quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

      A última vez que estive aqui foi em abril de 2017. Porque o hiato? Preguiça mesmo. Falta de tesão pelo zine virtual. Ocupações outras, dedicação a minhas artes visuais. Enfim... Mas não importa!!!! Estamos de volta, com a fúria que nos é peculiar e carregado de bandas brasileiras fodas e também com bandas da America do Sul em geral. Nesse caso, Chile e Argentina, afinal somos 3º mundo. O cu do mundo, os ratos de laboratório, as marionetes das grandes corporações, os robozinhos teleguiados da pior escoria politica que pode existir. mas tamos aqui e se somos baratas, vamos ao menos aperrear o juizo fazendo aqueles barulhinhos de pernas que se esgueiram por trás de armários envelhecidos, mas cheio de vida subterrânea. Bem-vindos, de novo!!!

                               G. Burkhardt










ARMA – ROCK ‘N’ ROLL MURDERERS

 O Arma atualmente se não é o maior nome do Punk/Metal  no Brasil é o que melhor  representa, com aquele som básico, com cheiro de cadaver lemmyniano e muita sujeira em poucos acordes. Tudo capitaneado pelo inquieto NTS Oldskull, que também está a frente de mais duas bandas: Túmulo e Primitive. Arma é uma banda de um homem só, apenas dividindo as letras com Joe Hammerfrost, mas isso em nada a deixa com cara de projeto, até mesmo porque tem tocado bastante ao vivo. Tem pegada e cheiro de banda, sem dúvida, pois ao ouvir o cd logo nos remetemos aos shows de forma imediata como na faixa título que abre o trampo. A terceira faixa Donos da Verdade,  merece atenção, uma faixa em português com uma letra ácida sobre a dita “cena” apinhada de xerifes e juizes. Emenda com uma emocionante homenagem a Lemmy Kilmister, Whiskey With Lemmy, é claro, é a mais Motorheadiana  do disco. Claro que você já foi fisgado, mas para completar ele mete  os riffs de Oldskull Wardogs!!!Pura sacanagem de quem tem a perfeita noção de como juntar alguns acordes básicos e já surrados e te deixar completamente dominado. E lá na 08 faixa ainda tem um troço chamado Speed  Rock ‘N’ Roll Marchine que sem dúvida é música de final de show, hino do Punk/Metal, com aquela guitarrinha criando um clima melodioso no final do solo, que NTS Oldskul tão bem sabe usar. Alias o que esse cara faz é somente um cavernoso Rock ‘N’ roll e mais nada. Precisa mais?
                                                                     
                                                            G. Burkhardt 




HERETICAE – NEW AEON TRINITY

      Estreia em ep dessa hoste de Londrina e percebe-se desde a primeira canção, que intitula o trabalho,  o forte teor épico delas, como no final de New Aeon Trinity, com um vocal declamado e bateria absolutamente imponente, sendo fundamental para o clima. To Punish and Enslave é uma saraivada de riffs que a torna interessantemente caótica. Agora, é inegável  a beleza negra de Heretic Manifesto, com sua cadencia e interpretação foda de Polarys, que além de vocal trampa também na guitarra, com um dedilhado meio mediterrâneo de violão no final não deixa dúvidas de ser a obra máxima do disco que se encerra, claro de forma apoteótica com The Fire And The Lion. Não posso deixar passar em branco a arte da capa do meu amigo e multiartista, Rômulo Machado. Belíssima ilustração.  É sempre mais inteligente a banda lançar primeiro um ep com essa magnitude, gravando melhor e mostrando as melhores composições, do que fazer um disco longo e com algumas faixas “mornas”. Cartão de apresentação respeitadíssimo esse Neon Aeon Trinity. Estão prontos para a guerra!


                                                                              G. Burkhardt




PRIMITIVE – NEGRO METAL DA MORTE

Felizmente existe gente que entende que precisamos manter o primitivismo do Rock ‘n’ Roll vivo, porque estão se preocupando demais com os estudos e esquecendo a essência sevagem e primitiva que tem que estar contida no verdadeiro Metal. E isso o Primitive encara bem, a começar com uma intro enigmática e percussiva para descambar num furioso Metal com uma instigada letra em prol do estilo e também com a insistente e veloz batida, quase tribal de Negro Metal da Morte. Na  terceira faixa, A Lei do Aço, temos a certeza de como será todo o enredo do cd: pancadaria insistente, continua, quase hipnótica, instintivamente desenhando uma roda, um circulo primitivo para tribos que ainda não desistiram da luta. Também tem cover de GG Allin e como bonus as faixas  Furia Maldita, Ódio Eterno e O Martelo das Bruxas na versão da demo 2015 e que apareceram também  no split com o Hell Poison e mais 05 faixas da copilação de 2015. Formam o Primitive o trezentas vezes aqui citado Nts Oldkull nas guitars e vocais, Exekutor, baixo e backings e Outburst nos tambores de Guerra. É só!!!! Mantenham a fúria!!!


                                                                          G. Burkhardt




TUMULO – TRIUMPH OF HELL

      A intenção é clarissima: soar o mais próximo de um Hellhammer. Desde a capa feita por Carlos XV, nos remetendo ao clássico Triumph Of Death da banda suiça, até ao intencional “analfabetismo” musical que a banda inspiradora carregava. É tudo muito básico e negro. 07 faixas com letras em inglês e apenas Os Portais Do Inferno no nosso idioma. Todas a cargo de Joe Hammerfrost e músicas a cargo de NTS Oldskull. O clima clautrosfobico e em alguns momentos lento como em Northern War e Satan Hills climatiza todo o trabalho. É som das trevas sem dúvida, mas daqueles infernos regados a álcool e de  uma ociosidade medonha onde só o que nos resta é colocar um vinil velho e desgastado, mas que faz toda a diferença para a festa se tornar uma eternidade !

                                                                    G. Burkhardt




ROTTENBROTH - VISIONS OF AUTOPSY

              É mágica  essa sonoridade cheia de reverbers que muito se usou na década de 80 e inicio de 90. Até mesmo pelas bandas seminais de MG que naquela época trafegava entre o Death e o Thrash , mas que utilizavam desse recurso tão plástico a ponto de trazer de imediato imagens claustrofóbicas e escuras.Ou seja: Imagens de morte. Afinal isso é Death Metal e na essência não se faz com demonstrações de virtuosismos , mas sim com esse clima de total escuridão. E quem nos proporciona isso é o mentor desse projeto chamado sabiamente de Rottenbroth, é o baiano Danilo Wagner, também integrante da Papa Necrose. São 05 faixas de sua autoria e mais o cover The Rack do Asphyx, onde o que se vê é o respeito a tradicionalíssima escola, onde o quase tosco, o minimalismo eram utilizados sabiamente em prol de criar um senso de maldade absoluta. Metal da morte com muito respeito.

