplicidade de 80 misturado com algo de 70, principalmente quando entra um órgão escroto e mal intencionado, masturbado por Bruno Lima. A formação é power trio completada por Sub Umbra “No Class” no baixo e Bitch Hünter “The Speedfreak” na batera e que também faz guitarra solo em “Warrior Of The Night” e “The Hell Child”.
            Pegando carona no som do finalzinho de 70 e começo de 80, é claro que a maior influência no som da banda tinha que ser o Motörhead, basta ver o nome entre aspas dos integrantes para perceber isso. Mas não para no velho Motor, tem muito Stooges na safadeza, malicia desenfreada onde o clima é meter o pau na madeira e curtir entre correntes, couro e muita cerveja fétida. Alguma proposta nova? Não, mas como é bom ser irresponsável nos dias de hoje!

                                                                           G. Burkhardt



KORZUS - LEGION

      A primeira coisa que me chamou atenção nesse novo trabalho do Korzus, foi a batera esplendidamente variada de Rodrigo Oliveira. São bumbões entrecortados por viradas inteligentes e que conseguiu se destacar muito, mesmo em meios aos riffs inspiradíssimos de Heron Threch e Antonio Araújo, o que já é uma tarefa árdua para um baterista de Thrash Metal. Um exemplo disso é na faixa Six Second e no inicio de Die Alone, com viradas em meio ao dedilhado da guitarra. 
    O Korzus sempre foi uma banda que namorou as várias tendências do Thrash, da tradicional vertente americana ao sacal pula – pula, com isso deixando sua discografia um tanto irregular, mas nem por isso o impedindo de produzir grandes clássicos. Como a tendência atual do Thrash é a velha escola, o Korzus desde o último trabalho, nos oferece (ainda bem) uma aula bem próxima dessa escola, em todos os sentidos. Porque, não é apenas uma repetição de fórmulas o que vemos no discaço, é sim guitarras ultra inspiradas, composições cheias de detalhes e o principal: peso, muita agressividade e pegada. Desde a primeira faixa Lifeline com uma bela introdução, a velocidade de Purgatory, com um refrão foda até a cadenciada no melhor estilo americano de Devils Head, terminando de forma primorosa com o dedilhado de Legion, mostrando que as guitarras no Korzus são um conceito à parte, se cercando de muita personalidade e adentrando num clima mais cadenciado e com uma melodia fudida. Marcello Pompeu mostra que experiência é tudo e seu vocal é mais do que suficiente para representar o lirismo do Korzus.
          Gravado no estúdio Mr. Som em São Paulo e com a produção como sempre impecável de Heros Trench e Marcello Pompeu
            Quando nos idos de 1984 escutei Guerreiros do Metal e Príncipe da Escuridão, percebi que ali estava uma banda que sabia o que fazer e aonde chegar. E o Korzus chegou!

                                                                        G. Burkhard








A Vocífera é uma banda de Hellcife formada apenas por garotas e que faz um Death/Thrash vigoroso.Passando atualmente por uma fase de mudanças e prestes a lançar seu primeiro trabalho completo. Conversamos com Marcella Tiné, baterista e uma das idealizadoras da banda.



Relate um pouco a história da banda, o começo, a formação...
                           
Marcella: A banda teve início comigo, Erika (guitarra) e Lidi (guitarra). Tocávamos juntas em outro projeto e tínhamos o desejo de fazer música mais pesada, pois nós três curtíamos metal. Começamos a dedilhar algumas notas e dar forma a banda, sempre procurando uma vocalista e baixista. Conhecemos Angela, por intermédio de outra amiga e seguimos ensaiando e buscando uma garota para o baixo. Uns meses depois, Amanda chegou pra completar a cozinha da banda.
Hoje a formação está um pouco diferente, no baixo temos Eveline e em breve anunciaremos a nova vocalista.


Qual a influência musical de cada membro da banda ?

1ª formação: Lidi, Marcela,Ângela,Erka e Amanda
Marcella: Todas nós temos influência de vários estilos dentro da música pesada, não só do death e thrash, mas também do hard, heavy, grind, black, stoner, doom e por ai vai. Posso citar como influência comum a todas as integrantes bandas como black sabbath, iron maiden, slayer, obituary, possessed, benediction, kreator, destruction, napalm death, death, venom, hellhammer,
carcass e tantas outras bandas que dá pra escrever uma página inteira!

O que vocês abordam na parte lírica ?

Marcella: Nossas letras falam sobre pirações humanas, vivencias e retratam o mundo em que vivemos: medo, rancor, ódio, ganancia, paixão, obsessão, fetiches, lombras... São letras que tocam pesado no cerebelo e que no fundo todo mundo tem um pouco de cada coisa dessas dentro de si.


Mesmo que isso não seja  mais tanta novidade, ser uma banda formada só por mulheres, no começo  ajudou ou atrapalhou em termos de exposição?


Marcella: Uma banda formada só por mulheres ainda chama atenção, mas acreditamos que esse fato não é algo primordial pra ter reconhecimento se você não fizer uma boa música, apenas o fato de ser uma banda com mulheres integrantes é algo que não se sustenta por si só, então nem ajudou, nem atrapalhou. Não divulgamos a Vocífera como "banda de death/thrash feminina". A Vocífera é uma banda de death/thrash e ponto. Queremos ser reconhecidas por nossa música somente e não pelo nosso gênero. Música não tem sexo e deveria ser encarada como tal. Acho engraçado é que nunca fazem esse tipo de pergunta pra bandas que são formadas por homens.