                                                                      G. Burkhardt



Argentina

ENCOFFINED – ENCLOSED IN A COFFIN

       Puta Dethão esse da Encoffined, banda oriunda de Córdoba e que resgata toda a essência da maldade e escuridão tão necessária ao estilo. E começam com sabor de sangue na boca depois de uma cotovelada na roda. Disturbing The Sleep of The Dead é um massacre de riffs diretos e batera mamutesca. Essa batida característica da batera de Marcos Córdoba é um dos motivos do som ser tão empolgante e ao mesmo tempo tão claustrofóbico, que nos faz sentir confinados como o significado do próprio nome da banda e título do cd, Sensação essa aumentada pelos os riffs de Juan Taricco e Leandro Smith, (também vocal), junto com o peso do baixo de Facundo Urriche. É impossível citar destaques. É pedrada após pedrada, peso bruto tocado com muita classe as vezes veloz e as vezes compassado com os dois bumbos preenchendo todos os espaços. É guerra moço!!!

                                                                     G. Burkhardt




SILENCE – PLACELESSNESS

       Banda formada em 2004 com apenas esse full lançado em 2017. O que me chegou primeiro em mãos através de amigos argentinos, foi provavelmente um promo antes desse lançamento já que 03 faixas são desse trabalho e foram elas que me fizeram correr atrás do Placelessness. A proposta é um  Black Metal com pegadas progressivas, muito foderoso nos climas sempre pesados, com passagens quebradas, um vocal forte e não tão rasgado, perpetuado por James Crowley, entre riffs as vezes lentos e mais melódicos como na  faixa,  Xilqa, outros de quebradeira e complexos como os de Endless Knot, sem dúvida a mais progressiva com passagens até jazzísticas. Mas em Inferno e Dagon, por exemplo, a banda aposta muito mais na pressão sonora e escura, mas ainda raspando no experimentalismo. Diego Astrada e Gabriel Olivares fazem os riffs nervosos , Bruno Bisocoli o baixo e Guido Bisocoli a batera que completa esse arregaço sonoro e que foge um pouco do padrão Black metal, por isso em alguns sites até cita-os também com influência Death. Mas que se arrombe esses rótulos!

                                                                  G. Burkhardt




NARCOLEPSIA – DESINTEGRACIÓN

       Um Death Metal brutal com os dois pés na velha escola. A banda é nova, formada em 2016 e já lançando essa demo como um rolo compressor em três faixas cantadas no idioma natal, diretas e de uma violência extrema. Apesar da capa não conter título, a demo é conhecida como Desintegración. A  capa, por sinal,muito bem sacada com uma foto dos 03 integrantes dentro de caixões, Tuerca Bustamante no baixo, Yoe Soria na bateria e vocais e a guitarrista Pely Macchi, também vocal e guitarra na banda Thrash Indisposed. Começam o arregaço com Ingesta de Humanos, que começa lentona mas logo parte para a velocidade e seguem na pancadaria com Narcolepsia e encerram com Desintegración que em alguns momentos tem até um cheirinho de Mass Hipnoses do Sepultura. Sem conceções, apenas Death Metal raçudo. Já é um alerta para corrermos atrás do EP “Enferma Contaminación Mental” também lançado ano passado!

                                                                  G. Burkhardt





INDISPOSSED – HANGOVER

    O que Pely Macchi -voz e guitarra,  Naty Ferrando – Guitarra, Ana Fernandez – baixo e Poly "Televisor Robado" - Bateria fazem nesse Ep,  é Thrash Metal na linha bem tradicional, com muita competência e na medida certa para fans do estilo (como eu). A influência de Mustane no vocal da primeira faixa, Where Is Your God, é gritante, mas o som da Indispossed, não tem nada da banda do noiadinho Mustane e o vocal passa longe disso no restante do trampo. Na verdade muda tanto que na última faixa, Whisky, arrisca um quase gutural. Esse EP é de 2015 e em 2017 já lançaram outro Ep chamado apenas de Indisposed, agora com um s a menos na grafia. Pelos vídeos ao vivo, as garotas chutam o pau da barraca e mantém a chama das rodas bem vivas!
https://www.facebook.com/Indisposedthrash

                                                                 G. Burkhardt



                               CHILE

NECROSIS – AGE OF DECADENCE

Banda veterana de Santiago, uma lenda do Thrash Metal do Chile claro que sendo uma banda criada em 1985, as influências dos grandes como Testamente, Metallica... tem que estar presente, apesar deque a banda não parou no tempo e nos apresenta um som muito consistente, mas também “moderno” nesse que é o seu quinto e último  full,  gravado em 2015. O batera Andre Nacrur mantém a banda desde os primórdios, oscilando um pouco o line up ao longo dos anos. Também não é fácil manter uma banda durante tanto tempo estável, ainda mais na America do Sul. O som desse trampo começa com uma belíssima introdução com guitarras melodiosas, Intro: Desolation Land e segue com End Awareness, Thrash na veia, que vai ditar todo o clima do disco que encerra com a magnífica My Own Funeral, que melodia foda !!!. Enfim, experiência e tradição juntas, não tem como dar errado!!!!

                                                                       G. Burkhardt




 NECRODEMON – IN THE ECTASY OF FIRE

       A banda veterana já diz pra que veio ao se preocupar em contratar os serviços do mestre das artes para o Death Metal,  Dan Seagrave. Todo o trabalho gráfico do cd em digipack enche os olhos, mas o coração dispara mais ainda quando escutamos aquele Dethão de responsa, com pitadas melódicas, mas com a maldade prevalecendo em todas as faixas como em Red Carnage e na pressão imediata de Eater Of Gods. Para se entender o porque de classificar a banda chilena como Death melódico, é escutar Invocation Of The Unlight e perceber que a sequencia de notas são estruturadas para arrepiar mesmo, mas em momento algum o sensação de escuridão escapa do contexto do trabalho. Uma produção perfeita, um Death foderoso , mixado na Suécia é claro, na tradição e respeito, se não pelo berço, mas por onde a “criança” cresceu mais forte!!!!  Death Metal !!!!

                                                                        G. Burkhardt






Como o blog estava de molho e o Acclamatur impresso saiu com um númeroe especial apenas com bandas pernambucanas, algumas entrevistas , como essa com a Forahneo, ficaram de molho, mas em nada cheiram a ultrapassadas, já que as perguntas e respostas soam atemporais. Portanto vamos à conversa com o grande amigo e mentor da banda, o chileno Eduardo Jarry:


1. Para começarmos, fale um pouco do início do Forahneo!

Eduardo Jarry: Fala meu amigo Guga! Muito obrigado pelo espaço. Uma verdadeira honra fazer parte do Acclamatur, 30 anos depois de ter a primeira edição em minhas mãos. Olha, depois de morar décadas em João Pessoa, voltei para o Chile há uns seis anos. Cheguei com material suficiente para um disco e decidido a formar uma nova banda. Pra concretizar o projeto, convidei meu brother Victor Hugo Targino (Soturnus, Necrohunter, Sodoma, Cangaço), para produzir e gravar as guitarras; completando o time, na base da absoluta cara-de-pau, com verdadeiras lendas da cena local, como, Tito Melin (ex Undercroft) e Andy Nacrur (Necrosis). Assim nasceu o Forahneo. 


2. Impressiona a excelente produção do Perfidy, mesmo gravado em países diferentes, a coesão dele é de tirar o chapéu. O que foi feito no Chile e o que foi feito no Brasil? E a escolha de um produtor daqui, Victor Hugo Targino, se deu por que motivo?

Eduardo Jarry: As guitarras foram gravadas no Brasil e o resto aqui em Santiago. O disco foi editado no Brasil e mixado nos EUA pelo Chris Zeuss Harris. Produtor é cargo de confiança. Conheço Victor Hugo e seu trabalho há muitos anos, é um profissional completo; não nos imagino trabalhando com outro cara, ele é nosso quinto integrante. A coesão é reflexo da competência dos envolvidos na produção. Eles fazem toda a diferença, conseguem levar os músicos aos seus limites na execução e fazem o melhor trabalho com o material gravado. 



3. A arte da capa de Marcelo Vasco é outro atrativo no cd, que se tornou ainda mais conhecido por fazer a capa do último do Slayer A escolha foi baseada nisso ou já haviam feito contato antes?

Eduardo Jarry: Marcelo Vasco é foda! Antes dele um artista europeu nos deixou de molho esperando uma arte que nunca chegou por vários meses, atrasando o lançamento do disco. Entramos em contato com ele antes da arte do Slayer, eu já acompanho o trabalho dele há algum tempo. 



4. Vocês lançaram o Perfidy com Sergio Aravena e Andy Nacrur, os dois bastante conhecidos na cena chilena. Sei que houve mudança, nos diga o porque dessa mudança e como está a formação atual? 

Eduardo Jarry: “Perfidy” foi gravado basicamente por músicos convidados. Tito e Andy não conseguiram conciliar seus projetos pessoais com a banda. O que funcionou pra nós, pois, eu já tinha a intenção de assumir os vocais. Agora o Forahneo é formado por Eduardo Jarry (Vocal e Baixo), Sergio Aravena (Guitarra) e Roberto Nervi (Guitarra). Gravaremos o próximo disco com um baterista convidado.




5. Você tendo morado no Brasil por anos e conhece bem as duas realidades, o que diferencia o Chile do Brasil em relação aos valores e estrutura de shows, publico, etc?

Eduardo Jarry: De fato, acho as realidades bem semelhantes; ótimas bandas, músicos de primeira linha, inúmeros lançamentos de nível mundial, excelentes estúdios, estrutura profissional para tocar, shows de bandas gringas lotados; e, a típica latino-americana falta de apoio as bandas locais. Acho que a grande diferença é a dimensão continental do Brasil, que abre novos mercados para as bandas locais, que podem sair com mais facilidade dos grandes centros. 



6. O Chile proporcionalmente talvez seja o pais da America do Sul de melhor qualidade de lançamentos de música pesada, revistas e zines. A que que você acha que se deve isso?

Eduardo Jarry: Pode ser uma resposta de uma geração a uma ditadura que durou muito tempo e deixou como legado um histórico de opressão, brutalidade, além de modelo econômico perverso. Com certeza a produção musical e literária chilena é excepcional; mas, não muito diferente das cenas do México, Colômbia, Argentina, Perú; acho que, de fato, falta uma maior integração entre cenas latinas. Em vez de visitar os países vizinhos, sempre se busca a Europa ou USA. Nós antes de irmos para a Europa com certeza vamos tentar tocar no maior número de países latinos possíveis. 



7. Como tem sido a receptividade da banda nos outros países da America do Sul?


Eduardo Jarry: Excelente. Mesmo tendo sido lançado em outubro de 2015, o disco entrou em listas de melhores do ano aqui no Chile e na Colômbia. Recebemos diversas mensagens de amigos do Perú, Equador e Venezuela. E podem ter certeza de que só estamos começando. 



8. Tem projeto ou perspectiva de turnê por aqui? 

Eduardo Jarry: Com certeza. No final de 2017 ou começo de 2018, vamos tocar no Brasil, priorizando o Nordeste. Se tudo correr como planejado, após o lançamento do novo álbum, devemos fazer uns cinco ou seis shows no Brasil, a maior parte no Nordeste. 



9. Quais os próximos shows e quais os planos para o Forahneo? 

Eduardo Jarry: Agora estamos totalmente concentrados na produção do próximo disco. Mais uma vez produzido por Victor Hugo Targino. gravamos os backing vocals em João Pessoa, consegui juntar um grupo de amigos/lendas; Óliver (Necrópilis), Wilfred (Will2Kill, Cruor), Williard (Medicine Death, Dissidium), Wilhelm (Medicine Death), Gilberto (Nephastus), George (Behavior, N9) e Rodrigo (Soturnus). 



Aguardamos novidades em 2018 do Forahneo e com certeza virá um trabalho tão foda quanto o Perfidy!!!






