Não perguntam porque 99% das bandas de Metal , eram formadas por homem. E o que dizer de hoje com bandas brutais formada totalmente por mulheres? É normal que ainda cause curiosidade na mídia, mesmo a especializada. Por isso a pergunta sobre o que atrapalhou ou ajudou em termos de exposição no inicio da Vocífera, porque vejo bandas injustamente criticadas, por puro preconceito de gênero, não acha?

Marcella: Completamente. Algumas pessoas se preocupam mais em rotular a banda do que parar pra ouvir, sem estar carregado de um pré-conceito.
Engraçado que esse tipo de coisa não rola em outras cenas, como no MPB, Samba, Hip Hop, Forró, etc. Ninguém faz esse alarde se a banda tem vocal feminino, ou se é só formada por mulher.
Temos que nos ligar mais na música, na mensagem das letras e menos no gênero sexual.


Certamente!


 Como está o processo de gravação do full-lenght com a saída da vocalista Ângela e qual o motivo dessa saída tão de repente?

Formação atual: Marcela, Eveline, Lidi e Erka
Marcella: Estamos na fase de mixagem do instrumental, não paramos de trabalhar com a saída da Angela que se deu por divergência de postura e prioridades. No momento estamos fazendo testes com algumas pessoas e muito em breve será anunciada a nova integrante e assim concluiremos o álbum, o plano é lançá-lo ainda no primeiro semestre.







Em Petrolina, empunhando a camisa do Acclamatur
A banda se apresentou bastante em 2013 e 2014, inclusive acho que foi a banda pernambucana que mais tocou nesse período, com toda a experiência de palco e comparando com a demo, o que vocês acham que virá diferente no som da Vocífera?

Marcella: Acho que amadurecemos musicalmente nesse tempo. Sonoramente o novo álbum está mais coeso, pesado e as letras mais profundas. Estamos trabalhando nele há quase 1 ano, pois muita coisa aconteceu e acabou atrasando o lançamento, mas isso foi bom, pois nos deu tempo de lapidar melhor tudo, analisar, ajustar o que era necessário, refazer coisas. Esse novo trabalho terá um tom conceitual e estamos curtindo o resultado.






Dentro das atuais dificuldades de espaços descentes para shows, principalmente aqui em Recife, na sua opinião, qual a saída para que Recife volte a ter espaços razoáveis pras bandas se apresentarem?

Marcella: Recife tem muitos espaços legais pra se fazer evento, a questão é que na maioria das vezes só se opta pelo Recife Antigo, que é um local sem muitas opções hoje. Uma solução básica seria fazer shows em outros bairros da região metropolitana, por exemplo. Há diversos espaços, com diversos níveis preços. Até alguns eventos já acontecem em Camaragibe, Cordeiro, Jaboatão Centro, etc.
Mas na cena temos diversos problemas que vão além disso, por exemplo, a falta de participação efetiva do público nos shows undergrounds, o que resulta sempre em possíveis prejuízos pra quem produz, então é  um risco fazer um evento num “espaço melhor” (consequentemente mais caro).
O underground é um organismo vivo e ele precisa ser alimentado por todos que nele vivem: público, produção, bandas. Esperar que a apenas a produção resolva este problema gera esse desequilíbrio.


Você falou que o trabalho novo será conceitual, fale-nos a respeito do conteúdo e o tema que será abordado nele.

Marcella: Neste novo álbum criamos as letras em cima de temáticas mais humanas, coisas como fetiches, vingança, ódio, loucuras, medos... O título e arte da capa foram pensadas também para casar com isso e assim ter o conceito completo. Assim que sair, vocês verão.


Já tem título?

Marcella: Já temos o título, capa pronta, quase todas as músicas mixadas, mas por enquanto vou deixar no suspense o nome! (hahahaha)

Valeu Marcela e aguardamos ansiosos por esse trabalho. Fique a vontade para colocar algo mais para os admiradores da Vocífera.

Marcella: Eu que agradeço o espaço para falar sobre a Vocífera, é legal termos de volta um canal tão massa pra divugação do underground pernambucano.
Aos admiradores só tenho a agradecer muito o apoio de sempre e que tenham só um pouquinho mais de paciência que em breve o CD novo será lançado e voltaremos aos palcos. Stay brutal!














     
       
        Era de se esperar que num meio tão tradicional de religiosidade mineira algo tão sombrio e desafiador surgisse algo ainda primitivo, mas com uma energia tão negra que era inimaginável que estaria saindo de um bando de guris. Talvez guris obsidiados pelas negras hostes que ainda estavam se definindo pelo velho continente, naqueles idos tempos de 1984. Max, Igor, Paulo e Jairo gravaram com toda bestialidade devastadora o que ainda iria se definir como Death Metal Brasileiro. O Bestial Devastation. Foi nesse momento cavada a sepultura para a arte dos falsos, pois nada no Brasil existia de tão brutal e obscuro musicalmente. 

             Entre Necromances, Anticristos e Guerreiros da morte, o lirismo satânico e a música ainda tosca e com os viciantes riffs do Metal alemão, o Sepultura invadiu todo o país. Em 1986 a palavra da vez era morbidez, clima muito bem definido por Mr. Warrior, um dos gurus do Sepultura. Por isso Morbid Visions veio como uma vidência do futuro, um trabalho completo sem resignação, querendo plantar a sensação de terror nas tradições não só mineiras, mas no mundo. E conseguiram chamar a atenção nos outros continentes, aqueles tambores violentando a tranqüilidade de uma tarde de domingo, aqueles vocais vomitando nas missas matinais, e aqueles riffs crucificando os hinos religiosos, chamou a atenção do mundo. 