MANGER CADAVER ? – REVIDE

  Com interrogação mesmo. Comedor de cadáver? É esse o significado do nome em francês, numa alusão as pessoas que se alimentam de carne. Revide vai muito além de um disco hardcore. A começar pelo texto no inicio do encarte que termina com o título: Revide! É um manifesto a não manipulação, para percebemos os conceitos perigosos que pela nossa situação “frágil” (criadas por eles mesmos), pode se infiltrar e até enraizar no nosso pensamento. Coisa que já  acontece em massa e de forma mundial. Para reforçar esses alertas a banda se utiliza de muito peso, com um vocal monstruoso de Nata Lima, guitarras nervosíssimas de Marcelo Augusto, Baixo de Jonas Morlock e batera de Marcelo Kruscynski. Desde Abril Vermelho (sobre o massacre em Eldorado dos Carajás por causa de terras), Suas escolhas Fazem Você , CrimideiaIguais a Nós Mesmos, Déspota e Bruxas da Noite. Letras que vão diretamente a questões politicas, ataques a opressão e repressão e outras como Bruxas da Noite, uma letra muito foda e que fala de uma forma totalmente original e alegórica sobre o poder feminino, com uma participação marcante nos berros de Karine Profana ( Mau Sangue & Kultist) que faz os backings em todo o trampo, que por sinal é o som mais diversificado do ep,  lento , quase metalizado, meio doom, com Nata aos berros. Arrepiante ao terminar com sussurros repetidos “ ouvem no silencio, voam e vêem no escuro”... “ ouvem no silencio, voam e vêem no escuro”... . Isso é Poder !!!


                                                                   G. Burkhardt


OBTUS – VER – OUVIR – CALAR

     Hardcore, Punk Rock no conceito antigo da palavra. Primeiro dá uma raiva da porra, depois uma vontade de invadir uma roda e quebrar tudo, depois vem uma áurea de consciência e após o primeiro impacto a coisa se transforma em raiva dirigida. É hardcore claro, letras politizadas, sociais... com um peso bruto, muito bem gravado, dicção perfeita permitindo sacar bem as mensagens. São 16 faixas que destilam o mais perfeito inconformismo com um autêntico cheiro das ruas. Ruas quentes de Terezina, Piauí de onde a banda é oriunda e existe desde 1996, vociferando sua arte brutal. O cd foi lançado em 2014 numa mescla de antigas e novas “canções” aqui homogeneamente gravadas o que ajuda na sensação de terem sido feitas na mesma época. Diante de um disco tão bom, não costumo destacar faixas, mas se você quiser fazer o seu dia ficar bom e ganhar energia para ir à luta, rode “Making Off de um Monstro” e saia de casa com a vida vencida!!! Foda!!!

                                                                      G. Burkhardt

terça-feira, 4 de abril de 2017

De volta aqui com mais um número do Acclamatur zine. E ainda estamos em tempos de comemoração de 30 anos e nesse resolvi homenagear um dos estados mais foderosos em termos de música pesada, o meu! Infelizmente todo dia que eu estava fechando uma sessão, aparecia alguma banda que eu deveria colocar aqui, mas não dava mais. Priorizei as que tinham lançamentos recentes, mas com uma dor no peito por ter que deixar de fora coisas como Krapula, Trovador, Falling in Disgrace, Storms, Gladiator of Death, Seeds of Destiny, Hate Embrace, Desalma, Alkymenia, Rudness, Projjeto macabro, Arquivo Morto, Lei do Kaoz, Shitfun, Pshic Acid, The Ax, Camus, Flashout, Decomposed God, Pandemmy, Confounded, Visão Mórbida, Great Flesh Mind, Infested Blood, Carrasco, Ímpios, Cadaveric Infection, Guerra Urbana e muitos outros. Alguns citados já estiveram nas páginas desse zine e com certeza voltarão logo mais. Mas o que importa é que se vejam contemplados e orgulhosos do quanto tão bem estão representados. Larguei também uma ilustração de capa com uma estrela de xerife do underground descendo enfiada numa bosta que boia no esgoto. E na parede tá pichado: regras do motim. Pois é, eu também tenho regra. Minha regra é quebrar tantas regras que estão por aí em nome do underground. Não queira trazer seus exercitos pra minhas terras, porque o que você quer plantar as minhas terras sao infertéis . Tá aqui!! Março de 2017 o Acclamatur zine nº 112 e não tô nem ai pro resto que tá descendo no meio da bosta!
E quem quiser adquirir o zine impresso v´ao instagram: @acclamatur_zine


                                                                       G. Burkhardt







ODDIUM – NIGHTMARE MANKIND’S


Uma das bandas mais brutais de Pernambuco .Uma entidade do estado que, com muitas dificuldades e trocas de integrantes , mantém intervalos monstruosos entre um trabalho e outro. Mas finalmente lança esse EP, gravado ano passado , pelo menos por enquanto, só compartilhado virtualmente. Infelizmente.
Cinco rojões sem preocupação de deixar seqüelas, aquele Thrash /Death ríspido, odioso, sentimento ajudado pela voz de Jorge Picasso , como na primeira, Exploited que já abre sem concessões, peso bruto. Impuity também chega solando , mas com uma passagem mais lenta para a guitarra de Robert Jr. e baixo fuderoso de Bruno Barbosa. A terceira é uma das minhas preferidas, por ser em português e também por ser um Thrashão arrancador de cabeça. É Tormento Eterno. Depois, Perfection, com sua variação rítmica, perfeita para a batera dinâmica de Eduardo Torment , que agora integra também outro torpedo de Recife, a crossover Realidade Encoberta. E tudo se encerra com Expression. Pelos títulos curtos do Oddium, percebemos a filosofia ríspida e direta que permeia a banda. Apesar de músicos muito técnicos, no fundo é só cacete mesmo, violência para quem quer violência, sem discursos tolos, apenas um ódio bruto! Foi foda o tanto que esperei esse trampo , mas o ódio que ele despertou em mim, valeu a pena a espera. 


                                                                 G. Burkhardt



FIRETOMB – PREACHER FROM HELL – PE

A ansiedade foi grande até ter esse ep em mãos, porque ano passado já tinha escutado a pré-produção e sabia que viria um grande trabalho na vertente que eu mais me empolgo em ouvir, o Thrash Metal. Estilo tradicionalíssimo, dificilmente ele vai surpreender no quesito originalidade ou inovação. As batidas ideais para roda estarão ali, as paradinhas para voltar numa velocidade estonteante, vão estar ali, os solos dilacerantes, vão estar ali. Mas não há espaço para a monotonia, porque o mais importante também vai estar ali: a energia revigorante que esses riffs, essas batidas trazem. Os riffs muito bem acessados por Randall Silva e Marcos Paulo, a bateria furiosa do monstro das baquetas pernambucanas, homem das 1000 bandas , ZK Aranha, o baixo ultra pesado e tocado com muita habilidade por Risaldo Silva e o vocal básico e eficiente de Lucas Moura felizmente estão todos ali. Então é só pegar a bolachinha, com belíssima capa, arte de Alcides Burn, encarte com as letras, produção perfeita, com muito peso e botar pra rodar sem medo, porque não tem como não querer se jogar numa roda sem pensar. Uma introdução instrumental, Back To The War é seguida da “lapada” PreacherFromHell. Depois, com o roncar do baixo, Until I Die, vem um pouco mais cadenciada descambando pra velocidade e de quebra longos solos dos dois guitarristas. KillThis Lie Again mantém a urgência. A última, com o título bem significativo para a proposta de estilo, Live orDead, viva ou morra, se jogue de cima de um palco ou morra em um show na insignificância de ficar de braços cruzados analisando uma banda.


                                                                        G. Burkhardt



DEMONIAH – UNCONTROLLED – EP

O melhor do Demoniah é ser aquele som sem formulas definidas, é bobagem procurar um estilo único ou rótulo para esse ep. É próximo a que as bandas Stoners/ Doom fazem, peso atual e clima louco aqui e ali de 70. A própria A Wolf Wanting Fresh Meat já pende a isso, utilizando vozes e efeitos, recurso que Jeovani Moraes (vocal/Guitar), mentor do Demoniah, fez isso muito bem na sua antiga banda, Plague Inside, e que faz toda a diferença no clima geral do disco. A segunda, Enemy, também é lentona e no início com baixo fodamente roncador de Francisco Olay. A próxima é a faixa título, densa, climática e mais uma vez os “ruídos/barulhos” ajudam ainda mais a trazer à tona a sensação claustrofóbica da música. Sick Love aumenta a cadencia geral do disco, mas que não parece ‘contaminar” a próxima faixa, The Time Can Be Sold, que tem uns riffs bem fortes, porém mais lentos. A última,Blind Belief And Liars, essa sim acelera um pouco comparando com o ritmo geral do disco. Complementam a banda nessa gravação, Francisco Olay, no baixo e backings e Ricardo Lopes na bateria. A capa com uma foto bem no sense, ilumina mais a criatividade da banda, num dos melhores discos lançados aqui em Pernambuco. 

                                                        G. Burkhardt



ALCOHOLOCAUSTO – ALCOHOLIC THARSH METAL WAR


Tudo o que o Thrash Metal precisa, está contido nesse disco. A fúria está lá, a velocidade também, as paradinhas, os riffs. Mas o poderia ser mais um entre tantos trabalhos nesse estilo com uma formula já tão explorada, mas se destacou principalmente por transpirar um sentimento ou estado de espirito: A MALDADE! 

De ponta a ponta além da sensação de raiva, esse clima maldoso transparece naturalmente em todas as faixas. Para o Alcoholocausto lançar seu debu foi quase um parto, pois por problemas com a fábrica, esse disco ficou preso por meses e finalmente abortou em novembro do ano passado. São 10 pedradas, tijoladas na cara de quem vai para show e fica estático, filmando com o celular. A qualidade do trampo ganhou mais consistência com a produção de Pedro Santos. Peso exato, instrumentos totalmente equilibrados, onde se escuta absolutamente tudo. Como sempre não precisa destacar nenhuma faixa pelo alto nível de todas. Lógico que o refrão “we are Alcoholocausto” arrepia pra quem já entrou nas rodas em algum shows deles. Já é hit a muito tempo. O vocal Michael Myers, um dos responsáveis pelo clima de maldade, já deixou a banda, que atualmente conta com Guilherme Belva que já mostrou um bom serviço em várias apresentações. A capa, mais um belíssimo trampo de Emerson Maia e encarte muito bem cuidado com todas as letras. 

Não perdoou quem não ajudar a perpetuar essa maldade. Foda demais, um dos melhores de 2016!!! 

                                                                        Guga Burkhardt 



WIL2KILL – WILL TO KILL 

Um disco nervoso. Thrashmoderno, mas focado na cadencia equilibrada com a rapidez. O vocal de Wilfred, jornalista e escritor do livro Pesado. já é bem conhecido pela sua participação e registro na banda Cruor e tendo passado recentemente pelo Câmbio Negro HC, mantém aquela pegada rouca e assumidamente inspirada em Korg. Complementa a banda Eddie Cheever no baixo, Daniel E. Mello na batera e Hugo Medeiros na guitarra. São 03 faixas definitivamente instigantes, como na primeira que dá título à banda, a segunda Empire of Ignorance e a última Cause For Alarm. Embora os riffs durante todo o tempo são os destaques, nessa a guitarra de Hugo extrapola as convenções e nos brinda com uma pegada muito furiosa. Musicalmente um excelente cartão de visita para essa banda formada em 2015. Outro destaque é a bela capa, com uma imagem da fotografa Anna Clarice e designe de Alcides Burn. Produção primorosa de Mathias Canuto da banda Desalma no estúdio Bigorna and Pólvora. Foda !!!!! 

                                                                       G. Burkhardt



LEPRA – CARNIFICINA 

Grind sem conceções nove faixas que ao todo giram em torno de um pouco mais de 10 minutos. O Trio Italo (Vocal), Raphael (guitarra) e Marcelo (bateria) trazem a determinação precisa em fazer muito barulho aliado a letras violentas, onde algumas como Verme, Não Serei seu Servo e Horror Pátria abordam um lado mais político ou dos descaminhos e manipulaçãode nosso “lideres” e outras como Destruindo Tudo Onde Passa e Hoje tudo acaba vai mais pelo lado psicológico do ser humano. Desesperança e raiva é o que perneia todo esse trabalho. Destaque não tem como dá porque parece um rolo compressor que,quando você menos percebe ele já te triturou sem piedade. Grind meu amigo!!! 

                                                                    G. Burkhardt








Assim como muita coisa boa ocorreu em termos de produção musical das bandas, as produtoras estão se qualificando mais aqui no estado, uma das que se sobressaiu foi a Paganus que chegou em 2016 com 03 festivais memoravéis e esse ano vem com uma sequência de shows oferecendo para o público todas as vertentes da música pesada, de  festival Punk a  Black Metal. Vamos ouvi-los! 




A. Primeiro, como surgiu a produtora e qual a proposta, inovação ou o que vocês acham que vão poder somar aos eventos aqui na região?