Numa época impossível de fazer turnês fora do país, o Sepultura se concentrou em tocar mais no eixo Minas-Rio-São Paulo, até que a repentina saída do guitarrista Jairo, arregimentou Andreas, e em 1987 saíram em turnê pelo Nordeste já se preparando para lançar o Schizofrenia, terceiro compendio de violência sonora que agora, por influência das seis novas cordas, mostra um trabalho mais técnico e mais Thrash que os anteriores e com mais influência ainda dos ataques alemãs. Provado o esquizofrênico nível de criatividade e brutalidade, os quatro partiram para a America e descarregaram um trabalho mais escuro, pesado, como tinha que ser pesado a sensação de sete palmos de terra nos enterrando numa Sepultura. Estouraram de vez, chegaram aonde nenhuma banda de terceiro mundo chegou com Beneth The Remains. Excursões vieram, invadiram a Europa e começaram a ditar regras de estética brutal.

  Hipnotizaram Massas Lobotomizadas e Escravas do Sofrimento que estavam Esfomeadas Embaixo dos Restos de um Futuro Primitivo, para conduzi-las a verdadeira e questionadora arte. 






      Um novo ascender viria em 1992, a obra Arise continuou a ascendência para o patamar das lendas do Metal Pesado, em cada recanto, em cada buraco, em cada deserto desse planeta, o Sepultura chegou. Foram expandindo a sua influência e acompanhando as vibrações dos sons que emergia de outras mentes criativas do planeta. 
         Caos A.D. desacelera em alguns momentos, industrializa o primitivismo que ainda margeava a banda, minimalizou os riffs, mas ainda assustava o peso impresso pelos quatro. Até que incoerentemente, segundo dizem, Max parece querer buscar as suas raízes


em tambores afros, cantos indígenas, se afastando da pureza e velocidade do Thrash/Death criado pela banda, viajando em balanços, instrumentos e músicos que descaracterizavam a áurea negra que tantos anos envolveu a banda e se lançou num emaranhado de músicas que viria criar o estilo de metal mais odiado pelos metalers, o nu metal. Daí uma serie de problemas pessoais, de escândalos, intrigas familiares levou a bancarrota a banda, com a verdadeira mente criativa da banda, Max Cavalera, deixando ou sendo expulso do Sepultura. O restante convocou outro vocalista e adentrou num limbo criativo que já dura 15 anos. E essa história só vale ser contada antes das Raízes da destruição serem plantadas. E que aquela antiga Sepultura sirva de um marco para sabermos o quão perenes somos e que se adentramos no nosso próprio túmulo temos que aprender a conviver ou matar os nossos próprios fantasmas.


                                                                           G. Burkhardt

ACCLAMATUR é : Guga Burkhardt & Nina Burkhardt
Diagramação e Ilustração das capas, colunas Videre, União e Contos Mórbidos: Guga Burkhardt
Agradecemos à todas as pessoas que estão conosco todos esses anos, não é preciso citar nomes, elas presentem quem são.
Bandas nos procurem!!!!!!

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

                  
     

                           De volta ao mundo físico


 Aqui estamos no final desse ano que esfria. Retornamos para o mundo físico, que já era nosso plano desde que criamos esse blog. O zine está aí nas ruas. Papel contestatório, arte marginal muito longe de ser uma revista. E é assim que queremos.
O prazer de grampear, xerocar, traçar desenhos, colar. é como a montagem de uma escultura. Pouco a pouco vai tomando forma.
Sem pretensão de tiragens enormes. é pra chegar onde deve chegar. Para quem merece chegar. Espero que você seja um deles. É um zine feito por quem deve fazer um zine: um fã. É isso e só.O blog permanecerá como o espirito que ronda, mas de uma maneira diferente do que normalmente acontece, será ele que alimentará o físico.