Paganus: A produtora nasceu do interesse de Júlio César de oferecer ao Recife um novo modelo de organização de eventos focando no cenário nordestino. É composta de 4 membros o núcleo da Paganus, mas não temos hierarquia interna. As decisões são horizontalizadas. Contamos também com uma equipe técnica com larga experiência de produção, estrutura de luz e som, time de design e artworks, além do nosso Street Team. Quanto à proposta, a Paganus, nasce com o intuito de trazer a opção de entretenimento ao público headbanger nordestino, focando em eventos tendo o Recife ponto de partida para receber bandas de todo nordeste e o nordeste conhecesse o cenário recifense. Consideramos que o intercâmbio entre bandas nordestinas e principalmente entre os cenários no nordeste ainda é aquém do esperado. Esperamos sim poder contribuir positivamente nos eventos da região, pois a produtora dá uma criteriosa atenção a todos os pontos técnicos da realização dos eventos, pensando em oferecer o que de mais satisfatório esteja ao nosso alcance. Seja para o público, bandas e cenário.

A. Como gosto de falar com pessoas, gostaria que vocês apresentem aqui, a equipe central da Paganus

Paganus: A produtora nasceu como inspiração de Júlio Cesar como dito na pergunta inicial. Este, convocou um amigo que já havia trabalhado com ele numa empresa agenciamento de bandas (Rodrigo Feijó) e este, por último, recrutou seu amigo (Artur Vicente) por considerar que poderiam contribuir nos processos da curadoria interna. Recentemente, Sandro Lima aceitou o convite de Artur e adentrou ao grupo a fim de reforçar a curadoria e os processos internos de produção.



A. Qual o requisito para a escolha das bandas nos eventos?

Paganus: O primeiro critério está na análise da produção musical das bandas e de seus modos de divulgação. Acreditamos que as ferramentas para divulgação musical são diversas e o primeiro ponto a avaliar é se o conteúdo das bandas está disponível para audição prévia em meios digitais e se a banda já tem materiais lançados. Segundo, mas não menos importante, a produtora se utiliza do vínculo com figuras míticas do calendário do paganismo mundial. Considerando isso, promovemos eventos temáticos. O Honras ao Deus Baco, por exemplo, foi idealizado pensando em recrutar bandas de Heavy e Thrash Metal com temática diretamente vinculada ao consumo desregrado de álcool.





 A. A estreia da produtora com o Samonios, foi um sucesso seguindo uma vibe mais Stoner/Doom. O segundo evento “Honra ao deus Baco” teve uma pegada mais Thrash.O terceiro evento seguiu uma veia mais pesada ainda, mais Death/Black. A idéia é essa, trabalhar harmonicamente com características parecidas das bandas para cada evento?


Paganus: Exatamente, Guga! Não negamos a possibilidade de mesclar os subgêneros, como visto no Paganus Festival, mas observamos que dessa ideia de vincular a estética de uma figura mítica à sonoridade das bandas é um conceito caro para nossas produções!

A. Existe pretensão de estender os eventos pra outras cidades do interior do estado?

Sim, mas nada planejado até o momento.

A. O Burburinho e o Estelita foram espaços já utilizados por vocês, apesar de já serem um espaço tradicional de shows aqui em Recife, para certos padrões de shows, não são adequados, porque um tem uma infra-estrutura meia precária e o segundo tem um pequeno problema que é o tamanho para trazer certas bandas que atrai um grande público. Vemos agora vocês buscando outras alternativas de espaço, inclusive trazendo uma sequencia foda de shows internacionais, Tsjuder, GBH, Moonspell..., fora as atrações nacionais, a ideia no futuro seria um festival open, já que eu acho que Pernambuco já nos deve isso a tempo?


Paganus: Excelente pergunta, Guga! Os eventos no Burburinho ocorreram conforme minimamente esperávamos. Você vê, por uma mudança estratégica, levamos o Paganus Festival ao Estelita. Recebemos algumas críticas negativas quanto à logística de acesso do Estelita. De certa maneira são pertinentes, mas consideramos que para o momento nos foi bastante relevante essa alteração. Acreditamos que as condições de acesso ao Estelita e Burburinho não são muito diferentes quando pesamos público, bandas e produção do evento na equação. Ainda no Paganus Festival, testamos nossa condição de realização de festival e como reagiríamos em condições adversas. Tivemos alguns problemas, mas acredito que conseguimos superá-los e proporcionar um bom evento. É importante que o público compreenda que a produtora tem o intuito de promover para público e bandas o que melhor estiver ao seu alcance, mas a cidade não tem um número significante de casas que aportem eventos para o público underground. Já quando se trata de Tsjuder, GBH e Moonspell, promovemos uma parceria com a Cronos Entertainment, produtora nascida aqui na terrinha, mas que enveredou para o sudeste e lá conquistou nome forte e cumpriu as expectativas geradas com o Maniacs Metal Meeting! Não descartamos um festival open air. Seria a realização de um grande sonho! Quem sabe? Hehehe.

A. O espaço ta aberto aqui para seus comentários:

Paganus: Guga, muito obrigado pela oportunidade de figurar na página desse histórico zine! Obrigado também por fazer parte do grupo de formadores de opinião/veiculadores que nos honramos de ter possibilitado eventos minimamente satisfatórios. A mensagem que queremos deixar é que há tempos acreditamos no cenário nordestino e temos bandas de qualidade que precisam dialogar num circuito de eventos locais. Deixamos também uma mensagem positiva aos demais produtores de eventos na cidade: não deixem de promover estrutura de qualidade e respeito as bandas locais. Ao público, temos um tratamento especial a vocês, mas apoiem as bandas nordestinas. Muitos querem ver bandas estrangeiras e aceitariam se deslocar para a casa de eventos que elas fossem, mas o mesmo não tomariam tal atitude para uma banda de menor expressão, mas de experiência e qualidade também relevante. Isso é um ponto a se dialogar, mas vamos tratar sobre isso entornando algum copo de cerveja.
Dessa parceria com a Cronos Entertainment, já podemos descartar a possibilidade de estourar o cartão de crédito com passagens aéreas para o Sudeste, haha!
Aguardem mais eventos, pessoal! O bardo aportou no Recife e há muito deseja contribuir para a cidade ser um pólo regional. Temos em planejamento um circuito de eventos figurando bandas estrangeiras e nordestinas e contamos com o apoio de todos e todas.