                            G. Burkhardt






EM NOME DO MEDO- A BRAZILIAN TRIBUTE TO MOONSPELL

     Confesso que sempre achei o vocalista do Moonspell, Fernando Ribeiro, um chato de galocha com papos intelectualóides parecendo querer impressionar nas entrevistas e se mostrar como alguém muito culto.Como não consigo separar o criador da criatura, o resultado é que nunca dei muita atenção à banda. Por isso precisou de um time de peso, de grandes bandas do Metal brasileiro para reatar minha atenção ao Moonspell. E isso elas conseguiram com toda a certeza.
Força mostrada logo de cara com duas faixas extraídas do Under Satana, onde o Malkut daqui de Pernambuco, conseguiu dar uma crueza e maldade em Tenabrarum Oratorium muito maiores do que a original e o Capricornian com Opus Diabolicum , conseguiu colocar melodia num vocal sujo  onde a “letra”na original é mais narrada. 
             O Pátria não poderia ter escolhido tema melhor do que Wolfshade que ficou perfeita para seu peso e sua peversidade Black Metal. É o mesmo caso do Soturnus que tirou uma música do mesmo disco “Wolfheart” e sabiamente adequou para seu estilo vocal hora esganiçado hora mais melódico.                 Agora, sem sombra de dúvidas o Malefactor produziu uma obra prima com uma enjurrada de  riffs tradicionalíssimos e fez de Alma Mater um dos momentos mais  arrepiantes desse tributo. 
           Do álbum Irreligion o As Dramatic Homage trouxe toda sua áurea progressiva em Full Moon Madness, outro momento máximo do cd, principalmente ao recitar parte da letra em portuguê. Já o Silent Cry passa um pouco morno com uma versão nada a acrescentar de  Opium. 
         O Hellight, uma das maiores entidades do Doom Metal brasileiro, mais uma vez, assim como em outras interpretações como já fizeram do Sabbath, Pink Floyd, Queen e até Neil Young, colocaram sua personalidade de forma  impressionante e com isso transformam tudo que pegam em uma música pesadissima e melancólica como o Doom tem que ser. E mais uma vez o Irreligion passa a ser bem representado. O Ravenland transformou a moderninha e meia dançante Magdalene, numa canção de clima gótico pesadão e ficou fantástica com as participações da percussionista oriental e tribal Bety Vinyl e da vocalista Naiça Mel que cantou em trazendo um clima bem oriental à música.
          O Veuliah com In And Above Men volta enfatizando o lado negro do Moonspell com uma versão até certo ponto crua mas com muito clima.  E Alex Voorhees vem com um pegada quase industrial/gótica para From Lowering Skies elevando a música com toda a sua experiência vocal.
          O Apocalyptchaos com Everything Invaders não muda muito na estrutura do original, apenas acrescenta mais peso, bem mais. E mais uma vez o termômetro emocional sobe com a versão de The Southern Deathstyle do HateEmbrace também de Pernambuco que no meio da música muda completamente o arranjo para uma percussão com clima nordestino, algo que a banda já vem testando desde o seu último lançamento Sertão Saga.E funcionou muito bem levando para a música um clima bem ritualístico. 
        Seguindo com a pancadaria de  Inner Demons Rise (PE) tocando com maestria Finterra e mantendo toda a agressividade do original. E quando tudo parecia definido, O Kataphero traz o que para mim éa música do cd, mais densa, bonita e sem esprança, com clima de desamparo principalmente quando entra o vocal feminino. E a banda optou em fazer a versão sem que alguns integrantes tivessem sequer escutado a versão original, o que eu acho que contribuiu muito para a originalidade da faixa e talvez por isso Once it Was Ours ficou essa obra prima. 
          Depois vem o deathão pesadíssimo do Obskure que tratou Night Eternal com a brutalidade que eles tratam a maioria das músicas que se propõem tocar. E ficou foda. E o Raiser com Lickanthrope fez, digamos assim , o seu dever de casa.
          Terminando a obra, uma das revelações de 2014 o projeto Burn In Pain de Alcides Burn vocalista do Inner Demons Rise e Danilo Cabral do Malefactor que fecha o trabalho com a música Em Nome do Medo, e simplesmente arrepia,trazendo outro grande momento e fechando o cd com maestria e classe com a mistura de melodias e desespero que essa música ampara.
              Uma produção da Heavy and Loud Press e The Burn Produções de Alcides Burn que também é designer e também contribuiu para a capa, com uma belíssima e negra ilustração onde a figura fantasmagórica está acompanha de um lobo ibérico e um lobo guará, representando a aliança luso-brasileira nesse que é sem dúvida um dos melhores tributos lançados no Brasil e talvez no mundo levando-se em conta a qualidade das bandas e suas interpretações me obrigando a ser  ser fã do Moonspell.Mais uma vez eu digo: pena que não vai sair o físico.

                                                                                 G. Burkhardt




AGRESSOR – DEMISE OF LIFE

      Quando em 80 tive contato com o Agressor através da demo Destruição Metálica, logo aquele Thrashão com letras mais politizadas e um vocal meio hardcore, me pegou na veia. Porém na segunda demo Kill Or Die optaram por cantar em inglês. Aí peguei uma longa briga via correio, onde no envelope da primeira carta escrevi em letras garrafais: Speak Portugueses Or Die, numa alusão ao disco do S.O.D. que fazia sucesso na época. Entre discussões que duravam meses para serem rebatidas já que o sistema era o de carta, o tempo passou e em 2010 dei uma sacada no cd Victim of Yourself de 2006 e percebi que apesar de tantos anos a pegada furiosa continuava a mesma. Voltei a entrar em contato com Paulo,(baterista e fundador da banda), agora claro, pela internet e até rimos daquele tempo de discursões sobre idiomas no Metal. Mas essa introdução é apenas pra entendermos como é importante alguém ter uma história e mais do que isso se manter durante tantos anos com dignidade e força. Por que se é uma coisa que o Demise of Life lançado em 2014 tem, é força, com aquela pegada Agressor, que quem acompanha a banda desde os primordios sabe do que estou falando. O prazer foi maior quando vi em meio as tijoladas ,Morte Em Vida, Belo Morte e Terra Sem Lei, petardos atirados em português e de forma magistral  para mostrar que as letras inteligentes, críticas e altamente cotidianas do Agressor continuam intacta e que são facilmente captadas e interpretadas na nossa língua. Gosto de pensar, na minha peitica (expressão nordestina para persistência), mesmo podendo ser presunção minha, que o retorno dos nossos contatos em meio a fase de composição , tenha inspirado a banda à voltar a compor na nossa língua. Água mole em pedra dura...Mas não importa se é em português ou inglês, porque é Thrash de primeiríssima grandeza. Produção da própria banda ,prevalecendo peso e timbragem e arte do encarte  com letras que tratam de meio ambiente, política, corrupção e temas ligados principalmente a sociedade brasileira e que se transforma num belíssimo pôster, traz ainda mais vontade de ter esse cd físico.A formação conta com Paulo com um Vocal fuderoso e bateria furiosas (único remanescente original da banda), Alexandre  nas belíssimas guitarras solo & base, backing vocal, Gustavo Lima no baixo e Zaror nas ultras guitarras base. Ispique portchuguise or daí !

                                                                                   G. Burkhardt



IAMÍ – LUZ E SOMBRA

           É interessante observarmos que o Black Metal é o subgênero mais diversificado dentro de tantos no Metal e isso soa um tanto estranho já que é o que possui um público mais radical. Mesmo assim temos escuridão para todos os gostos com diversas formas de expressão dessa música negra como os sinfônicos, raws, Darks, atmosféricos e tantas vertentes mais. Para quem está familiarizado com investidas mais dungeonsynth, ou seja, aquelas paisagens atmosféricas a base de teclados, o Iamí segue muito nessa vertente, mas com a maioria das faixas mais ríspidas. 
       O Iamí já lançou a demo Crença Profana em 2013 e é o projeto do Paranaense de Maringá, Rômulo Machado, que tocou todos os instrumentos, escreveu as letras, fez o designe da logo, desenhou a capa numa tentativa de ter total controle da sua obra, já que como que explica o artista no realese que veio junto com o cd e que ajudou muito na compreensão e respeito à obra, já que para mim particularmente não é uma música que me conquista de cara, mas que conseguiu seu intento ao me fazer perceber que a intenção da obra é expressar a sua arte sem preocupação de ser o mais original ou ter que nadar a favor da maré. Ou seja: o Iamí é mais uma das vantagens da nossa independência com a morte das grandes gravadoras e o acesso à tecnologia de estúdios caseiros e que só nos libertou para nos expressarmos da maneira que quisermos afinal o conceito principal do Black Metal é a liberdade. 
            O Ep possui seis músicas: Crença Profana, Lamento, Rito Iniciático (para mim a melhor), Orvalho Crepúsculo (só teclado), Cura e Magia e Quietude (também a base de teclados). O cd vem em digipack, uma arte simples em preto e branco, mas de muito bom gosto. Apoio sempre um trabalho como esse, sério, com a filosofia dos espíritos livres.

                                                                       G. Burkhardt




CRUSHING AXES – UNDEAD WARRIOR

           Você está naufragando na net e de repente se depara com um link assim: “Novo trabalho do Crushing Axes para download”. Aí você baixa para conferir e saber se vale a pena para resenhar no zine e se surpreende com a qualidade da gravação, desenho de capa ducacete e som pesadão sem pressa, onde a tensão é mais importante do que a velocidade. 
       Vocalzão forte meio negro e descobre que com exceção da bateria/baixo, todo o trabalho instrumental é feito por um cara chamado Alexandre Rodrigues e que a banda/ projeto dele, já tem dez, é dez CDs lançados virtualmente! Aí você vê a quantidade de trabalhos que estão aí nos subterrâneos “perdidos” nessa dimensão virtual. 
           São seis músicas, como já falei, sem pressa, Death and Honour vem compaçada com o peso e trabalho de bateria muito bom, Road Warrior começa mais rápida e depois volta à lentidão, King Ground tem o melhor riff da obra e vocal mais gutural, o baixo se amostra em Altar Stone, por sinal o peso desse instrumento é um dos pontos fortes dessa obra, Painted People é a mais calma do Undead Warrior com belíssimas guitarras fazendo a melodia e Hear The Sacrifice se apresenta com aqueles riffs ganchudos. 
           Puro tesão Heavy Metal, vontade de fazer as coisas, mesmo com as dificuldades de mercado como a quantidade de lançamentos, o desinteresse de um novo perfil de bangers que não valorizam o físico, e outros obstáculos no mundo supérfluo e virtual em que vivemos hoje em dia, mas que não desestimulam empreitadas como essa. Ainda bem que tem gente teimosa e decidida a não deixar sua produção artística para si mesmo.

                                                         G. Burkhardt



PRIMORDIUM – TODTENBUCH

            Os mistérios e ocultismo da civilização egípcia sempre inspiraram bandas no Metal. Dio, Iron Maiden e mais fortemente o Death Metal do Nile até o Pernambucano HateEmbrace. Em Natal essa temática foi trazida a tona de forma magistral com o cd “Todtenbuck” da banda Primordium lançado em 2014. O cuidado com o trabalho vai além das músicas. A capa feita por Sandro Freitas se transforma num mini pôster com uma arte fantástica e ainda no verso contém todas as letras, além das faixas numeradas da forma que os egípcios representavam os números. Detalhes que favorecem e dão maior credibilidade para acompanharmos melhor a temática da banda. E musicalmente falando, que é o fator mais importante desse produto, o cd já começa com a música título instrumental com sons e instrumentos nos carregando logo para paisagens desérticas para emendar com um riffão carregado e maldoso de Curse Of Imhopet, veloz com uma paradinha no meio com um coro meio cinematográfico. Mummified mantém a aspereza e o clima com passagens quase Doom. Gates of Restau também muito brutal, Legion tem como destaque um violino de arrepiar tocado por Ariane Salgado, Transcending mantém o peso, Khumunu é instrumental trazendo além de percussão étnica e instrumentos atípicos, um belo dedilhado tranqüilo dentro de uma obra tão agressiva. Depois como uma praga destruidora Glory Of Rá acorda o ouvinte como para lembrar que aquilo é um disco de Death Metal e segue de forma épica com Pillars Of Eternity, Negativa Confession e Osíris fechando com uma das melhores bases do disco. 
        Grande vocal de Gerson Lima, Guitarras, Didgeridoo (instrumento de sopro dos aborígines australianos) de Lux Tenebrae, João Felipe Santiago nos teclados e Augusto Cesar na Batera. 
           Agente percebe logo quando uma obra é feita com muito cuidado e pesquisa, tratando de temas muito distantes da nossa realidade, mas sem trazer aquele incomodo de trabalhos feitos nas coxas e de forma amadora. Um trabalho foda, feito sobre um grande conceito.
                                                            