Pagan Spirits, Vermgod, Tsjuder e Patria - Estelita - Recife - 25 de março de 2017


Vermgod
Foi uma negra noite, aquele sábado dia 25/03/2017. O Estelita, um espaço que fica entre o Centro de Recife e Boa Viagem. De fácil acesso na ida, mas mesmo um pouco dificil na volta para quem vai no sentido centro, não impediu que além do público local, migrassem  outras hostes que vieram de recantos como Campina Grande e João Pessoa (PB), Natal (RN), Garanhuns (PE), garantindo com isso que  o evento tivesse  uma grande lotação. E a noite foi literalmente infernal! As produtoras reunidas, Paganus e Cronos, tiveram a sacada de colocar uma atração do interior do estado, O Pagan Spirits, outra da Paraíba, o Vermgod , uma das mais conceituadas bandas nacionais da atualidade, a Pátria e a norueguesa Tsjuder. E o que nos restou disso?
Patria

A celebração  mais negra que Recife já presenciou na vida. O Pagan Spirit foi foda, escuridão precisa, mostrando uma banda afiadíssima para qualquer evento. O Vermgod, trouxe um peso e uma essência maligna, ornada com verdadeiros hinos ao Metal Negro, me surpreendeu, não porque eu esperasse menos deles, mas assistir pela primeira e perceber claramente aquela  atmosfera doentia,  carimbou o passaporte deles para a próxima edição do Acclamatur zine. A terceira banda foi o Tsjuder. Velho, como é bom aquelas pegadas meio punks que algumas bandas BM colocam no seu molho de influências. Som raçudo , antes de tudo, direto , quase basicão, mas com a energia escura que só uma típica banda da Noruega consegue transmitir. É meio inexplicável aquilo.Energia caótica tomou conta de vez no Estelita e aterrou definitivamente com a subida do mal chamado Patria. Independente do motivo, mas mereciam  como aconteceu,ser a última banda a tocar,l como headlines, porque é pau a pau com os internacionais, sim. São monstros atuais na já tão carregada cena BM mundial.

 E o que eles entregaram para a platéia foi uma descarregada de força primitiva chamando pra guerra. A postura, o visual, mas principalmente a brutalidade sonora perfeitamente dirigida para a acordar da besta, estavam lá para encerrar uma noite de consagração. Foi mórbido, foi tenso e foi perigosamente  negro! Como se a besta ou o caos pudessem ser compreendidos! Parabéns sempre ao público e aos produtores pela qualidade de som, atenção e respeito à todos!!!!!   

                                                     Guga Burkhardt 








CAMPO MINADO – EXTINÇÃO – PE


A faixa de abertura, que nomeia o cd, já demonstra a caceteada que vamos encontrar durante todo o cd. O Hardcore atirado pelo Campo Minado, nos brinda com uma performance além da média, principalmente do baixo de D’Ângelo, marcante em todas as músicas, amarrado como uma parede de concreto, com a ajuda da bateria de Marcelo que se impõe pela violência, como no refrão de Reza o Terço. Vocal bem agressivo e com ótima dicção de Adriano, e bases e riffs instigados de Markelly. Tudo isso ornado com muita, mas muita violência não só na música mais nas letras que oscilam entre as típicas de protesto e algumas mais pessoais sobre a revolta humana. E parece que a raiva vai aumentando quando chega na quarta faixa, Persistir com variações de ritmo muito fodas e sem perder o folego os caras emendam com Apátrida, uma letra atualíssima sobre a falta da real direita e esquerda política em prol de interesses pessoais. Enfim o cd fecha com Lixo, uma música que pode apresentar muito bem o que se passa em todo o Extinção: letras diretas, músicas diretas e ao mesmo tempo com partes também intricadas. 10 faixas perigosas como se estivéssemos andando num Campo Minado !


                                                                  G. Burkhardt





SAGA HC – MAIS CONSCIENTE, MAS AGRESSIVO 

Cheguei a perguntar aos membros do Saga HC, banda de Prazeres, Jaboatão, se o nome Saga tinha alguma relação pela “complexidade” do seu hardcore. Porque o que se nota não é apenas a urgência do estilo, mas bases muito fodas e cacoetes até metálicos em composições cheia de mudanças. Mas o pau é o que rola mesmo, num cd embalagem envelope, com ótima gravação, no entanto com pouca informação técnica ou letras, como também sem informação de quem fez a bela arte.Mas musicalmente não se sente falta de nada, como nas faixas Mais Consciente, Mas Agressivo, Na Pressão, Por Onde Você Anda, essa quero fazer uma ressalva pela qualidade da composição, começando com uns riffs meio tranquilões para acionar riffs instigadores de rodas e refrão pegajoso mesmo. Foda demais!!! E continuam com Orgulho Ferido, alternado entre cadencia e velocidade. Fúria e Ilusão Social são duas com a cara bem hardcore/punk, porém com a última ganhando tons metálicos com um peso cadenciado das bases de Andre e Kleber. Por fim Mude Seu Rumo e Reset que fecham de forma perfeita um grande disco, principalmente para quem gosta também de crossover ou Thrash porque o clima como já falei lá em cima é de roda!!! Vocal preciso de Beto com uma dicção perfeita, ainda mais com a velocidade que ele canta e cozinha animal com Marcelo no baixo e Paulinho na batera. Se fosse um disco mais longo, seria realmente uma saga, mas hardcore não permite isso, ainda bem, porque são nos discos mais objetivos onde encontramos perolas e não linguiça! 

                                                                                G. Burkhardt














SEPULCHRAL WHORE - PROMO MMXVI

Formada por ex-membros de bandas já consagradas de Pernambuco, O Sepuchral Whore, com essa promo, chega dispostos a praticar um Death maldoso e ríspido, apresentando dois foguetes, Necromancer Rites e In Slumber They Succumb com pequenas variações, mergulhando por vezes no Doom, mas na maior parte das músicas, o negócio é lapada mesmo. Vamos aguardar ansiosos a estreia em ep dessa mais nova entidade de Hellcife. Esse é o link para conhecer esses sons: https://sepulchralwhore.bandcamp.com/releases

Forma o trio truculento, Nyarlathotep IV (guitar), C. Le Sorcier (drums) e Necrospinal (bass & vocals). Tenso! 


                                                                          G. Burkhardt 




UNDER THE GRAY SKY – IN LIMIT OF SOUL 

Mais um trio novo, porém agora o negócio é mais tétrico, mais desesperador, pois se trata de uma banda de Funeral Doom que conta com Axel no vocal carvenoso e guitars, Marcia Raquel nos teclados e vocal limpo e Dany Daena na bateria. Lançaram de forma virtual, apenas uma faixa, In Limit Of Soul, como single para apresentar a banda. Tudo o que de melhor agrega o estilo, a tristeza de uma beleza desesperadora, a sensação de solidão, todos os sentimentos que o estilo transmite estão impregnados no Under The Gray Sky. Vocais bem colocados, teclados e pesos da bateria na medida certa. Agora é só esperar o ep prometido e se puder assisti-los ao vivo. Eu já tive essa oportunidade e aprovei a competência de prender e hipnotizar a plateia. O que não é fácil numa cidade onde impera a brutalidade rápida com é costume nas bandas de Hellcife. 