                                                             G. Burkhardt



METAL COMANDO – DEMO 1

          Sabe aquele Metal na sua essência de ser simplesmente Heavy Metal ? Nostálgico até a veia. Banda pra show com cerveja e punhos cerrados e coro em uníssono de “Metal, Metal, Metal !!!” Não é o tipo de letra que gosto, na verdade mesmo em 80 foram poucas as letras de ode ao Metal que eu gostava, raras exceções como “Guerreiros do Metal” do Korzus e outras que gosto mais por relembrar momentos de luta por espaço que como pioneiros enfrentamos em 80. Mas musicalmente as músicas empolgam na sua estética metálica como Ataque Heavy Metal que tem bases fortes e legais, Vítimas da Podridão fala de guerra e Hail Headbanger encerra a demo no clima de amor ao Metal. O aspecto que precisa ser melhorado é no vocal do grande guerreiro e batalhador do underground nordestino, Thiago Pires, que tem muita força e garra, mas precisa ser “domesticado” para cantar esse estilo. Complementam o exercito, TKildare Dekzaell – Guitarra/vocal, Magno Guimarães – Guitarra e Gleyson Barbosa –bateria. O baixo contou com Sérgio Monteiro como convidado. 
             A demo foi gravada ao vivo em estúdio em Campina Grande- PB e só fizeram 50 cópias para divulgação da banda. E já prometem uma Demo 2, já que a procura pelo som da banda está grande.

                                                                                  G. Burkhardt



BURNING TORMENT – DARKNESS REBORN – DEMO

           Mais uma avalanche de riffs e maldade de um estado que impressiona com a sua brutal produção. De Fortaleza berra com ódio o Burning Torment que lança sua demo em 2014. É um Deathão sem concessões com o vocal podrão de Luís Paulo dos urros ao esganiçado, baixo pesado e marcando presença de Alexandre, guitarras no talo de Ednardo e a bateria violenta de David que deixou a banda logo depois dessa gravação e talvez por brigas internas não consta nada no material gráfico. Não há misericórdia, não há teclados para amenizar a crueza. A produção deixou o som bem redondinho e pesadão, mantendo o nível em todas as 05 faixas.
 The Pain Is Coming, Feeding Hatred , Night Of Terror, God Is Dead e In Prase The Devil são despejadas sem dó nem piedade, deixando a certeza de que um full leight ira matar e massacrar os ouvidos menos experientes. Destaco In Praise The Evil que nos castiga com toda a brutalidade, mas tem uma melodia escondida entrecortada com vocais mais rasgados e riffs ganchudos que botam moral e termina como todo bom disco tem que terminar: com agente acionando novamente o play.

                                                            G. Burkhardt




BRUTAL MORTICÍNIO – OBSESSORES ESPÍRITOS DAS FLORESTAS AUSTRAIS

        Logo após uma introdução enigmática, que parece ser um ritual indígena, a sensação de poder que a banda emana em Não Darei A Outra Face, nos domina de imediato, o refrão muito bem vociferado por Tormento, também guitarrista, é ainda mais acentuado por ser em português e com uma letra foda, um conceito pagão inteligentemente escrito.
        A próxima, Eterno Sofrimento de Cuauthemoc é épica, mesmo com pouco mais de 5 minutos pelo clima proporcionado pelo instrumental e principalmente a letra. É de arrepiar a forma que falam de uma grande figura histórica da época da colonização massacrante dos espanhóis nas Américas. Evocando os Espíritos Obsessores das Florestas Austrais começa com um dedilhado para ir ao encontro de um peso lento e clima morto. Tão morto que chega a ser opressivo. Vingança Ancestral já leva na cadencia um clima meio gótico, com certeza a mais “acessível”, um leve descanso para espíritos esgotados prolongado com Anacrônico Tempo, Obsolescência da História, uma faixa curta instrumental. Aí a obra prima começa a caminhar para o final com dois bônus Densas Névoas das Profundezas e Estúpido e Podre Homem Podre Cristão.

            O grupo optou pela crueza até na sua formação, pois  colocou teclados (tocados por Tormento) quase imperceptíveis, tanto que analisando no meu sonzinho Philco não percebi de cara, diante do peso e brutalidade desse grande power trio. Aqui o que se vê realmente são quatro cordas de Mielikki trazendo o grave em honra ao peso e os tambores de André Rodrigues aumentando a rispidez classuda desse trio que impressiona pela qualidade e sabedoria para produzir uma obra suficientemente má e que nos faz refletir para que tanto se com muito menos se chega a um Grande. Foderoso Black Metal!
                                                                         G. Burkhardt









Na década de 80, Punks e Bangers estavam se matando nas ruas. Embora não admitissem, no fundo, estavam brigando por música e não por questões ideológicas. E o pior é que muitas bandas na época, como o Crude SS e o Motörhead já fundiam os dois mundos nos seus sons. Por isso na época criamos essa coluna chamada união.





AÇÃO DO KAOZ – SPLIT – LEI DO KAOZ E AÇÃO LIBERTÁRIA


             Esse split reúne a Lei Do Kaoz de Pernambuco e o Ação Libertária do Rio Grande do Norte. Ambas têm fortes características crossover a primeira mais Thrash e a segunda mais Hardcore. Poderiam estar na coluna Pandemonium, mas a atitude mais punk é o que faz esse trabalho estar nessa coluna. Estão sempre envolvidos em movimentos das periferias de atitude faça você mesmo e participando de eventos para melhoria de comunidades das suas cidades.


Lei Do Kaoz






        Cada uma contribuiu com três músicas inéditas. A Lei do Kaoz abre os trabalhos com riffs totalmente Thrash em Ditadura Nunca Mais, seguida da irônica pancada Big Bosta, onde detona o programa que mais vulgariza a privacidade das pessoas e finaliza com a irada Anti Playboy. 

            Se as pancadas da LDK já empolgavam, quando entra Até Quando? da Ação Libertária o trabalho explode de vez. É um Hardcore empolgadíssimo, é roda, roda e roda. Saltos do palco, mergulhos mortais. É só essa imagem que me vem à cabeça. Aí vem Todo Poder Cai que aumenta a energia com uma letra fantástica e melhor refrão de todos. E encerra, infelizmente muito rapidamente (no sentido de tempo) com Tripalium 2.0 que tem algo nos vocais da lendária e ainda na ativa, Armagedon de SP. 

Ação Libertária


           Grande reunião de duas bandas com sons bem originais e que encontraram uma sintonia perfeita para nos entregar um grande trabalho e um dos melhores splits de 2014. Prometeram lançá-lo na forma física e se depender de mim, sou o primeiro da fila.
                                                                                



                                                                                                                                                         G. Burkhardt






AORTA – ACORDE  – PE

  
     Som Punk, não pesadão, mas essencialmente  Punk. Vindo do bairro de Afogados- Recife. Com uma introdução muito legal que não tem nada dessas vinhetas chatas  ou sons eruditos, tem cara de música mesmo com gritos de “Acorde, acorde, acorde !!!” já iniciando com muito pique o cd e nos preparando para a  Luta Social(Tudo Para Todos) que ”abre” o trabalho, seguida de Auto-Estima, Preservei e mais um apanhado de 12 sons no total, alguns rápidos outros cadenciados mas sempre convidativos para o pogo.
 
            A banda tem como vocalista Pesado, que já foi frontman do hardcore Câmbio Negro, Caru Metal e Junior nas guitarras, Eduardo no baixo (que tem umas boas sacadas e dá um molho a mais na banda) e Neto na batera. Destacaria no disco O Sol Nasce e Ânsia e Medo (com participação de Davi da Nação Corrompida), ambas com cerca de 1 minuto e por terem uma pegada mais hardcore  chamando agente pra se matar na roda. 
         Nervoso e ao mesmo tempo divertido como deve ser um bom disco Punk.


                                                                      G. Burkhardt




Grande e muito bem escrita letra do Brutal Morticínio que trata da história do grande lider asteca Chauthémoc, último governador da cidade de Tenochtitlán e que ascendeu ao trono justamente quando a sua cidade estava sendo sitiada pelo invasores espanhois. A música faz parte do cd  Obsessores Espíritos das Florestas Austrais.













Abrimos esse espaço pelo valor histórico de certas gravações. Falaremos tanto das bandas novas, quanto das velhas conhecidas, pois nos sentimos atraídos pela autencidade que sempre marcou o som UNDERGROUND.”
Assim estava escrito no Acclamatur de 1986 e é assim que vamos conduzir o Subterraneus aqui no blog. Vamos considerar tanto as gravações boas quanto as gravações mais toscas ou mais simples de bandas que por falta de experiência ou por morarem longe de grandes centros, sem acessibilidade a bons equipamentos fazem o possível para registrarem o seu som com um único sentimento: FÚRIA! E FÚRIA é o que mais importa. Portanto, promos, lives, demos antigas, fúrias esquecidas no tempo e que valem serem resgatadas para mostrar autencidade e sinceridade ao Metal estarão aqui para os arqueólogos vasculhem nos registros arkashicos.





ATO-ATROZ – O TUMULTO E O VAZIO

    Vando Sujeira, o hombre por trás desse projeto tem um background punk, já que é baterista do Pröjjetö Macabrö e isso é claro ressoou nesse trabalho tanto na urgência da música, no conteúdo contestador das suas letras e na ideologia do “faça você mesmo”. Mesmo que esse você mesmo possa cair na tosqueira tanto de gravação (o que não é o caso, já que tudo está bem audivel e equilibrado), quanto do material gráfico. 
           A capa com uma ilustração legal chega ao ponto de atitude alternativa, que as informações da demo são escritas no verso à mão, de caneta. Mas como minha ideologia concorda que ao menos se inicie alguma coisa e que com o tempo o artista vai encontrando meios de burlar a falta de recurso, sem se vender e com criatividade vai melhorando seu material, isso se  ele realmente quer melhorar. Porque, muitas vezes a tosqueira é também uma proposta artística, que muitos em tempos de protools não entendem. Mais e a música? Puta que o pariu! É forte, a gravação a deixou pesada, é urgente como já falei. O vocal de Sandro ficou muito bom. Promovendo Guerra, O Prisioneiro, Única Certeza e O Tumulto e o Vazio são músicas principalmente pra se ouvir ao vivo. Um trabalho que adquiri às cegas pelo respeito que tenho ao Pröjjetö Macabrö e me descobri sorrindo diante de tanta determinação em fazer barulho. Inteligente e podre. Ou seja: perigosíssimo.