                                                                  G. Burkhardt 





Hellnegade é uma banda do município de Santa Cruz do Capibaribe, forte  polo têxtil do estado. Pronta para lançar o primeiro trabalho, tiramos um tempo para um papo rápido.


A. Primeiro, o começo de tudo! Como se formou a banda, a escolha do nome, a proposta do som?

H-Tudo começou quando o vocal (Jonatas) e o baterista (Rayner) decidiram montar uma banda de death. A ideia era um power trio, eles conheciam o baixista (Lucas Ribeiro), O chamaram, ele gostou do projeto e falou que conhecia outro guitarrista que também gostava de som pesado.Os caras conversaram e decidiram me chamar (Lucas Ramos) e desde então estamos aqui.Emrelação ao nome, passamos alguns dias pensando em um, até que Jonatas, que estava ouvindo o "Warcursed" a musica "Renegadesfromhell", decidiu misturar os nomes dando origem ao Hellnegade.

A. Já tive oportunidade de ver a banda ao vivo e pergunto: qual momento ao vivo, que show você acham e perceberam ser um momento importante para a banda?

H-Cara, todas as nossas apresentações contribuíram de alguma forma e cada uma tem sua importância.Mas foi a partir do Hammer Metal Que realmente sentimos que a banda realmente iria para frente. Lá sentimos o publico gostando do nosso som de verdade pela primeira vez e o Capibaribe in Rock sentimos a mesma coisa e isso nos fez querer meter a cara no metal e colocar a banda pra frente e tentar atingir a galera de maneira feroz para que todos percebam nosso som e nossa mensagem.



A. Como estão os planos para lançar material esse ano?

H-Sim, esperamos lançar uma EP até o inicio de Abril.

A. O que você acha que está faltando para bandas do interior do estado, tocarem mais na capital?

H-As bandas do interior necessitam de um fortalecimento regional feito através delas mesmas, a partir de parcerias para eventos, tours entre suas cidades e etc.
Esperamos futuramente fazer alguma pequena tour pelo nordeste e com certeza tocar na capital.


A. Deixa aqui sua mensagem ou seu grito hostil...
H-“O grito Hellnegade é um gutural de descrença e maldição terrestre, ódio e sede de rispidez, chapação e embriaguez...”














           Tentaram gritar para o sol, mas o sol não respondeu, as nuvens logo escureceram o dia, o vento morno, típico da região, soprou com uma tão intensa força, que era  como se quisesse prenunciar algo perene e perigoso, saído das quentes dimensões infernais, naquele ano de 1993:  Malkuth.  
            Sir Ashtaroth e Nightfall reuniram um aglomerado de seres dispostos a trazer a materialidade e controle psíquico sobre a música. Inserir e trabalhar os quatro elementos da natureza transformados e passados através da música. Intuito alcançado um ano depois, quando lançaram ao mundo a demo, Orgies in the Temple of christ com uma proposta além do que se fazia naquelas paragens na época, numa cidade como Recife. Balançaram o tradicionalismo da região com um grande poderio de blasfêmias consolidadas em 1995 quando retomaram os estudos da árvore cabalística em Gloria a Vitória, outra demo fundamental para o Metal Negro. Depois de demarcado o terreno, selarem seus nomes nos livros. Ficaram durante o ano de 1996 quase fechados e se recompondo para em 1997 definirem-se com o clássico Under The lenght of the Black Candle. Um trabalho ainda mais negro, ainda mais sincero e carregado de maturidade e conhecimento obscuro.

Porém, o melhor estava por vir em 1998, quando executaram uma música tão perversamente negra que colocaram as prostitutas de satan para dançar com uma obra completa, Light of The Dance of the Satan's Bitch, variedade e complexidade mexendo visivelmente com a psique para alcançarem o equilíbrio na matéria, o topo da árvore sephirótica. Porém ainda era 1998 e muito estava por vim. A força em Extreme Bizarre Seduction de 2001 provou que a roda sempre gira e mesmo com constantes mudanças de componentes, o círculo quando não se quebra, perpetua toda a magia e força contida na banda.  Apenas um ano depois, Destroying the Symbols of Lies, arranca espíritos adormecidos de nossos corpos e numa seqüência de ano após ano, em 2003 conseguem expulsar mais um clássico: Fourth Empire.

Num intervalo maior, em 2006 com uma formação estabilizada com Nighhtfall (vocal), Sir Ashtaroth (guitarra), Nefando (baixo) e Protheus (bateria) e baseada no lendário livro Necronomicon, expulsam para o mundo físico o Nekro Kult Khaos, na tentativa de apresentar musicalmente as alucinações do provável autor desses escritos, o poeta árabe, Abdul Alhazred, que segundo o mito, compôs, em Damasco (730 D.C) esse livro da perdição. E talvez pelo peso contido nos textos, o intervalo para um próximo trabalho, precisou ser ainda maior, a entidade materializada, Malkuth, pareceu não cansar da sua guerra, apesar de que, mais uma vez alguns guerreiros ficarem para trás e outro, o Nephando (vocal-Baixo), assumir a batalha no ano de 2011 ao lançar o Strongest. 

Desde então, estão longe dos estúdios, preparando novos hinos. Ninguém sabe exatamente em que esfera, ou como ou o que virá. A batalha nunca cessou em cima dos palcos, nas noites pesadas e sombrias, onde cada aparição, cada acorde ou urro da Malkuth se transformou num grande ritual hipnoticamente místico. Mesmo com o giro de elementos, a carga e essência parece sempre mantida por Sr. Astaroth. E para avisar que ainda estão bem vivos e que ainda conversam e se inspiram na morte, contando com Agares( Bass),  Mantsgard (Vocals) e Vetis (Drums) lançaram um live em 2016, nomeado de A Noite de Necromancia.
A espiritualidade segue e prepara um acordo com o mundo físico. No momento Sir Ashtaroth junto com H. Destroyer (drums) e Agares (backing vocals & bass guitar) são a versão Malkuth de 2017. A espera é tensa do regresso de novos hinos , onde a psique dos seguidores deve ser assaltada com a fúria e a carga acumulada em mais de vinte anos de agressão. Provando mais uma vez que o equilíbrio é real!





                                                 G. Burkhardt