                                                                      G. Burkhardt




DESALMA – ESPIRITO DE PORCO

            Alguém que gosta de estragar o prazer e diversão de outra pessoa é chamado, principalmente no Nordeste de espírito de porco.
         A capa bem sacada, estilo xilogravura, com um porco de chifres bem satanizado é ao  mesmo tempo irônica e forte, como a filosofia dessa banda de Hellcife.
        Desalma  já é  “consagrada” e mesmo assim por opção artística, o que prova a sua autencidade ao underground, resolver fazer esse ep de forma totalmente caseira, desde o material gráfico da capa até o cd sem rótulo, Esse trabalho me foi entregue no dia em que tocaram no Ecco Sound Festival em Recife, talvez daí a urgência de trazer de qualquer forma um material novo.
A banda é extrema, onde a tônica é a pancadaria, passando pelo grind, harcore, Thrash, Metal moderno e tudo o que possa incomodar os ouvidos menos treinados. Um avant para sentirmos o que vem por aí em termos de sonoridade. São 03 faixas, C.U. que me desculpem o trocadilho, é dukaralho, Autodestruição e Espírito de Porco com a caceteada em total descontrole. E tudo em nossa língua ! E foda-se o resto !



                                                             G. Burkhardt















             O ano: 2009. O ambiente: as escuras quentes e esfumaçadas ruas do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, mas que esconde crimes, tráfico de drogas, perversidades humanas construídas e cultivadas durante séculos como um mal antigo ancestral, mas contendo na sua essência a decadência do tempo renovando a natureza. 
        Em meio a esse ambiente surgiu a forma do Velho de coração primitivo saindo furtivamente das trevas e ao mesmo tempo se mantendo nela, resgatou antigas canções escritas pelo músico/poeta Thiago Caronte que se aproximou para trocar experiências sonoras com Tiago Splatter, baterista. Sendo convencido de que aquela entidade secular deveria esvaísse da escuridão par o mundo físico.               Para isso precisou agregar  Valéria Tenebra, Guitarrista e Raphael Chaos no baixo. Para produzir o artefato sonoro, Vida Longa Ao Primitivo , regado de 05 incômodos esporros insanos, onde a crueza doentia do instrumental se equilibrava de forma inexplicavel com as letras de uma beleza desesperadamente obscura, atraindo instantaneamente a atenção de ouvidos livres  por todo o país.
                E foi em dezembro desse mesmo ano na aglomeração de seres noturnos,no evento chamado Kulto Austral que os quatro se apresentaram pela primeira vez para as hordas. Logo foi percebido o diferencial do contexto do Velho, onde o único caminho, misantropicamente falando, era não repetir a mesma história, não deixando mais um ano esfriar como em um eterno coma induzido. 

        Mas mesmo com a aceitação da expressão negra artística muito forte, o ano de 2010 foi um tanto frio para todos,  já que o coma induzido pelo próprio Velho só os trouxe ao palco em 2011, agora como um trio com a saída de Tenebra e Chaos, esse último sendo substituido por Rafael Lopes no baixo.
         As histórias dessa energia antiga viva, continuou crescendo e se espalhando, surpreendendo até o trio que começou a ser obsidiado por espíritos querendo ouvir aquelas mensagens ao vivo. As apresentações rituais caoticamente organizadas pelo Velho tirava do marasmo as mentes daquelas almas livres.
              
         A tríade novamente começou a registrar as novas produções da arte negra contestatória para culminar no renascimento em 2013, no desenrolar cíclico do registro “Senhor de Tudo”. Embora parecesse que não deixariam uma trilha sem pegadas pela busca do poder real, chegaram sem dúvida perto dos portais da loucura, por isso mesmo muito próximos do Senhor de tudo. 

           O antigo cresceu, felizmente não a ponto de se aproximar muito do presente ou já definir o futuro, mas o ritual, as noites mágicas em cima e a frente dos palcos  em 2014, levou o Velho a uma viagem iniciatica pelos confins do Brasil, de Norte a Sul, Sudeste e Nordeste, a estrela do caos brilhou a ponto de gerar físicamente um registro acompanhado de outra entidade, Caverna, numa catarze de total troca de energia e Poder Real. Sob o Ciclo de Ouroboros é um registro desse momento em palco frente a um público onde  a troca de energia cíclica é necessária para manter e perpetuar as leis que o antigo plantou.














                                                                        G. Burkhardt






ACCLAMATUR é : Guga Burkhardt & Nina Burkhardt
Diagramação e Ilustração das capas, colunas Videre, União e Contos Mórbidos: Guga Burkhardt
Agradecemos à todas as pessoas que estão conosco todos esses anos, não é preciso citar nomes, elas presentem quem são.
Bandas nos procurem!!!!!!

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